Corte ilegal de lenha ameaça a caatinga

A erosão é uma das consequências do desmatamento irregular na caatinga. Foto: Alexandre Gondim/DP/D.A.Press

A erosão é uma das consequências do desmatamento na caatinga. Foto: Alexandre Gondim/DP/D.A.Press

Apenas 4% da lenha retirada da caatinga têm como origem projetos sustentáveis.

O número apresentado pela organização The Nature Conservancy (TNC), em Brasília, dimensiona o quanto a caatinga vem sendo devastada.

E para onde vai essa lenha?

Parte é transformada no carvão que abastece residências, estabelecimentos comerciais e de serviços, bem com a indústria.

A TNC estima que 1/3 da matriz energética do Nordeste é a lenha, sendo que 40% das indústrias da região recorre à madeira para fabricar seus produtos.

Nessa conta, a caatinga vem perdendo sua riqueza. Espécies correm o risco de desaparecer sem ao menos serem estudadas.

Suelma Santos, representante da TNC, ressalta que o bioma caatinga ocupa 11% do território brasileiro, mas é o menos protegido do país.

Distribuído ao longo do semiárido, o bioma possui 591 espécies de aves, 241 de peixes, 221 de abelhas, 178 de mamíferos, 177 de répteis e 79 de anfíbios.

Com informações da Agência Câmara de Notícias.

Calor no estacionamento do Shopping Recife chega aos 38,4°C

Muito asfalto e pouco verde contribuem para altas temperaturas no estacionamento do Shopping Recife. Foto: Paulo paiva/DP/D.A.Press

Muito asfalto e pouco verde contribuem para altas temperaturas no estacionamento do Shopping Recife. Foto: Paulo Paiva/DP/D.A.Press

O aeroporto, na Imbiribeira, e o estacionamento descoberto do Shopping Recife, em Boa Viagem, são os lugares mais quentes da capital pernambucana.

No estacionamento do centro comerial, a temperatura teve um acrécismo de 11,4°C entre 1998 e 2011, quando o calor atingiu 38,4°C.

A temperatura da superfície externa e do telhado do aeroporto alcançou 38,9°C em 2011, o que representa 7,9°C a mais do que o registro de 13 anos atrás.

Essas variações foram verificadas no estudo Balanço de energia na cidade do Recife, de Elvis Bergue, doutorando em geografia pela UFPE.

Bergue, que aponta os bairros mais urbanizados como os mais quentes do Recife,  elaborou seis mapas de temperatura com base em imagens de satélite.

Os registros do satélite (Landsat – 5 TM) foram feitos em dias de julho e agosto de 1998, 2000, 2006, 2007, 2010 e 2011. Sempre às 9h.

Mapas de temperatura também incluem os galpões do Bairro do Recife, próximos ao Forte do Brum, na lista das ilhas de calor da cidade.

Temperatura média de Boa Viagem aumentou 10°C em 13 anos

Excesso de prédios contribuem para a formação de ilhas de calor em Boa Viagem. Foto: Teresa Maia/DP/D.A.Press

Excesso de prédios contribui para a formação de ilhas de calor em Boa Viagem. Foto: Teresa Maia/DP/D.A.Press

A temperatura média em Boa Viagem, no Recife, aumentou 10°C em 13 anos.

Em 1998, a média era de 22°C no bairro, saltando para 32°C em 2011.

Os números constam em mapas de temperatura elaborados pelo pesquisador e doutorando em Geografia pela UFPE, Elvis Bergue.

Os mapas foram feitos com base em imagens do satélite Landsat – 5 TM.

“Essas imagens refletem um momento do Recife”, frisou Elvis.

O Landsat registrou as imagens sempre das 9h, de um dia de julho ou agosto, de seis anos de três décadas: 1998, 2000, 2006, 2007, 2010 e 2011.

Por trás do aumento da temperatura existe uma série de fatores.

Dois dos principais são o aumento a urbanização e verticalização da cidade.

Isso tem levado à substituição do solo natural por asfalto e concreto, o que muito contribui para o surgimento de ilhas de calor.

A urbanização fez aumentar os telhados de zinco, alumínio e amianto.

“O asfalto e esses tipos de telhados refletem pouca radiação e armezanam calor,  elevando a temperatura”, exemplicou o estudioso.

Boa Viagem foi o bairro recifense que registrou o maior aumento de temperatura, segundo os mapas, seguido da Imbiribeira, com 9°C.

Santo Amaro, Santo Antônio e São José apresentaram variações de 8°C.

Os mapas serão parte da tese de Elvis, a ser defendida em março de 2014.

Seca reduziu em 80% a coleta de sementes da Mata Atlântica

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Sementes de “orelha de burro”. Foto: Paulo Paiva/DP/D.A.Press

As chuvas chegaram nas últimas semanas na Região Metropolitana e Zona da Mata, mas nem todas as perdas pela estiagem serão revertidas de imediato.

