Ministério Público investigará corte de árvores na Caxangá

A promotora de Meio Ambiente, Belize Câmara, vai abrir inquérito civil para investigar a derrubada de árvores na Avenida Caxangá, no Recife.

Quinze árvores foram cortadas para a construção de plataformas do Corredor Leste-Oeste. As obras são coordenadas pela Secretaria Estadual das Cidades.

A abertura do inquérito está prevista para a próxima segunda-feira.

Com o procedimento, a promotora solicitará informações aos órgãos envolvidos no projeto, tanto na construção quanto no licenciamento.

“Para uma obra desse tipo é preciso o aval da  Secretaria Municipal de Meio de Ambiente”, exemplificou Belize Câmara.

Em ações desse tipo, lamentou a promotora, a população não é informada previamente para que não haja resistência.

Belize Câmara lembrou o caso do Poço da Panela, onde, no mês de maio, a prefeitura derrubou 49 árvores em um terreno na Rua Tapacurá.

A derrubada das árvores na Caxangá, segundo a Secretaria Estadual das Cidades, foi autorizada pela Agência Pernambucana de Meio Ambiente (CPRH).

Para compensar as perdas, a CPRH exigiu que o governo do estado plante 150 mudas. Mas o plantio deve ser feito em Goiana, a 65 quilômetros da capital.

Recife perde árvores e quem ganha é Carpina

Fica difícil entender, às vezes, a lógica  da compensação ambiental.

Vejamos o caso da Avenida Caxangá.

Para construir plataformas do Corredor Leste-Oeste, a Secretaria Estadual das Cidades derrubou 15 árvores e deve plantar 150.

O número, do ponto de vista da compensação, é muito bom.

Curioso é que as mudas serão plantadas em Carpina, na Mata Norte e a cerca de 54 quilômetros da capital pernambucana.

O corte foi autorizado pela Agência Pernambucana de Meio Ambiente (CPRH), com quem a secretaria firmou acorda para compensar as perdas.

Interessaria mais ao Recife, a meu ver, se as árvores ficassem por aqui.

A paisagem da nossa cidade, cada vez mais tomada por concreto e asfalto  e com menos áreas verdes, respaldam o argumento.

Sem árvores, ruas e avenidas ficam mais quentes. É contra isso que dezenas de internautas protestaram contra a derrubada na Caxangá.