Não era cabeça-chata. Era tubarão limão, espécie protegida

Em novembro deste ano, quando capturam um tubarão, pescadores do Pontal de Maracaípe divulgaram que seria um cabeça-chata.

O cabeça chata (Carcharhinus leucas) aparece na lista dos responsáveis por ataques a banhistas nas praias pernambucanas.

Mas o que se capturou era um tubarão limão (Negaprion brevirostris).

A troca de nomes escondia um crime ambiental.

O tubarão limão é uma espécie protegida pela lei brasileira e, segundo a Instrução Normativa nº 5, proibido de ser capturado.

A identificação correta do animal foi divulgada hoje pelo Comitê de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit).

Coube ao especialista Francisco Marcante Santana da Silva, professor da UFRPE e presidente da Sociedade Brasileira para o Estudo de Elasmobranquios (SBEEL), fazer o estudo.

O animal era um macho com cerca de 2,3 metros e 200 quilos, tendo sido arrastado do mar em 25 de novembro após ficar preso à uma rede.

Na época, o quilo do filé do tubarão estava sendo vendido entre R$ 10 e R$ 15.

Teria sido o quarto tubarão pego no litoral pernambucano em novembro.

Mangue em Maracaípe, Ipojuca, dá lugar a barracos


O manguezal da Praia de Maracaípe, no município de Ipojuca, está aos poucos sendo ocupado por construções irregulares.

De quatro anos para cá, a quantidade de barracos se multiplicou e muitos deles estão sendo substituídos por casas de alvenaria.

A ocupação, caracterizada como crime ambiental sujeito à reclusão e à multa, acontece sob o olhar desatento do poder público.

No lugar, que fica próximo a um campo de futebol, mora cerca de cem famílias.

A maior parte dos barracos e das casas de alvenaria foi erguida depois da derrubada de árvores do mangue e do aterro do manguezal.

Uma das consequências, como atestam os moradores, é a redução da quantidade de crustáceos. Em alguns pontos, praticamente desapareceram.

Outra consequência é o lixo, encontrado no solo e nas árvores do mangue.

Mas a degradação em Maracaípe é mais antiga.

As primeiras casas na área verde, que dava acesso ao mangue, surgiram há pelo menos duas décadas. Algumas são do início dos anos 1990.

Matadouros são fechados por desrespeitarem meio ambiente

O matadouro de Gravatá, no Agreste, foi interditado neste sábado.

Com ele, o número de matadouros fechados chega a quatro no estado em menos de 15 dias. Uma decisão demorada em alguns casos, mas acertada.

As unidades de abate pecavam pela falta de higiene e agrediam o meio ambiente.

No caso de Ribeirão, o matadouro não tratava os efluentes e ficava muito perto de residências, o que é proibido por lei.

Os abatedouros de Ipojuca e o de Vitória de Santo Antão já foram fechados.

As interdições seguem recomendação do Ministério Público de Pernambuco (MPPE).

Os promotores de Justiça pediram o fechamento de nove unidades, incluindo as três intertadas e a de Gravatá.

A lista reúne ainda os matadouros de Arcoverde, Escada, Capoeiras, Caetés e Cortês.

Não há sequer tratamento de água e esgoto em alguns deles. Sangue e fezes, por exemplo, são jogados fora sem qualquer cuidado.

A Agência de Defesa e Fiscalização Agropecuária (Adagro) promete atender a recomendação do MPPE até o final deste mês.