A conta é nossa

Os legisladores e a Justiça Eleitoral fariam um bem se ampliassem, para as próximas campanhas, as responsabilidades dos candidatos em relação à limpeza das cidades.

Assim como é obrigatório repintar os muros com propagandas ao fim das eleições, deveria-se exigir algo parecido quanto ao santinho.

Santinho que, cá para nós, deveria receber outro nome. Que tal sujinho? Ouvi essa sugestão de um eleitor.

A troca cairia perfeitamente diante do cenário deixado por políticos e seus cabos eleitorais no último domingo.

No dia da eleição, os pequenos panfletos tomaram conta de ruas próximas e de acesso às zonas eleitorais da Região Metropolitana.

No Recife, a quantidade de santinho, junta a adesivos, garrafas e sacolas plásticas, foi tamanha que a operação para livrar a capital dessa herança precisou de 271 garis e sete caminhões compactadores.

Ao fim de horas de trabalho, a lixaria era de 30 toneladas.

E quem paga o prejuízo é o cidadão. Além de ter que driblar os inoportunos cabos eleitorais, desembolsam indiretamente os custos, que não são baixos.

O descarrego por cada tonelada de lixo nos aterros sanitários sai por R$ 32,55. Logo, a soma de apenas esse item seria de quase R$ 1 mil.

A operação saiu mais cara. A Emlurb calculou em R$ 35 mil a limpeza no Recife, que, certamente, foi a maior do estado.

Mas o prejuízo se estendeu para os outros 183 municípios pernambucanos. Que tal cobrar isso dos candidatos e das coligações?  Seria justo.

Quanto custa recuperar áreas degradadas

A recuperação de áreas degradadas tem sido um dos temas centrais no debate sobre o novo Código Florestal, em tramitação no Senado.

Representantes do agronegócio afirmam que a recuperação pode chegar a R$ 14 mil por hectare, um valor que consideram alto.

Pesquisadores dizem haver supervalorização nas contas dos ruralistas.

O coordenador do Laboratório de Ecologia e Restauração Florestal da Escola Superior de Agricultora Luiz de Queiroz (Esalq-USP), Ricardo Ribeiro Rodrigues, é um dos contestadores.

Para Ricardo, os R$ 14 mil não correspondem à realidade.

Isso, segundo ele, porque o Brasil possui a melhor tecnologia de restauração do mundo, o que, em parte, resultou das exigências do Código Florestal em vigor.

E  porque projetos com envolvimento de governos, setor privado e ambientalistas provam que, normalmente, o valor fica abaixo dos R$ 14 mil.

O pesquisador assegura  que, em 90% dos casos, as áreas de preservação permanente (APPs) e de reserva legal danificadas se recuperariam espontaneamente.  Mas desde que se interrompa a atividade agrícola.

Um estudo apresentado no Encontro da Sociedade Brasileira de Economia Ecológica, há quatro anos, contabilizou que para se recuperar um hectare de mata ciliar, no interior paulista, se investia de R$ 4,3 mil a R$ 5,1 mil.

Quanto custa a recuperação de um hectare degradado em Pernambuco?

Esse é uma conta pouco conhecida.  Aceitamos contribuições de estudos e experiências que mostrem a realidade por aqui.

Principalmente porque, como afirma Ribeiro, “além das vantagens do ponto de vista ambiental, os projetos (de recuperação) geram distribuição de renda”.