Temperatura média de Boa Viagem aumentou 10°C em 13 anos

Excesso de prédios contribuem para a formação de ilhas de calor em Boa Viagem. Foto: Teresa Maia/DP/D.A.Press

Excesso de prédios contribui para a formação de ilhas de calor em Boa Viagem. Foto: Teresa Maia/DP/D.A.Press

A temperatura média em Boa Viagem, no Recife, aumentou 10°C em 13 anos.

Em 1998, a média era de 22°C no bairro, saltando para 32°C em 2011.

Os números constam em mapas de temperatura elaborados pelo pesquisador e doutorando em Geografia pela UFPE, Elvis Bergue.

Os mapas foram feitos com base em imagens do satélite Landsat – 5 TM.

“Essas imagens refletem um momento do Recife”, frisou Elvis.

O Landsat registrou as imagens sempre das 9h, de um dia de julho ou agosto, de seis anos de três décadas: 1998, 2000, 2006, 2007, 2010 e 2011.

Por trás do aumento da temperatura existe uma série de fatores.

Dois dos principais são o aumento a urbanização e verticalização da cidade.

Isso tem levado à substituição do solo natural por asfalto e concreto, o que muito contribui para o surgimento de ilhas de calor.

A urbanização fez aumentar os telhados de zinco, alumínio e amianto.

“O asfalto e esses tipos de telhados refletem pouca radiação e armezanam calor,  elevando a temperatura”, exemplicou o estudioso.

Boa Viagem foi o bairro recifense que registrou o maior aumento de temperatura, segundo os mapas, seguido da Imbiribeira, com 9°C.

Santo Amaro, Santo Antônio e São José apresentaram variações de 8°C.

Os mapas serão parte da tese de Elvis, a ser defendida em março de 2014.

Número de ninhos de tartaruga marinha duplica em Jaboatão

É crescente a quantidade de tartarugas que desovam nas praias de Jaboatão dos Guararapes. O número duplicou em três anos.

Atualmente há 10 ninhos de tartarugas das espécies verde e de pente nas orlas de Piedade, Candeias e Barra de Jangada.

No ano passado, os agentes ambientais demarcaram sete ninhos, enquanto em 2011 foram computados somente cinco.

Dos 10 ninhos atuais, três em Piedade, três em Barra deJangada e quatro em Candeias.

“Uma das causas desse crescimento é o desequilíbrio ecológico”, disse o gerente municipal de Defesa dos Animais, Manoel Tabosa.

Tal desequilíbrio, completou, pode ser percebido no aumento da poluição e da temperatura do oceano, o que pode estar mudando o comportamento das tartarugas.

Temperatura chega perto dos 40°C no Sertão de Pernambuco

Sem chuvas, o Sertão pernambucano está vivendo alguns de seus dias mais quentes a história. Na semana passada, a temperatura chegou perto dos 40°C em algumas cidades e a previsão para os próximos três dias é que alcance 37°C.

Ibimirim teve a temperatura mais alta deste ano no estado. O calor, segundo o Laboratório de Meteorologia do Instituto de Teconologia de Pernambuco (Lamepe/Itep), foi de 39,5°C. Isso foi registrado na última quarta-feira.

Outros três municípios registraram índices próximos ao de Ibimirim. Em Floresta, os termômetros marcaram 39,1°C. Serra Talhada ficou com 38,6°C, enquanto o calor atingiu 38,1°C em Petrolina.

Além das temperaturas elevadas, o Sertão enfrenta baixa umidade relativa do ar. Em Ibimirim, ela chegou a 21%, percentual classificado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como estado de atenção. Esse estado inclui as medições entre 20% e 30%.

Para os próximos dias, o Lamepe/Itep  prevê medições da umidade relativa do ar próximas as  do estado de atenção. O recomendado é que as pessoas bebam bastante água, evitem exposição ao sol e umidifiquem os ambientes, com vaporização ou recipientes com água.

Prédios, asfalto e desmatamento fazem a temperatura do Recife subir

O aumento da temperatura no Recife nos últimos anos não está associado somente às mudanças climáticas globais.

Para pesquisadores do clima, como Werônica Meira e Wanderson Sousa, a cidade também paga o preço por agredir o meio ambiente.

Entre as agressões estariam a verticalização acelerada, o que tem formado “paredões” em alguns bairros da cidade e dificultado a circulação do ar.

