Agricultura é uma das causas da extinção de espécies

Secretário-executivo das Nações Unidas sobre a Diversidade Biológica, Bráulio Ferreira de Souza Dias acredita que a extinção de espécies da fauna e da flora somente será freada quando todas as repartições públicas incluírem a biodiversidade em suas políticas.

Bráulio, doutor em Zoologia, trabalhou no Ministério do Meio Ambiente, onde chefiou a Secretaria de Biodiversidade e Florestas.

Abaixo, entrevista que o brasileiro concedeu ao Inter Press Service (IPS) para o projeto Terramérica, ligado aos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud).

Por que se extinguem as espécies e por que isto é grave?
Darei um exemplo. A agricultura tem muito impacto sobre a biodiversidade. A conversão de terras causa a perda de serviços fornecidos pelos ecossistemas naturais, como reduzir as inundações e limpar e reter a água. Também perdemos diversidade genética, o que significa menos opções para combater doenças no futuro, e muitas outras coisas potencialmente úteis para a humanidade. Quando uma espécie se extingue, se vai para sempre.

Como novo secretário executivo do Convênio, como espera reduzir o desaparecimento cada vez mais acelerado de espécies?
Um objetivo importante é incluir a biodiversidade na agenda de todos os departamentos governamentais de todos os governos nacionais. Queremos que entendam e considerem os impactos sobre a biodiversidade quando elaboram normas e políticas. Estudos como o TEEB (sigla em inglês para “a economia dos ecossistemas e da biodiversidade”) fornecem dados sobre a importância da diversidade biológica para as economias de todos os países. Não é fácil conseguir e não há soluções mágicas.

As mudanças no Código Florestal brasileiro podem levar a um aumento do desmatamento na Amazônia. A controvérsia que esta reforma gerou ilustra o desafio de incluir a biodiversidade nas políticas de Estado?
Este é um exemplo concreto. Os governos devem lidar com interesses que competem entre si. Neste caso, produtores agropecuários e ambientalistas, interesses agrícolas e o público em geral. O desafio é encontrar o ponto de equilíbrio entre os interesses econômicos, a sobrevivência e a conservação. Em 2011, a Câmara adotou uma versão do Código que parecia favorecer os interesses agropecuários. Em dezembro, o Senado introduziu mudanças ao projeto que dão um enfoque mais equilibrado. Esta versão será apresenta em março na Câmara. O Brasil conseguiu reduzir o desmatamento na última década devido a uma melhor educação sobre o real valor da conservação e dos ecossistemas naturais. O público, definitivamente, aumentou a pressão sobre o governo.

Quanto é importante a educação nesse sentido?
A informação é fundamental, mas também o são os instrumentos financeiros. Por exemplo, gostaria que a próxima Conferência das Partes (COP 11, que acontecerá em outubro, em Hyderabad, na Índia) surja um acordo para que os governos usem critérios de sustentabilidade ao realizar qualquer compra.

Em 2010, a COP 10 adotou o Protocolo de Nagoya sobre Acesso aos Recursos Genéticos e a Participação Justa e Equitativa nos Benefícios Derivados de sua Utilização no Convênio sobre a Diversidade Biológico. A que os países signatários deste documento estão obrigados?
Em Nagoya as nações assumiram o firme compromisso de reduzir as perdas de biodiversidade. Foi um grande êxito. Agora, cada país tem uma estratégia nacional e um plano de ação para proteger a biodiversidade em seu território. Este compromisso deve ser levado aos âmbitos domésticos e a todos os setores para que haja resultados concretos. Não é fácil para a maioria dos países e exigirá financiamento e assistência técnica.

Os especialistas e diplomatas que negociaram o Protocolo de Nagoya têm que conseguir que seus governos o adotem. Quando espera que o tratado seja ratificado e legalmente vinculante?
Mais de 90 países apresentaram cartas de acordo sobre a ratificação do Protocolo. Contudo, o trâmite legislativo em cada país demora. Temos algumas ratificações, mas não chegaremos às 50 necessárias para que o Protocolo entre em vigor a tempo da COP11.

Quais outros temas a agenda dessa Conferência incluirá?
Trabalharemos para criar um novo mecanismo de financiamento e um programa de trabalho. Esta é a parte de “como fazer” para cumprir os objetivos mundiais de biodiversidade. A conservação em alto mar será um tema especial. Nenhum país tem jurisdição sobre estas áreas, assim não é parte dos planos nacionais. As águas oceânicas são extremamente importantes em matéria de biodiversidade e de processos ecológicos (o plâncton oceânico fornece boa parte do oxigênio que respiramos).

O que acontecerá com a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), prevista para junho, quando estará completando 20 anos da histórica Cúpula da Terra, na qual nasceu o CDB?
Há uma agenda ampla para avançar para uma economia verde. Esta não será uma grande conferência sobre biodiversidade, mas sobre tudo o que se relaciona com ela. Se a Rio+20 puser esta agenda em movimento, também ajudará a biodiversidade.

