Solo do Sertão será recuperado com lodo da Barragem de Itaparica e de tanques de piscicultura

O lodo da Barragem de Itaparica e de tanques de piscicultura em Itacuruba, na região do  Submédio do São Francisco, deve ser empregado para recuperar solos degradados do Sertão.

As primeiras amostras do material foram coletadas por pesquisadores do Projeto Innovate, que reuniu ontem, no Recife, estudiosos do Brasil e Alemanha. O projeto é financiado pelos dois países.

A perspectiva é que os primeiros experimentos no Sertão sejam feitos até junho.

“O lodo dos tanques de piscicultura é rico em fósforo e tem potencial de recuperar o solo”, exemplificou a professora do curso de Gestão Ambiental do Instituto Federal de Educação, Ciência e Teconologia de Pernambuco (Ifpe), Marilía Lyra, uma das responsáveis por essa linha de pesquisa do projeto.

A preocupação do Innovate com o solo vai além do reuso do lodo.

Ao tempo em que farão as experiências com sedimentos da barragem e dos tanques de peixes, pesquisadores também vão analisar aspectos como a erosão, salinização do solo e emprego de agrotóxicos.

Isso vale tanto para atividades econômicas já existentes na região, como a produção irrigada, ou que estejam previstas.

“Os estudos devem considerar a questão das mudanças climáticas no semiárido”, esclareceu a coordenadora brasileira do Innovate, Maria do Carmo Sobral. Ela da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

A UFPE é uma das 21 instituições envolvidas no projeto.

Dentro da preocupação com alterações do clima, o Innovate fará estudos voltados ao uso da água e à conservação da caatinga.

A princípio, a parceria entre o Brasil e a Alemanha deve durar três anos, período que deve ser ampliado para cinco anos. Mais de 50 profissionais atuarão no projeto.

Recife, o maior poluidor da Bacia do Beberibe

De rio de águas limpas, o Beberibe, que deve ser revitalizado até 2014, foi transformado em um canal de dejetos.

E quem mais o polui?

Sem dúvida, Olinda e Recife.

Por duas razões. Ficam nos dois municípios a maioria das ocupações irregulares das margens e são elas que despejam esgotos no rio e em seus afluentes.

Isso é fácil de se perceber ao se denominar os afluentes. Entre eles, os canais da Malária e do Vasco da Gama e o Córrego do Euclides.

A contribuição do Recife para a poluição do rio fica mais clara quando analisamos a distribuição, por números, da Bacia do Beberibe.

Dos 81 quilômetros quadrados da bacia, 65% estão na capital pernambucana. Olinda corresponde a 21%, enquanto Camaragibe por apenas 14%.

O rio nasce entre os municípios de São Lourenço da Mata e Olinda, em um pequeno olho d’água, nas matas dos antigos engenhos Massiape e Timbó.