As lições do não à maior usina termelétrica do mundo

Quais as lições tiradas do anúncio de que a maior termelétrica a óleo combustível do mundo não mais será instalada em Suape?

Primeiro: a importância da mobilização popular.

Desde que o projeto foi anunciado pelo estado, em setembro de 2011, pesquisadores, ambientalistas e movimentos sociais foram às ruas e redes socias dizer não à proposta.

Esses argumentavam que o projeto traria mais prejuízos ambientais e para a saúde da população do que ganhos.

Por sua vez, os secretários Geraldo Júlio, de Desenvolvimento Econômico, e João Bosco, de Recursos Hídricos, defenderam a instalação da usina.

Argumentaram os dois que a usina seria uma unidade de apoio, prevista para ser acionada apenas em casos de emergência, além de ser de grande importância para o momento econômico do estado.

Mesmo assim, não conseguiram convencer os questionadores do projeto. E a adesão contrário a ele crescia nas redes sociais, especialmente entre os formadores de opinião.

Segundo: política não se apenas com o fígado.

As críticas dos movimentos sociais  passaram a recair também sobre o secretário estadual de Meio Ambiente, Sérgio Xavier, um dos fundadores do PV no estado e defensor da produção de energias limpas.

Àquela altura, Sérgio Xavier afirmou ao Diario de Pernambuco que a licença para instalação da usina ainda não tinha sido aprovada.

E que defenderia a conversão do óleo combustível para gás natural.

Diante da pressão popular e de um empreendimento contrário ao apelo mundial da necessidade de se rever os níveis de poluição, o governo deu um passo atrás.

O estado retrocedeu da sua decisão primeira, mas fortaleceu o discurso de se estar comprometido com o meio ambiente. 

Isso pôde ser percebido ontem no Recife, na reunião preparatória para a Rio Clima, convenção a ser realizada paralelamenta à Rio+20.

Além de patrocinar o evento, cujo propósito é fazer a Rio+20 incluir as mudanças climáticas em seu tema central, o governador Eduardo Campos e o secretário Sérgio Xavier anunciaram o não à megausina.

“É um sinal do comprometimento deste governo em reduzir as emissões de carbono”, disse o secretário de Meio Ambiente ao justificar à decisão.

A frase de Sérgio Xavier, dita quando apresentava as políticas ambientais do estado na reunião, foi aplaudida.

Em política, é assim. As palavras têm peso, mas os gestos falam mais alta.  E o governo do estado acertou ao saber disso.

Maior usina termelétrica do mundo, movida a òleo combustível, não será mais construída em Suape

A maior usina termelétrica do mundo não será mesmo construída em Suape.

A decisão foi tomada nesta semana pelo Grupo Bertin.

Por trás da decisão, o comunicado do governador Eduardo Campos de que o estado somente aprovaria o projeto se convertido de óleo para gás natural.

O Grupo Bertin considerou a proposta inviável e desistiu do projeto.

Não apenas isso.

Informou, segundo o secretário estadual de Denvolvimento Econômico, Geraldo Júlio, que construirá em Suape apenas uma ou duas usinas.

A previsão inicial era que o grupo erguesse cinco termelétricas para suprir as necessidades do complexo portuário e industrial.

Decisão sacramentada, o estado já começou a se mexer.

O terreno destinado à megausina será negociada com outras indústrias.

A preferência do estado, agora, é atrair empresas produtoras de energias limpas ou de tratamentos de resíduos.

O planeta agradece.

Com informações da repórter Mirella Falcão, do Diario de Pernambuco

Grupo Bertin pode ter desistido de instalar a maior termelétrica do mundo em Suape

Pernambuco não mais terá a maior usina termelétrica do mundo movida a óleo.

O governador Eduardo Campos comunicou ao Grupo Bertin  que o estado somente licenciaria o projeto se trocado o óleo por gás natural.

“Ou faz a gás ou não tem licença”, disse o governador, durante a abertura da reunião preparatória para a Rio Clima, no Recife, nesta sexta-feira.

A execução ou não  do projeto, segundo o governador, depende agora do Grupo Bertin. Eduardo Campos disse que não se estipulou prazos para dar respostas.

Informações não oficiais indicavam que o Grupo Bertin, que investiria cerca de R$ 2 bilhões nas obras, teria desistido da projeto previsto para Suape.

O argumento do grupo empresarial seria de que não é viável construir termelétrica tão grande à base de gás natural

A reunião preparatória da Rio Clima será realizada até domingo.