Doutor em ciências biológicas, Carlos Guaraná prevê que a Barragem de Serro Azul, em Palmares, deve provocar mudanças num raio de até 300 quilômetros.
As alterações ocorreriam no clima, que tende a ficar mais seco, e no regime das chuvas, previsto para ser mais escasso.
Segundo Carlos, as mudanças na Mata Sul ocorrerão porque a umidade atmosférica será reduzida com a retirada da vegetação.
No Relatório de Impacto Ambiental (Rima), o Itep aponta que a vegetação será removida em 907 hectares, área a ser inundada pela barragem.
A retirada do verde é necessária em construções desse tipo para se evitar o risco de apodrecimento da água armazenada.
O pesquisador acredita que, por conta da supressão da mata, animais nativos devem morrer, pois outro ambiente não suportaria mais indivíduos.
Para compensar as perdas, o biólogo e professor da UFRPE sugere o reflorestamento de áreas no entorno da barragem.
O posicionamento de Carlos está na série (Des)caminhos de Serro Azul, publicada pelo Diario de Pernambuco. A reportagem é de Ana Cláudia Dolores.
O Itep aponta, no Rima, a necessidade de se implantar e monitorar 13 programas de cunho ambiental.
O Rima está sendo analisado pela Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH), responsável pelo licenciamento ambiental para o início das obras.
Serro Azul vai represar as águas do Rio Una.
A barragem integra o projeto do governo do estado para evitar enchentes, como as de 2010 e 2011, em Palmares, Água Preta e Barreiros.