Até 2,5 mil espécies de aves podem desaparecer, neste século, devido aos desmatamento e aquecimento global

A combinação desmatamento e mudanças climáticas pode levar à extinção de 100 a 2,5 mil espécies de aves tropicais. Isso antes do final deste século.

O número é estimado pelo Biological Conservation.

Alguns estudiosos apontam como provável o desaparecimento entre 10% e 14% das aves tropicais, o que representaria entre 600 e 900 espécies.

As espécies de altitudes estão na lista das aves que mais sofrerão com as mudanças climáticas. Com secas e tempestades, elas terão o habitat cada vez menor.

Outros fatores podem contribuir para extinção das aves. Entre eles, o aumento do nível do mar, de doenças, de furacões e de períodos de estiagem.

Desde a Revolução Industrial, a temperatura do planeta subiu 0,8 graus Celsius.

Se a temperatura aumentar mais um grau Celsius, segundo estudiosos, a quantidade de espécies extintas pode ser bem maior do que se estima agora.

Brasil recicla 2 milhões de latinhas de alumínio por hora

Há dez anos, o Brasil lidera o ranking mundial de reciclagem latinhas de alumínio.

O último levantamento, de 2010, indica a reciclagem de 239,1 mil toneladas de sucatas.

Isso corresponde a 17,7 bilhões de unidades.

A média diária de reciclagem é de 48,5 milhões de latas. Por hora, 2 milhões.

O índice nacional de reciclagem, segundo a Associação Brasileira do Alumínio (Abal), atingiu 97,6% em 2010.

Uma das razões do sucesso está no valor do material.

Um quilo de latinha atualmente é vendido pelos catadores por R$ 2,50, enquanto o de garrafa PET, no máximo, R$ 1,00.

Latinhas renderam até R$ 500 para os catadores no Carnaval

Micheline Batista/ Diario de Pernambuco

Se você perdeu as contas de quantas latinhas de cerveja e refrigerante bebeu durante o carnaval, saiba que a sua sede pagou o 13º salário de milhares de catadores. Somente uma associação de estímulo à reciclagem calcula que foram coletadas seis toneladas de latinhas em Olinda e no Recife, movimentando R$ 500 mil durante a folia de Momo. Cada catador colocou no bolso entre R$ 400 e R$ 500, o equivalente a um mês inteiro de trabalho.

A catadora Naldeci Xavier, 48 anos, fechou um ciclo de oito dias recolhendo materiais em Olinda com R$ 500 a mais no bolso. O expediente de ontem foi no Bacalhau do Batata. “É um 13º para a gente. É muito gratificante essa época de carnaval, pois tiramos em oito dias o que demoramos um mês para tirar. Sem ser carnaval eu consigo tirar por mês entre R$ 300 e R$ 400”, conta Naldeci. Ela, que está na reciclagem há dez anos, diz que seu trabalho é importante porque ajuda a preservar o meio ambiente.

O quilo da latinha é vendido pelos catadores por R$ 2,50. “A reciclagem da latinha é um modelo que deve ser seguido pelos outros materiais, pois alcança um índice de 95%. Para os catadores, é um reforço que faz a diferença no orçamento”, comemora Sérgio Nascimento, presidente da Associação Meio Ambiente Preservar e Educar (Amape).

Todos os anos, no carnaval, a Amape faz uma campanha para estimular a cadeia da reciclagem. Os catadores recebem uniforme e uma ajuda de custo de R$ 50. Neste ano, a entidade homenageou as catadoras, numa antecipação do Dia da Mulher, comemorado dia 8 de março. Foram cerca de 30 mulheres atuando em Olinda e no Recife, sendo 15 ligadas ao grupo Retome sua Vida.

Sérgio estima que o volume movimentado neste ano, cerca de seis toneladas de latinhas, seja 5% superior ao registrado em 2011. “Essa melhora tem sido gradual e segue o incremento na renda da população. As pessoas ganhando mais, vão consumir mais latinhas. A temperatura também interfere. Quanto mais quente, maior o consumo de bebidas em lata”, observa.

Nos polos da festa os catadores não recolhem apenas latinhas. A garrafa PET, seja de refrigerante ou água mineral, também é bastante valorizada, embora o índice de reciclagem seja somente de 55%. Na associação, paga-se R$ 1 pelo quilo do material, enquanto que na rua costuma-se pagar R$ 0,50. “A meta é fazer com que a reciclagem do PET chegue ao mesmo patamar das latinhas”, acrescenta Sério Nascimento.

Em Olinda, fantasias feitas de lixo

Alguns foliões uniram, em Olinda, criatividade e espírito ecológico.

Um dos exemplos foi Genival Pereira.

Com pedaços de isopor de embalagens de eletrodomésticos e de caixas de picolé velhas, palha de aço e tinta de parede, Genival criticou a corrupção na política.

A maquete que lembrava os prédios do Congresso Nacional e do Palácio do Planalto foi feita de isopor. Ratos foram produzidos com palha de aço.

O artesão Gabriel Antunes “brincou” o carnaval com uma fantasia – o degolador – feita de material retirado do lixo.