Os projetos de reflorestamento, como o do Viveiro Florestal de Suape, onde se produziu 323 mil mudas em 2012, ainda sentem os efeitos da seca.

Nos últimos meses, os mateiros tiveram dificuldade de colher sementes de espécies da Mata Atlântica.

“De 20 tipos ou mais de sementes que devíamos colher, nos últimos meses, conseguimos coletas produtivas de cinco espécies”, revelou o técnico agrícola Moisés Inácio do Nascimento.

Coleta produtiva, esclareceu Moisés, é aquela em que a quantidade de sementes colhidas é suficiente para atingir a meta planejada.

A meta por espécie é de cinco mil no Viveiro de Suape, por exemplo.

Mas algumas espécies tiveram coleta “zero” devido à falta de chuvas. Foram os casos da pitomba, do tamboril e do chixá, conhecido como mandiocão.

Outras espécies tiveram coletas irrisórias, como o Jacarandá, com menos de 300 sementes até o começo de abril, e o Babatimão, com menos de 200.

“A estiagem mudou o ciclo das espécies e dificulta o nosso trabalho”, afirmou Enio Teixeira, gestor do viveiro.

Em 2012, a meta anual de 250 mil mudas foi alcançada em agosto, sendo possível a produção extra de 73 mil mudas no ano.

Agora, com a meta de 450 mil para 2013, o viveiro ficou, de certa forma, mais refém da natureza. Ou melhor, dos recados do clima.

Cadê os peixes do Capibaribe?

Foto: Nando Chiappetta/DP/D.A.Press

Foto: Nando Chiappetta/DP/D.A.Press

A resposta para o título deste post, parodiando o Xote ecológico cantado por Luiz Gonzaga, é “poluição comeu”.

Quem comprova a veracidade da resposta são os pescadores que jogam suas redes nas águas do Capibaribe, no centro do Recife.

“Os peixes estão se acabando”, disse Bruno André Ferreira, 42 anos.

Há 20 anos, Bruno pesca nos paradeiros das pontes da cidade, como a 12 de Setembro, a antiga Ponte Giratória.

Quando começou a tirar o sustento do rio, ele conseguia 10 quilos de tainha por dia. Ele fica feliz hoje se conseguir “dois peixes e uns siris”.

No lugar de peixes, os pescadores frequentemente arrastam garrafas plásticas, calçados e eletrodomésticos velhos.

“É muito lixo”, resumiu José Adriano Fragoso, 39.

O Capibaribe, infelizmente, passou de rio-símbolo do estado para um lixão à espera de ações efetivas dos governos para ser despoluído.

Com informações de Anamaria Nascimento, do Diário de Pernambuco.

Telhado convencional é 2,2 vezes mais quente que o telhado verde

Varanda de prédio na esquina das ruas do Riachuelo com a Saudade, na Boa Vista, Recife. Foto: Paulo Paiva/DP/D.A.Press.

A temperatura média de um telhado verde é, em média, 2,4 vezes menor do que a tempeturatura em telhados convencionais.

Estudos mostram que os telhados convencionais registram a média 60º C, enquanto os verdes anotam uma média de 25ºC.

O telhado verde é uma cobertura vegetal feita com grama ou plantas que pode ser instalada sobre lajes ou telhados convencionais.

A ocupação do telhado com plantas, segundo o arquitetro Luiz Rangel, traz mais benefícios ambientais do que as intervenções nas jardineiras.

Rangel, que concedeu entrevista a repórter Alice de Souza, do Diario, integra o Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Pernambuco.

Um dos primeiros especialistas a propor a transferência da vegetação para o topo dos prédios, pontuou Rangel, foi arquiteto Le Corbusier, nos anos 1920.

Um jardim com palmeiras, jasmin e laranjeira. Isso no 9º andar

Foto: Isaac Azoubel

Foto: Isaac Azoubel/Divulgação

Embora não tenha projetos de telhados verdes implantados, o Recife possui bons exemplos de varandas verdes.

O primeiro prédio recifense a aliar jardinagem à construção vertical, foi o Villa Mariana, em Parnamirim. E há cerca de 30 anos

Com nove andares, o Villa Mariana disponibiliza uma jardineira para cada pavimento, enquanto na cobertura o espaço verde é integrado à varanda.

O arquiteto Isaac Azoubel mora em um dos apartamentes. Na varanda, além do mobiliário, há um gramado com três palmeiras, laranjeira e jasmin.

Para manter e diversificar as espécies, detalhou Azoubel, a profundidade do solo do jardim foi ampliado para 25 centímetros.

“Precisamos podar uma vez por mês, ma é um trabalho que compensa pelos benefícios. Funciona como terapia”, avaliou o arquiteto.

Não por acaso, a varanda do apartamentope o local preferido para encontro com os amigos e festa de família. O verde faz a diferença.

