Navio pode ter lançado em alto-mar o piche que atingiu praias do Recife e de Jaboatão dos Guararapes

Quem derramou o  piche que atingiu as praias de Boa Viagem e do Pina, no Recife, e de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes?

Os órgãos fiscalizadores trabalham com três possibilidades.

Duas delas podem ter ocorrido nos Portos do Recife e de Suape.

Em um desses portos, um navio poderia ter lançado acidentalmente o produto no mar. Ou, o mais impovável, jogado de maneira proposital.

A terceira possibilidade é que o piche tenha sido lançado em alto-mar de maneira consciente pela tripulação.

“Isso, infelizmente, é uma prática de muitos comandantes de navio”, disse Waldecy Farias, diretor de Controle de Fontes Poluidores da Agência Pernambucana de Meio Ambiente (CPRH).

Descobrir a autoria ficará mais difícil se o crime tiver ocorrido em alto-mar.

Afinal, dezenas de embarcações transitam na faixa litorânea do estado.

E o derramamento pode ter ocorrido a quilômetros de distância da costa e há dias e semanas da chegada do piche nas praias.

Piche derramado nas praias de Boa Viagem e do Pina, no Recife, começou a ser retirado

Garis limpam hoje, desde cedo, o piche lançado nas praias de Boa Viagem e do Pina. Cinco garis estão envolvidos no serviço.

O produto começou aparecer na faixa de areia no fim da tarde de terça-feira.

Na manhã de ontem, havia borra do piche ao longo das praias recifenses e em trechos de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes.

Em Piedade, segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente,  não havia mais piche hoje na faixa de areia.

O material recolhido em Boa Viagem e no Pina deve ser encaminhado pela Emlurb ao Centro de Tratamento de Resíduos de Igarassu.

A presença do piche nas praias surpreendeu até pescadores experientes.

“Isso já aconteceu oturas vezes por aqui, mas nunca vi uma coisa desse tamanho”, afirmou Luiz Sales, que vive da pesca há quase 30 anos.

Para pescadores, ambulantes e banhistas,  o piche disperso nas praias pode ser o indicativo de algo mais grave.

De onde esse piche veio, acredita o vendedor de sorvetes, Marcelo Alves da Silva, deve ter muito mais.

Marcelo não conseguiu se livrar das manchas escuras, Depois de um dia de trabalho, na quarta-feira, estava com os pés  “pichados”.