CPRH concederá licenciamento ambiental eletrônico

A demora no processo de licenciamento ambiental, no estado, tem sido apontada como entrave para implantação de novos projetos.

O motivo para isso, dizem os especialistas no assunto, é a estrutura – “limitada” – da Agência Pernambucana de Meio Ambiente (CPRH).

Para acelerar os processos de análise ambiental, a CPRH adotou duas medidas.

A primeira foi a montagem de uma sala para a avaliar exclusivamente a demanda da Compesa. No espaço, atuam profissionais das duas empresas.

Em 2011, a  Compesa requereu 349 licenciamentos ambientais para obras de esgotamento sanitário e abastecimento de água.

Pouco mais de 50% das licenças solicitadas pela Compesa foram concedidas.

A segunda medida adotada pela CPRH é o licenciamento ambiental eletrônico. O sistema entra em operação a partir de segunda-feira.

O processo eletrônico, previsto pela lei estadual 14.549, sancionada este mês, é voltado para as obras de baixo potencial poluidor.

Suape zera passivo ambiental

O Complexo Industrial Portuário de Suape quitou uma conta atrasada.

Neste ano,  segundo o balanço apresentado hoje pela empresa, o passivo ambiental foi zerado em relação à flora.

Replantou-se 248 hectares de Mata Atlântica. A extensão superou em 38 hectares a quantia devida pelo complexo.

A compensação ambiental, afirmou o diretor vice-presidente, Fred Amâncio,  também foi quitada quanto às áreas de restinga e de mangue.

O replantio de espécies da restinga somou 61 hectares, enquanto o de mangue, nove. As duas áreas ficam no Engenho Ilha, no Cabo de Santo Agostinho.

“A recuperação das áreas está sendo monitorada, o que deve acontecer até a consolidação”, completou Fred Amâncio.

Os projetos reúnem profissionais de Suape e das universidades Federal de Pernambuco (UFPE) e Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).

Crimes ambientais flagrados em Paulista

O antigo campo de aviação da família Lundgren, em Maranguape I, Paulista, é um ponto de prática de crimes ambientais.

Policiais militares e funcionários da prefeitura identificaram hoje pontos irregulares de armazenamento e triagem de lixo, extração clandestina de areia e  derrubada de árvores.

O lixo, segundo investigação policial, costuma ser levado por catadores e comerciantes durante as noites e finais de semana.

A prefeitura recolheu cerca de 50 toneladas de resíduos durante a operação.

Ninguém foi detido.

Segundo o diretor municipal de Meio Ambiente, Gerson Vicente, a fiscalização será itensificada no local a partir de agora.

Energia solar deve abastecer Fernando de Noronha

Com o potencial energético que dispõe, Fernando de Noronha merecia projeto diferenciado na área de energias renováveis, como o anunciado nesta semana.

A ilha terá, a partir do próximo ano, um sistema de energia solar capaz de suprir 6% do seu consumo. Os painéis existentes  se resumem hoje  à iniciativa de algumas pousadas.

Do ponto de vista ambiental, o novo sistema representará ganho significativo.

A energia a ser produzida no arquipélado, estimada em 600 MWh, deve reduzir o consumo de 350 mil litros de diesel por ano.

Considerado um dos combustíveis mais poluentes, o diesel alimenta a usina termelétrica de Fernando de Noronha.

Para viabilizar o projeto, a Celpe montará painéis fotovoltaicos em uma área de  seis mil metros quadrados. A área pertence à Aeronáutica.

Por uma corte latinoamericana de Direito Ambiental

Doutor em Direito Ambiental da PUC-PR, o desembargador federal aposentado Vladimir Passos de Freitas defende a criação de uma instituição para cuidar dos embates ambientais na América Latina.

“A questão ambiental se agrava e assume maior relevância”, alega. Entre os exemplos citados pelo professor está o processo da Argentina contra o Uruguai.

