Cadê as espirradeiras?

Foto: Wilson Firmo/Divulgação

Quem trafega pela PE-60, no Cabo, levou um susto nesta semana.

Em lugar das espirradeiras frondosas, também conhecidas como flor de São José e loureiro rosa, restam pequenos caules.

As plantas foram podadas de tal modo que muitas, antes com até dois metros de altura, ficaram com aproximadamente 50 centímetros.

Os motoristas ganharam em visibilidade, mas a paisagem, em uma cidade muito quente e bastante poluída, ficou ainda mais árida.

E fica a pergunta: não seria possível uma ação menos drástica?

O lamentável é que, além das espirradeiras, algumas árvores foram cortadas pela prefeitura local.

Daí, o temor de moradores da área de que a motoserra seja acionada contra árvores plantadas em um dos canteiros da rodovia.

Devagar com o andor

O projeto do Corredor Leste-Oeste, que liga Camaragibe ao centro do Recife, já chamou atenção por vários motivos. Desde a importância da via para um transporte público de passageiros às questões ambientais.

E esse aspecto, como mostra a colunista do Diario de Pernambuco, Luce Pereira, tem sido acompanhado de perto pelo Ministério Público. E com o rigor exigido pela lei. Abaixo, o comentário de Luce publicado hoje:

“Bem feito: o Ministério Público de Pernambuco deu, ontem, belo puxão de orelha na CPRH por permitir a erradicação de árvores que estavam no caminho do projeto corredor Leste-Oeste. Isso porque a Agência Estadual de Meio Ambiente tomou a decisão em terreno alheio sem dar a mínima para a opinião do administrador, neste caso, a Secretaria de Meio Ambiente do Recife. A questão não é a indiferença do órgão municipal com a ingerência cometida, mas o fato de não ser possível o órgão estadual se dar o direito exclusivo de condenar árvores de acordo com esse ou aquele projeto. Se trâmites legais existem é para serem cumpridos, ainda que a outra parte não se mostre minimamente interessada em questionar o pleito. A propósito, não foi apenas absurdo o fato de a CPRH se comportar como se não precisasse ouvir nada nem niente. Aquela história da compensação, também, revelou-se de uma esquisitice que só cabe em províncias onde o surrealismo já faz parte da rotina (como gente virando anjo que voa, gordos que explodem, essas coisas …). Imagine que a proposta era, como forma de compensar a erradicação, plantar novas árvores em Carpina, na Mata Norte. Quer dizer, os interessados em pegar uma sombrazinha (e daqui a muitos anos) precisariam viajar quilômetros até o município, e ainda ter que sair muito cedo de casa, porque o trânsito caminha para se tornar penitência braba em todos os recantos de Pernambuco. A isso, também, o Ministério Público disse “não” e recomendou que as árvores sejam plantadas perto da Caxangá. Nada mais lógico, porque a área é uma das mais áridas do Recife, pela falta de verde. Talvez a pequena lição de obediência sirva para que a CPRH não esqueça que desenvolvimento e meio ambiente não podem se divorciar impunemente.”

Árvores frutíferas por árvores nativas

Dois pontos do projeto do Código Florestal, aprovado nesta semana pelo Senado, vão provocar muito debate até o veto ou aprovação da presidente Dilma Rousseff.

Um deles é permitir que áreas degradadas sejam recuperadas com árvores frutíferas, quando a proposta do governo federal previa apenas árvores nativas.

O segundo ponto, que vem recebendo críticas, foi a mudança feita pelos parlamentares sobre a metragem da mata ciliar dos mananciais a ser recomposta.

Na medida provisória encaminhada por Dilma ao Congresso, a recomposição da mata ciliar seria de 20 metros para cursos d’água de até 10 metros de largura.

Essa medida valeria para propriedades rurais de 4 a 10 módulos. O tamanho de um módulo varia, segundo a legislação nacional, entre as regiões do país.

O texto aprovado pelos deputados e senadores, no entanto, reduz para 15 metros o tamanho da mata ciliar a ser recomposta.

As mudanças apresentadas pelos parlamentares são elogiadas pela bancada e entidades ligadas ao agronegócio, mas é criticadas pelos ambientalistas.

O desfecho sobre o projeto do novo Código Florestal, aprovado em primeira versão em maio do ano passado, depende da caneta da  presidente Dilma. É só esperar.

50 mil árvores deixarão de ser derrubadas

Quando se fala na informatização dos processos judiciais costuma-se exaltar o ganho de tempo para os usuários. O ganho ambiental fica esquecido.