Para confeccionar o degolador, Gabriel  empregou  pneus, cabeças de bonecas, capacete de moto e peças de uma bicicleta.

“As únicas coisas que comprei para a fantasia foram os machados”, contou.

Ele conseguiu machados velho, mas, por segurança, decidiu não usá-los.

 

Regra nas escolas de samba do Rio é reutilizar, reciclar

O que se viu em parte dos desfiles das escolas de samba do Rio Janeiro é resultado de uma prática ecológica.

As grandes escolas, empurradas pelos altos preços dos produtos, encontraram na reutilização e reciclagem de materiais uma das chaves do sucesso.

Na Vila Isabel, apontada como uma das favoritas para o título deste ano, a regra é reaproveitar as fantasias e as alegorias ao máximo.

A escola de Martinho da Vila tem estimulado a comunidade a devolver as fantasias. Bem mais da metade das pessoas, após os desfiles, entregam as roupas no barracão.

As roupas, assim como as alegorias, são desmontadas e reaproveitadas. Há profissionais devidamente treinados para a tarefa.

Os cifrões ajudam a explicar o cuidado. Algumas penas custam, a unidade, R$ 50. E muitas delas, para o bem da preservação, são artificiais.

Destruição das matas produz 63% dos gases de efeito estufa no Brasil

A influência do Brasil nas discussões ambientais é crescente.

Mas, segundo o diretor do programa de meio ambiente da ONU, Achim Steiner, o país tem muito a fazer no campo da preservação da natureza.

Para Achim, em entrevista à revista Veja, o Brasil avançou no combate ao desmatamento, porém continua entre os principais emissores de gases do efeito estufa do planeta.

A destruição das matas encabeça a lista das causas. Ela responde por 63% das emissões de metano e gás carbônico.

A produção agrícola é outra fonte de poluição,  lançando na atmosfera 16% dos gases de efeito estufa que o país gera.

Polos do Recife terão 30 pontos de coleta seletiva

Bebe-se tanto no carnaval que a  Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife (Emlurb) pretende arrecadar, desta sexta-feira até quarta-feira, 20 toneladas de latas de alumínio, garrafas plátiscas e papelão.

Para cumprir a meta, 30 pontos de entrega voluntária – lixeiras coloridas – estão sendo instalados nos acessos aos principais focos da folia e nos próprios polos.

O Marco Zero, por exemplo, terá três lixeiras. Haverá coletores nas pontes próximas aos polos, como as  Princesa Isabel, Maurício de Nassau e Buarque de Macedo.

Aí entra o papel do folião que recorre à loira gelada, ao refrigerante ou à água mineral para aliviar o calor do carnaval.

Equipes da Emlurb trabalharão para recolher as latas, garrafas e papelão quando os depósitos estiverem cheios. O material será entreque aos catadores cadastrados.

Lavanderia de Toritama pode ser interditada

Os órgãos fiscalizadores, como o Ministério Público (MPPE) e a Agência Pernambucana de Meio Ambiente (CPRH), vão ter muito trabalho para fazer as lavanderias de jeans, no Agreste, seguirem as normas de proteção à natureza.

Prova disso é a operação, iniciada ontem, em Toritama. Os fiscais interditaram as duas caldeiras de uma das maiores lavanderias do município, a Nova Toritama,  e registraram dezenas de irregularidades.

Parte das irregularidades era relacionada a questões ambientais, segundo o promotor André Silvani. Ele coordena o Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça do Meio Ambiente do MPPE.

A lavanderia, completou Silvani,  lançava o esgoto sanitário e a água da lavagem do jeans, sem tratamentos adequados, em um córrego. A água da lavagem – enfluente industrial – é rica em produtos químicos poluentes.

Há a possibilidade da CPRH interditar a lavanderia por conta das irregularidades encontradas pelos fiscais.

Convocada pela promotora de Justiça, Milena Rezende Santos, a operação deve se estender, a princípio, para as 56 lavanderias da cidade. E pode se estender para outros municípios do Agreste que tenham empresas do ramo. 

A operação envolve, além do MPPE e da CPRH, a Superintendência Regional do Trabalho, a Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa), a Delegacia de Polícia de Meio Ambiente e a Polícia Militar.

Matadouros são interditados. Entre as causas, falta de cuidado com o meio ambiente

Os matadouros de Parnamirim e Terra Nova, no interior do estado, foram interditados por não atender as exigências do Ministério da Agricultura.

A falta de cuidado com o meio ambiente estava entre causas do fechamento feito pela Agência de Defesa e Fiscalização Agropecuária de Pernambuco (Adagro).

As interdições ocorreram após recomendação do Ministério Público (MPPE).

Com isso sobe para 11 a quantidade de matadouros fechados em menos de três meses.

O Diario de Pernambuco publicou, em dezembro, série de reportagens mostrando a situação dos matadouros no estado.

A série, com texto de Ana Luiza e fotografia de Teresa Maia, apontava, com base em dados da Adagro, que 83% dos matadouros não tinham condições de funcionamento.