Alegando quebra de um acordo, o governo argentino pediu em 2006,  à Corte Internacional de Justiça (CIJ), a demolição de uma usina de celulose construída na fronteira dos dois países. A corte negou o pedido no ano passado.

Abaixo, alguns dos argumentos do professor, publicados em artigo na Revista Consultor Jurídico, para se instalar uma corte latinoamericana:

“Preocupado com a inexistência de uma autoridade internacional, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, tentou em 2010 sensibilizar vários países para a criação de uma Organização Mundial do Meio Ambiente, assemelhada à OMC. Apesar do esforço do chefe de Estado francês, que inclusive esteve em visita ao Brasil, a iniciativa não deu resultados. Não houve o apoio dos países desenvolvidos.

Pensando de forma menos ambiciosa, limitando os sonhos à América Latina, qual seria o caminho mais eficiente para termos uma política ambiental integrada? O que fazer para que Tratados, como o de Cooperação Amazônica, celebrado pelo Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela em 1978, sejam algo mais do que um protocolo de intenções?

De pronto é possível responder que uma espécie de OMC ambiental de nível regional, seria de criação quase impossível. Com efeito, se não temos sequer um bloco econômico forte (o MERCOSUL e o Pacto Andino não avançam), isto bem demonstra como seria difícil um bloco ambiental.

Não solucionaria também termos um Tribunal à semelhança da Corte Internacional de Haia, com a obrigatoriedade dos países cumprirem os Tratados celebrados. É que, além do problema da execução do julgado, os Acordos internacionais na área ambiental são vagos, genéricos, verdadeiras cartas de intenções.

A única solução seria a criação de um Tribunal Ambiental Latinoamericano (Tala), no qual os aderentes se comprometessem a executar, além dos Tratados Internacionais, as suas leis domésticas, podendo ser sancionados em caso de descumprimento.

Mas será que os países latino-americanos concordariam em abdicar de sua jurisdição a favor da proteção ambiental? A resposta é difícil. Os governos iriam ponderar as vantagens e desvantagens, principalmente econômicas. Por exemplo, uma vez aderindo ao Tratado que cria o Tala o país poderia ser acionado caso construísse um grande porto sem todos os estudos e cautelas de proteção ambiental.

Partindo-se da premissa de que, pelo menos em tese, há interesse, a iniciativa teria que partir do Ministério das Relações Exteriores de algum dos países da região. Evidentemente, esse Ministério analisaria a matéria junto com outros de importância e interesse no assunto, como o do Meio Ambiente, Indústria e Comércio, Desenvolvimento e Agricultura.

Se fosse tomada tal iniciativa por um país, seriam necessárias várias rodadas com os outros países para, quem sabe, chegar-se ao fim almejado. O Brasil, pela liderança que indiscutivelmente tem na região, seria o protagonista ideal. E o fato de termos em junho de 2012 a Rio+20, na cidade do Rio de Janeiro, sugere um momento ideal.

Então, daremos o primeiro passo? Ou continuaremos em uma inércia secular, aguardando uma catástrofe de grandes proporções, para então pensarmos a respeito.”

Catástrofes naturais provocam prejuízos de US$ 350 bilhões

2011 nem terminou e os prejuízos econômicos devido a catástrofes naturais, no mundo, apresentaram crescimento de 31,58% se comparado a 2010.

O  aumento é apontado por levantamento parcial da seguradora Swiss Re.

Pelo estudo, os prejuízos contabilizados neste ano são US$ 350 bilhões, o que representa US$ 84 bilhões acima das contas ano passado.

O tsunami do Japão,  em março deste ano,  foi quem mais contribuiu para as perdas, estimadas em US$ 210 bilhões.

Por conta  das catástrofes naturais, as seguradoras desembolsaram US$ 108 bilhões neste ano, o que ficou abaixo apenas de 2005.

Há seis anos, a causa maior dos prejuízos foi o  furacão Katrina, nos Estados Unidos. As seguradoras arcaram com US$ 123 bilhões.

