Pouca fiscalização nos mangues de Maracaípe

A destruição do manguezal  na Praia de Maracaípe, no município de Ipojuca, é um reflexo da falha do sistema de fiscalização ambiental.

Essa tarefa cabia ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) até dezembro do ano passado.

Desde então, com a entrada em vigor da Lei Complementar 140, a função foi repassada para a (Agência Pernambucano de Meio Ambiente (CPRH).

A lei, sancionada pela presidenta Dilma Rousseff, compartilhou a gestão ambiental entre a União, estados e municípios.

Ao blog, o Ibama assegurou ter feito ações para impedir o surgimento de novos barracos no manguezal, bem como a construção de casas de alvenaria no lugar dos barracos, antes da lei. Mas eles se multiplicaram.

Em pouco mais de duas décadas, dezenas de imóveis apareceram. Estima-se que morem mais de cem famílias somente próximo ao campo de futebol.

É tal quadro que os fiscais da CPRH, como essa mesma comunicou ao Diario de Pernambuco, vão encontrar quando forem a Maracaípe na próxima terça-feira.

Mangue em Maracaípe, Ipojuca, dá lugar a barracos


O manguezal da Praia de Maracaípe, no município de Ipojuca, está aos poucos sendo ocupado por construções irregulares.

De quatro anos para cá, a quantidade de barracos se multiplicou e muitos deles estão sendo substituídos por casas de alvenaria.

A ocupação, caracterizada como crime ambiental sujeito à reclusão e à multa, acontece sob o olhar desatento do poder público.

No lugar, que fica próximo a um campo de futebol, mora cerca de cem famílias.

A maior parte dos barracos e das casas de alvenaria foi erguida depois da derrubada de árvores do mangue e do aterro do manguezal.

Uma das consequências, como atestam os moradores, é a redução da quantidade de crustáceos. Em alguns pontos, praticamente desapareceram.

Outra consequência é o lixo, encontrado no solo e nas árvores do mangue.

Mas a degradação em Maracaípe é mais antiga.

As primeiras casas na área verde, que dava acesso ao mangue, surgiram há pelo menos duas décadas. Algumas são do início dos anos 1990.