Por um bezerro, 47 cães são envenenados

A matéria abaixo, publicada pelo Correio da Bahia, tem seu lado curioso.  O peso maior, a meu ver, está na  importância de se discutir o alcance e a aplicação da Lei de Crimes Ambientais em episódios considerados corriqueiros. E alguns bem próximos a nós:

A polícia de Amélia Rodrigues concluiu o inquérito sobre o envenamento e a morte de 47 cães nas localidades de Bângala e Bolandeira, em São Bento do Inhatá, distrito de Amélia Rodrigues, a 84 quilômetros de Salvador.

O fazendeiro João Barros de Oliveira, conhecido com João Roque, ex-prefeito de Conceição do Jacuípe, irá responder a um termo circunstanciado, usado em casos de menor potencial ofensivo.

“O que ficou evidenciado foi que os animais foram envenenados através de laudo”, diz o delegado José Antônio Teixeira, que concluiu o caso e o remeteu ao Ministério Público, que irá decidir se denuncia o ex-prefeito.

O ex-prefeito irá responder por maus tratos a animais, previsto na Lei de Crimes Ambientais, que prevê detenção de três meses a um ano e multa. Segundo o delegado, no entanto, em casos em que a pena é menor do que dois anos é comum que seja revertida para penas alternativas.

Em depoimento, João Roque negou ter envenenado os bichos e disse que adora animais. Segundo o delegado Teixeira, no entanto, a quantidade de testemunhas que viram João Roque envenenar os cães é considerável.

O caso
O serial killer não escolheu raça, tamanho ou cor. Com uma luva e um saco amarelo cheio de carne, arremessou as ‘iscas’ envenenadas sobre muros e cercas dos terrenos. A carne, segundo moradores, era de um boi que João teria matado só para cometer o “cãocídio”.

O que motivou tal atitude? Os moradores acreditam que o simples fato de alguns cães vizinhos terem atacado um dos seus bezerros. Quando perceberam o que João fazia, os moradores avisaram a PM. Tarde demais.

O veneno colocado pelo criminoso nos pedaços de carne era tão forte que, ao comer os restos mortais dos cachorros, um urubu morreu. Algumas pessoas passaram mal, inclusive um policial militar.

Em protesto, donos de cachorros jogaram seus animais na propriedade de João de Roque. Um cão foi pendurado na cancela da fazenda.

O planeta e esse tal american way of life

A esta hora do dia 2 de novembro, Dia de Finados, estamos beirando a marca de 7 bilhões e 50 mil habitantes no planeta.

Tal conta está ficando repetitiva, porém continua oportuna. Não pelo número em si. Mas para se refletir sobre o estilo de vida que queremos adotar.

Muitos de nós, mesmo sem perceber, abraçamos o modelo dos norte-americanos. Algo pautado na lógica do american way of life.

Não se pode negar avanços econômicos devido à essa lógica.

Também não se pode negar que a crença no desenvolvimento e na competição infinitos tem um preço alto para a natureza.

Cientistas estimam que a Terra suportaria somente 1,5 bilhão de habitantes se o estilo de vida dos norte-americanos fosse adotado em todo o planeta.

Consume-se demais nos States. Desde a troca freqüente de automóveis pelas famílias – muitas vezes desnecessárias – ao excesso de comida.

Imagine, então, o que será do mundo quando os moradores da China e da Índia reivindicarem o modelo dos norte-americanos para seus países.

Só para refrescar a memória, os Estados Unidos possuem cerca de 320 milhões de habitantes. Juntas, China e a Índia ultrapassam os 2,5 bilhões.