Mas a redução dos danos para a natureza não é pequena.

Vejamos o caso da Justiça do Trabalho, que começou a implantar o processo judicial eletrônico em 15 dos 24 tribunais do Brasil.

Em Pernambuco, o sistema funciona desde ontem em Igarassu e no serviço de mandados de segurança do Tribunal Regional do Trabalho (TRT).

A meta é  alcançar 10% de todas as varas do país até o fim deste ano. Esse percentual deve ser superado no estado. Em 2013, pretende-se chegar a 40%.

Ao fazer isso, o uso de papel será bastante reduzido na Justiça do Trabalho.

“50 mil árvores deixarão de ser derrubadas por ano quando atingirmos 100%”, disse o ministro João Orestes Dalazen.

O ministro é presidende do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e do Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT).

Um dos sinais da necessidade de se cortar tantas árvores está no número de processos trabalhistas que tramitam em Pernambuco.

Segundo o TRT, 121.774 processos foram protocolados no estado em 2011.

Se cada processo tivesse 20 páginas teriam sido gastas, no ano passado, 2.435.480 folhas ou 4.870,96 resmas de papel.

Menos papel reflete gasto menor de energia e de água. E também menor custo com transporte, pois será desnessário o transporte dos processos.

Vamos precisar de leques

O texto abaixo é de Luce Pereira, publicado em sua coluna deste domingo do Diario de Pernambuco. Com uma ironia peculiar, a colunista atenta para um aspecto importante no processo de compensação ambiental: o tempo para que as mudas cresçam e atinjam o tamanho das árvores derrubadas. São necessários anos, décadas. E, como alerta Luce, muitas morrem antes de atingir a fase adulta.

OS SEM-SOMBRA

É para chorar mesmo diante do comportamento do poder público quando quer abrir espaço para algum projeto e encontra árvores nesse caminho. Em compensação por colocá-las abaixo, garante plantar outras numa quantidade muito maior, sem considerar o tempo que levam para crescer e sem dar garantia nenhuma quanto a isso. Não existindo fiscalização ou havendo (quando muito) apenas arremedo disso, tanto as novas podem nunca serem plantadas, de fato, como, em caso de promessa cumprida, elas jamais conseguirem chegar à fase adulta. Sabe-se lá: ante a conhecida falta de cuidado, sem olhos vigilantes e tantos animais à solta, as pobrezinhas reúnem chances mínimas de sobrevivência. E enquanto as poucas que davam sombra somem e as candidatas a substituí-las têm destino incerto, a cidade vai se transformando em purgatório. Essa matemática que atenta contra um presente um pouco mais fresquinho acaba de acontecer de novo, com uma pitada de esquisitice, o que é pior. Para justificar a derrubada de 15 delas, na Avenida Caxangá, caminho do projeto Corredor Leste-Oeste, a CPRH e a Secretaria das Cidades se entenderam nesses termos: as árvores serão plantadas em número dez vezes maior (150), só que … Em Carpina. Isso mesmo, em Carpina, o que significa que vamos precisar  percorrer 54 quilômetros atrás de uma sombrazinha. E ruim mesmo vai ficar se o Cirque du Soleil resolver mudar de endereço para uma área mais verde da cidade, na próxima visita. Aí a população do Recife pode ser obrigada a tomar ar fresco em outro município da Zona da Mata, dando à China oportunidade de estreitar as relações comerciais com Pernambuco, através do incremento das exportações de leques.

Recife perde árvores e quem ganha é Carpina

Fica difícil entender, às vezes, a lógica  da compensação ambiental.

Vejamos o caso da Avenida Caxangá.

Para construir plataformas do Corredor Leste-Oeste, a Secretaria Estadual das Cidades derrubou 15 árvores e deve plantar 150.

O número, do ponto de vista da compensação, é muito bom.

Curioso é que as mudas serão plantadas em Carpina, na Mata Norte e a cerca de 54 quilômetros da capital pernambucana.

O corte foi autorizado pela Agência Pernambucana de Meio Ambiente (CPRH), com quem a secretaria firmou acorda para compensar as perdas.

Interessaria mais ao Recife, a meu ver, se as árvores ficassem por aqui.

A paisagem da nossa cidade, cada vez mais tomada por concreto e asfalto  e com menos áreas verdes, respaldam o argumento.

Sem árvores, ruas e avenidas ficam mais quentes. É contra isso que dezenas de internautas protestaram contra a derrubada na Caxangá.

Tombadas, mas sem cuidados

O Recife possui árvores tombadas  há mais de três décadas. São 54 ao todo.