Vazamento de óleo e as praias do litoral pernambucano?

Heitor Scalambrini Costa
Professor da Universidade Federal de Pernambuco

O título deste artigo pode parecer mau agouro, anúncio precipitad, previsão pessimista, seja lá como se pode interpretar. Todavia, temos assistido, com certa recorrência, anúncios de vazamento de óleo no mar e os impactos desses acidentes na costa do país, que nos levam a imaginar a possibilidade de semelhantes desastres ocorrerem no litoral pernambucano.

Isto porque o Complexo Industrial Portuário de Suape abriga e planeja, para futuro próximo, um conjunto de instalações industriais poluidoras e de alto risco, que aumentará assim substancialmente a probabilidade de ocorrências de desastres com vazamentos e, derramamentos de petróleo e derivados.

São classificadas como indústrias sujas, estaleiros navais (dois planejados e dois já em funcionamento), termelétrica a gás natural (já em funcionamento) e a óleo combustível (Termelétricas Suape II e Suape III), a Refinaria de Abreu e Lima, que terá sua própria termelétrica, e o projeto do parque de tancagem para armazenar 200.000 toneladas de óleo combustível para atender a anunciada maior termelétrica do mundo, Suape III.

Não se pode continuar fingindo não saber que o uso de combustíveis fósseis (gás natural e petróleo/derivados) na geração elétrica e em outras atividades, da produção ao transporte, é a principal causa do aquecimento global, com conseqüências diretas nas mudanças climáticas e assim na intensificação de fenômenos como inundações, estiagens, extinção de espécies, entre outros.

Logo, consumir derivados de petróleo significa devolver para a atmosfera, sob a forma de gases e particulados, uma massa enorme de carbono e outros elementos como enxofre e nitrogênio, que foram retirados desse meio há milhões de anos.

Essa massa de petróleo consumida no mundo (em torno de 100milhões de barris/dia) e gás (aproximadamente 15 bilhões de m3/dia) é quase toda queimada, transformada basicamente em gás carbônico. É uma massa de carbono sem precedentes na história, jogada artificialmente na atmosfera, constituindo-se em um dos fatores de agressão à natureza promovida pela indústria do petróleo.

As agressões ocorrem em todas as etapas dessa indústria. Segundo estudo realizado pela Academia de Ciências dos Estados Unidos (USA) as atividades navais são responsáveis por 33% dos vazamentos de petróleo no ambiente marino,  acidentes com petroleiros 12%, nas instalações terrestres e descargas urbanas 37%, e outras atividades 18%.

Em particular, quando o petróleo chega em uma refinaria se inicia uma nova etapa que se caracteriza por elevados riscos à saúde e de agressão à natureza: a indústria do refino é das mais intensivas na utilização de dois insumos caros à humanidade: água e energia. E a água que utiliza, ao menos no Brasil, ainda é descartada contendo grande quantidade de óleo, além de outras matérias orgânicas e metais.

Por serem grandes consumidoras de energia, e em geral serem auto-suficientes neste insumo, as refinarias são grandes consumidoras de petróleo e seus derivados, constituindo-se, portanto, em grande agressora da atmosfera.

Todo o receio de um desastre com derramamento de petróleo e derivados em Suape é justificável. E o alerta é necessário visto que tal acidente afetaria o ecossistema marítimo, colocando em xeque o futuro de comunidades costeiras onde milhares de famílias vivem da pesca, além de afetar as atividades econômicas do turismo na região. Há menos de 10 km do balneário de Porto de Galinhas e de outras lindas praias do litoral Sul, um vazamento de óleo poderia afetar drasticamente toda aquela região.

Daí, urge repensarmos este projeto de crescimento predatório em curso no Estado, e discutirmos democraticamente alternativas que utilizem fontes de energia menos agressoras ao meio ambiente e a saúde publica, e como resolver os problemas básicos que efetivamente afetam aquelas populações como: educação, saúde, transporte, saneamento,moradia, segurança, entre outros.