Também estariam contribuindo para o aquecimento a derrubada de áreas verdes e o crescente número  da frota de veículos e de ruas asfaltas.

Exemplo disso, segundo a pesquisadora, é Boa Viagem, o bairro mais populoso do Recife. “A paisagem natural deu e dá lugar à artificial”, completou.

Werônica aponta em sua tese, defendida na Universidade Federal de Campina Grande, um aumento médio anual de 0,02º C na temperatura local.

A tese analisa o clima do Recife entre 1961 e 2008. Nesse período, ela anotou um aquecimento de 0,94º C nas temperaturas máxima e mínima.

O aquecimento, observaram os dois pesquisadores, continuou sendo percebido nos anos posteriores – 2009 a 2012 - ao estudo de Werônica.

Temperatura do Recife deve subir quase 2° C até 2100

Se continuar subindo no ritmo dos últimos anos, a temperatura média do Recife atingirá um nível acima da expectativa mais otimista do IPCC, sigla em inglês do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climática.

Os estudos do IPCC indicam que, na melhor das hipóteses, a temperatura mundial aumentaria 1,4° C até 2100. Na pior, a variação alcançaria 5,8° C.

No Recife, se mantida a tendência atual, a temperatura terá 2,8° C a mais do que em 1961 e1,7°C acima da climatologia atual.

A estimativa é baseada da tese de Werônica Meira, meteorologista e professora da UFRPE. Ela verificou um aumento médio anual de 0,02° C entre 1961 e 2008.

A tese traz outros dados preocupantes.

No período de 1998 e 2008, registrou-se anualmente entre 15 e 55 dias mais quentes do que nos anos anteriores. O pior aconteceu em 1998, com 60 dias acima da média histórica de 29,3° C.

O aquecimento também foi verificado durante a noite, cuja média recifense é de 22,1° C. A partir da década de 1990, salientou Werônica Meira, pelo menos 10 dias ficaram mais quentes por ano.

O estudo da meteorologista foi defendido na pós-graduação em Recursos Naturais da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), na Paraíba.

Área verde protegida pela iniciativa privada, em Pernambuco, aumentou mais de 70 vezes

Em número de hectares, a iniciativa privada aumentou 74,2 vezes a área verde protegida, em Pernambuco, nos últimos 15 anos.

Ao fim de 1997, quando se criou a primeira Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), o estado tinha apenas 19,23 hectares.

Agora são 1.426,09 hectares protegidos, com reconhecimento da unidade de Eco Fazenda Morim, em São José da Coroa Grande. Essa com 209 hectares.

A primeira RPPN reconhecida pela Agência Pernambucana de Meio Ambiente (CPRH) foi a Fazenda Tabatina, no município de Goiana.

Das 11 RPPNs existentes no estado, oito preservam o ecossistema Mata Atlântica.

Duas unidades ficam no ecossistema Caatinga e uma, no Brejo de Altitude.

Ao ter uma área reconhecida como reserva particular, o proprietário tem o dever de preservá-la. Em contrapartida, tem prioridade nos créditos rurais.

Área do Parque Dois Irmãos deve ser triplicada

O Parque Dois Irmãos, no Recife, deve ter o tamanho triplicado.

Dos atuais 384 hectares, a unidade passaria para 1.244.

Os 860 hectares a serem acrescentados ao parque foram solicitados pelo governador Eduardo Campos à presidente Dilma Rousseff.

Essa área, no bairro da Guabiraba, pertencia ao extinto Banco Econômico.

“A liberação, contudo, depende de aspectos jurídicos que estão sendo avaliados”, disse o secretário estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Sérgio Xavier.

Presidente do Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema), o secretário anunciou o possível aumento da área do parque, hoje, na reunião do conselho.

O encontro foi transmitido ao vivo, pela primeira vez, para a internet.

Nele, os conselheiros aprovaram por unanimidade a mudança de personalidade jurídica do Parque Dois Irmãos.

A unidade deixará de ser instituição estadual para se tornar organização social (OS).

O novo arranjo institucional, no entender do Consema, vai permitir maior flexibilidade e agilidade na gestão dos recuros para modernizar o parque.

A ampliação da área se encaixaria nesse item, assim como o aumento do número de animais em cativeiro.

Existem hoje 669 animais, devendo passar para 1,2 mil.