Pesca com compressor pode provocar embolia e alucinações

Os pescadores e não apenas o meio ambiente perdem ao recorrem à pesca com compressor. Para esses, as perdas no campo da saúde são grandes.

Eis a explicação da ciência:

“A cada 10 metros de profundidade, a pressão sobre o corpo duplica”,  ensina o professor Valdim Luna, do Departamento de Fisiologia e Farmacologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Quanto mais a pressão aumenta e maior for o tempo embaixo d’água, uma maior quantidade de gases se dissolve no organismo de quem mergulha.

Aí cresce o perigo.

Para que os gases desapareçam do corpo, o pescador precisa permanecer  determinado tempo sob a água para voltar à superfície.

Há normas técnicas mundiais que estabelecem esse tempo.

Nem todos, infelizmente, obedecem à essa regra.

“O tempo é desrespeitado, muitas vezes, por falta de qualificação profissional dos trabalhadores”, pontua o presidente da Federação dos Pescadores de Pernambuco (Fapepe), José Fernandes de Oliveira.

A subida rápida do pescador à superfície, em outros casos, acontece por quebra do equipamento. São comuns relatos que falam da quebra de mangueiras utilizadas na pesca com compressor.

Quando isso acontece, o gás tende a formar bolhas dentro do corpo. É a chamada embolia, também conhecida como “doença descompressiva”.

Francisco de Assis Fernandes, o Natal, 50 anos, passou por isso.

Ele mergulhava a 40 metros de profundidade quando a mangueira apresentou problema, obrigando-o a subir rapidamente para o barco.

A movimentação brusca provocou dores insuportáveis em Francisco, que pesca desde os 12 anos de idade,  e gerou bolhas no abdome.

Para as bolhas sumirem, o pescador teve que mergulhar novamente no dia seguinte. “Não indico esse risco a ninguém”, aconselha.

Além da embolia, o professor Valdir Luna destaca o risco de “alucinações” em mergulhos de grandes profundidades com o uso do nitrogênio.

As alucinações tendem a ocorrer porque, a partir de 30 metros de profundidade, o nitrogênio pode se tornar um embriagante.

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