70% das práticas ambientais no Brasil são feitas pelas escolas

Autor do livro Educação ambiental: pesquisa e prática educativa no Sertão alagoano, o professor Tarcísio Augusto Alves da Silva concedeu entrevista ao nosso blog. Ele coordena o Núcleo de Estudo da Educação, Sociedade e Meio Ambiente (Nesma) da UFRPE. Veja entrevista abaixo:

A educação ambiental tornou-se ponto obrigatório em projetos, sejam públicos ou privados. Ela está sendo levada a sério de fato?
Existem muitas iniciativas de educação ambiental, se avaliadas pelos objetivos nelas propostos, acredito que muitas têm dado certo. Todavia, nem todo objetivo dessas iniciativas se relaciona diretamente com uma educação ambiental crítica como aquela enfatizada em O Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global, publicado na Rio 92.  Nesse caso, há muitas empresas, por exemplo, que têm projetos de educação ambiental, no entanto, são grandes depredadoras do meio ambiente.

Que setores têm mais contribuído para a educação ambiental da população, em especial em Pernambuco?
Notadamente parcela significativa dos movimentos ambientalistas, a escola e os meios de comunicação. No caso dos órgãos públicos, a  equipe de educação ambiental do CPRH é uma referência histórica no estado, tendo, inclusive recebido prêmios.

Qual a importância das escolas nesse processo?
Várias pesquisas patrocinadas pelo MEC e Mistério do Meio Ambiente têm apontado que a educação ambiental escolar tem sido responsável por 70% das práticas de educação ambiental no país. A importância das escolas se situa no fato desse ambiente ser um espaço privilegiado de construção de conhecimentos e, portanto, capaz de promover uma crítica social ao modelo de produção e consumo que temos experimentado.

O senhor faz uma crítica ao enfoque meramente biológico que algumas escolas dão à educação ambiental. Por quê?
A escola é um campo de possibilidades. Seja para as boas práticas ou não. Ocorre que, uma educação ambiental de enfoque meramente biológico não consegue dar conta dos processos mais gerais de constituição da questão socioambiental. Esse enfoque deixa de considerar, por exemplo, que a dimensão biológica da vida não pode estar dissociada de outros aspectos como o social, o cultural e o histórico que produzem a crise ambiental em que vivemos.

Pernambuco conta agora com um dia específico, 6 de agosto, para a educação ambiental. Em meio a tantas datas, essa pode contribuir para o debate ambiental?
Acredito que sim. Se a data for utilizada para sensibilizar e mobilizar a sociedade para uma mudança nos atuais padrões de sociabilidade humana, ela estaria cumprindo uma função primordial na alteração do contexto apocalíptico que tem se traçado ultimamente em relação ao estado em que se encontra o nosso planeta.