Com informações de Alice de Souza, repórter do Diário de Pernambuco.

Telhado verde: Recife deveria imitar Curitiba e Rio de Janeiro

Com o aumento da temperatura no Recife, está na hora do Executivo e do Legislativo municipais pensarem, a exemplo de Curitiba e do Rio de Janeiro, em leis com incentivos fiscais para construções que adotem telhados verdes.

Essa tecnologia não é solução única para o enfrentamento dos efeitos das mudanças climáticas na cidade. Mas ajudará no combate às ilhas de calor que, com os espigões de concreto e a cobertura do solo com asfalto, aumentam.

No Recife, projetos estão sendo tocados por vontade exclusiva dos proprietários de imóveis. E o poder público? Nada debate.

Diante disso, as iniciativas privadas estão sendo planejadas por questões estéticas em alguns casos. Noutros, por se saber que o verde ameniza o calor.

A SkyGarden, uma das duas empresas que atuam no ramo no Recife, trabalha, no momento, com cerca de 20 projetos.

É comprovado que o telhado verde reduz as temperaturas interna do imóvel e do seu entorno, bem como ameniza a propagação do som.

Dependendo do que for plantado, ele ajuda a diminuir a poluição.

Para lembrar, o telhado verde não é algo novo no Brasil. O projeto pioneiro data de 1936, no Rio de Janeiro, no prédio do Ministério da Educação.

Cão fica nove horas soterrado, no Cabo de Santo Agostinho, mas sobrevive

Sheike passou cerca de nove horas soterrado. Foto: Blenda Souto Maior/DP/D.A.Press

Foto: Blenda Souto Maior/DP/D.A.Press

As últimas chuvas transformaram Sheike, segundo os moradores de Ponte dos Carvalhos, no Cabo de Santo Agostinho, em ”um guerreiro sobrevivente”.

Sheike tem sete meses de idade e, ontem, resistiu durante nove horas sob os escombros da casa do motorista Sérgio Márcio Bandeira, 29 anos, e da dona de casa Fernanda Maria da Silva, 30.

O soterramento aconteceu por volta das 2h. Chovia forte, quando o muro do imóvel vizinho despencou sobre a residência do casal. O impacto destruiu a cozinha, o banheiro e a pequena área de serviço, cobrindo de lama o cão.

“Perdi televisão, fogão, armário e  geladeira. Não perdi Sheike por milagre”, acredita Sérgio Márcio. O cachorro estava amarrado na hora do acidente.

Na madrugada, ao perceber o sumiço do cão, o casal ficou desesperado.

Nesse momento, os vizinhos começaram a retirar os entulhos do lugar.Quanto mais tiravam mais a barreira despencava, reduzindo a chance de sobrevivência do animal.

Os primeiros sinais do “milagre” aparecem minutos depois. “Ouvimos bem distante o choro de Sheike”, recordou Fernanda. Redobrou-se o cuidado. E, apesar do esforço, parte do corpo do cão somente foi avistada às 8h.

“Primeiro vimos uma das orelhas”, contou o vizinho do casal, Edson Belo da Silva, 27, que auxiliava o trabalho de homens da Defesa Civil do município. A retirada do cachorro do meio da lama aconteceu às 11h.

Coberto de lama, Sheike estava apenas com uma das patas machucadas. Tinha sobrevivido graças à uma caixa de cerveja que serviu de anteparo.

Um milhão de pessoas pisoteia, por ano, os recifes de corais de Porto de Galinhas

 

Foto: Rodrigo Cavalcanti/Divulgação

Foto: Rodrigo Cavalcanti/Divulgação

O número impressiona e preocupa.

Por ano, os recifes de corais da Praia de Porto de Galinhas, em Ipojuca, recebem a visita de aproximadamente um milhão de turistas.

A estimativa de visitas é do governo municipal que restringiu o acesso  a trechos dos recifes. E fez isso com razão.

Afinal, se, por um lado, os turistas se encantam com as piscinas naturais e os peixes, por outro, os danos aos recifes de corais fica mais evidentes.

Estudo Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), de 2011, apontou que a área dos recifes aberta à visitação tinha sofrido redução de 55% na quantidade de animais que vivem em meio às algas.

A área de acesso livre representa 7% dos recife de Porto de Galinhas.

Mesmo aparentemente pequeno, o percentual exige um plano de preservação.

Detalhe: os recifes de corais levam até 200 anos para se recuperar

O município demarcou parte dos recifes e anunciou que via encomendar um estudo sobre os danos ambientais provocados pelo pisoteio.

Esse problema não é exclusividade de Porto de Galinhas.

Ele se repete em outras praias do litoral pernambucano, como nos municípios de Tamandaré e São José da Coroa Grande.

Em Tamandaré, o problema tem endereço na Praia dos Carneiros, onde centenas de turistas passeiam diariamente sobre os recifes de corais.