Um cordel contra uma usina nuclear

 

A possibilidade de instalação de uma usina nuclear no semiárido nordestino atiçou a imaginação dos sertanejos. Em especial os de Pernambuco, onde se especula construir a unidade em Itacuruba.

O projeto da usina vem servindo de mote aos poetas populares. De Jatobá, no Sertão vizinho ao lago de Itaparica, o cordelista Climério Lima escreveu o Nosso Sertão não merece uma usina nuclear.

Abaixo, algumas  estrofes do texto que pode ser lido completo no site do Movimento Ecossocialista de Pernambuco (Mespe):

 

“Porque querem construir

Nessa terra renegada

Uma usina nuclear

Pelo mundo condenada?

Porque não constroem mais

 

Hospital, escola, estrada?

Venham melhorar os níveis

Da nossa educação

Melhor salário, emprego

Projetos de irrigação

Proteger o São Francisco

Veia de amor do Sertão

 

Uma usina nuclear

É um perigo constante

Na União Soviética

Numa explosão gigante

Matou e espalhou câncer

Numa área bem distante

 

O lixo dessas usinas

É um resíduo fatal

Não pode ser reciclado

Jogado em qualquer local

Se posto na natureza

É perigoso e mortal

 

Esse tipo de energia

É, por demais, perigosa

A causa de uma explosão

É ligeira e desastrosa

A energia do Sol

É muito mais vantajosa

 

A região vai sofrer

Belém, Floresta e Jatobá

Petrolândia, Paulo Afonso

Sem dever irão pagar

Se o rio São Francisco

Vier se contaminar

 

Projetos de agricultura

Terão que paralisar

Sergipe também Bahia

Preços altos vão pagar

De Pernambuco a Alagoas

Até descambar no mar

 

O problema, como sempre

Sobra pro povo sofrido

Precisamos nos unir

Criar um grande alarido

Político só tem medo

Do povo que está unido”.