A prefeitura, entretanto, nunca montou uma equipe e um orçamento específicos para atender as necessidades dessas árvores.

Mas existem promessas.

Segundo o diretor municipal  de políticas para o meio ambiente, Maurício Guerra, o orçamento deve ser colocado em prática em dois meses.

Enquanto o dinheiro carimbado não chega, as árvores tidas como patrimônio municipal continuarão sendo cuidadas como as outras milhares da cidade.

Os cuidados são para impedir a propoagação de doenças e pragas.

Treze das 54 árvores tombadas ficam em Casa Amarela.

Em Casa Amarela, a Rua Neil Armstrong se destaca com 11 exemplares.

Com informações da repórter Anamaria Nascimento, do Diario de Pernambuco.

 

Quanto vale o verde

Em cidades cada vez mais áridas, o verde faz diferença.

Não apenas na qualidade do ar e para amenizar a temperatura, mas no bolso.

Pesquisa da Husqvarna aponta que um imóvel vale mais se localizado em uma rua com árvores ou mesmo com um jardim bem cuidado.

 A Husqvarna é uma empresa sueca de equipamentos de paisagismo.

O estudo indicou que as vendas aumentam em 10% quando o negócio envolve residência ou condomínio com um jardim bem tratado.

O índice cresce mais se o imóvel ficar em ruas e avenidas bem arborizadas. Nesses casos, as vendas sobem 16%.

Tais números resultaram de consultas a cinco mil proprietários de imóveis de nove países. Entre esses, o Brasil.

Os percentuais, cá para nós, indicam o quanto a maior parte dos grandes projetos imobiliários em execução no estado estão equivocados.

Pensa-se nos cifrões imediatos somente.

As empresas deixam de lado o que é conheciido há muito tempo: o verde traz mais conforto térmico, atrai aves, embeleza as vias e reduz o ruído.

Comissão investiga invasão e derrubada de árvores em terreno da União, localizado em Glória do Goitá

Um grupo de trabalho começou a investigar a denúncia de que empresas teriam invadido, em Glória do Goitá, município do Agreste do estado, um terreno do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Além de ocupar o terreno, segundo a Fundação Nacional do Pau-Brasil (FunBrasil), uma empresa do setor de peças de automóveis derrubou árvores nativas da região. Entre elas, cedro, ipê e o pau-brasil.

A FunBrasil denunciou o caso ao ministério na semana passada. E a superindência oficializou ontem a criação do grupo de trabalho.

A comissão é formado por três servidores da superintendência. Um atua na área da engenharia civil, outro no setor de patrimônio, enquanto o terceiro conhece bem o terreno onde teria ocorrido a ocupação indevida.

“O objetivo do grupo de trabalho é elaborar um relatório em caráter de urgência”, disse o chefe da divisão administrativa da superintendência, Rodolfo Vasconcelos.

Pela gravidade da denúncia, o relatório pode ficar pronto ainda nesta semana.

“Se verificarmos irregularidades, vamos acionar  a Procuradoria Geral da União”, completou o superintendente regional Denildo Pereira de Lima.

O terreno em questão foi cedido em regime de comodato pelo governo federal à Prefeitura de Glória de Goitá. O acordo termina em 2014.

Empresas derrubam árvores em terras da União

A Fundação Nacional do Pau-Brasil ameaça ingressar com uma ação no Ministério Público Federal contra empresas que estão invadindo áreas da União, em Glória do Goitá, na Mata Norte.

Em parte dessas terras, a fundação mantem um museu, uma trilha ecológica e um viveiro. Isso é possível graças a um convênio com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Dezenas de árvores – como pau-brasil, ipês  e cedro – foram derrubadas recentemente por uma empresa do setor de peças de automóveis.

“Já denunciamos o caso ao Ministério da Agricultura. Como o governo ainda não se posicionou, estamos dispostos a solicitar a intervenção do Ministério Público”, disse a presidente da fundação, Ana Cristina Roldão.

A denúncia foi feito pela fundação na semana passada.

Segundo Ana Cristina, a derrubada recente das árvores ocorreu depois de a empresa cercar um  trecho da área da União.

A fundação funciona em quatro de 78 hectares do Ministério da Agricultura.

No lugar, a instituição preserva a mata ciliar do Rio Salgado e produz entre 70 mil e 150 mil mudas de espécies nativas da região.

As plantas cultivadas no viveiros são destinadas a programas de reflorestamento, como o feito na área em 1993.

Na época, a fundação plantou 2,7 mil mudas de pau-brasil em Glória do Goitá.