A vantagem em ser sustentável!

Henrique Mendes, bioquímico e especializado em gestão ambiental.

A sustentabilidade ainda é hoje um termo amplo e diverso, e que por ter como base um tripé de considerações (econômico, ambiental e social) acaba sendo observada com focos diferentes e desta forma distorcida, tendo cada um de seus pilares mais destaque de acordo com o viés do observador.

Este, a meu ver, é um dos principais motivos por trás do mito de que só há despesas na busca pela sustentabilidade nas empresas. Gostaria de destacar o termo busca, pois certamente este é um adjetivo raro a ser empregado em sua plenitude e não conheceremos uma empresa 100% sustentável tão cedo.

Em um relatório recentemente publicado pela MIT Sloan Management Review & The Boston Consulting Group, foi demonstrado que as empresas têm cada vez mais lucrado com a sustentabilidade. No geral, a porcentagem de participantes que reportaram lucros a partir de estratégias sustentáveis subiu de 23% para 37%, e talvez o mais importante, quase 50% das empresas alteraram seus modelos de negócio como resultado de oportunidades surgidas na área da sustentabilidade – um aumento de 20% em relação ao ano passado.

As empresas que estão largando na frente estão hoje estudando suas atividades e tentando equilibrar suas iniciativas nos três campos do tripé. Buscam investir em qualidade de vida de seus funcionários, reduzir os impactos ambientais gerados por suas operações e procuram manter o resultado positivo em suas finanças. O desenvolvimento sustentável está emergindo como a “nova demanda pela qualidade” nas empresas, e se hoje ainda é um diferencial, em pouco tempo passará a ser um pré-requisito, a exemplo da tão conhecida série ISO 9000.

Através de índices econômicos como o ISE da Bovespa, fica mais fácil visualizar a tendência destas empresas em se destacar no mercado e ter suas ações mais valorizadas. Mas, em termos práticos, uma gestão com foco em sustentabilidade busca tornar a empresa mais eficiente. Compreender como suas atividades impactam no meio ambiente e qual parcela disto é desperdício, avaliar o quanto funcionários satisfeitos e comprometidos podem render em produtividade para a empresa em contrapartida a alta rotatividade e desinteresse em evoluir junto com o negócio, também fazem parte.

Estes são exemplos de um trabalho de conscientização muito maior que permeia a busca pela sustentabilidade. Uma das ferramentas de empresas que estão neste caminho é a elaboração do inventário de emissões de gases de efeito estufa (GEE), o qual faz um raio-x das operações da instituição e demonstra em indicadores e números absolutos o quanto de CO2 é gerado por unidade de produção. Com este controle a empresa consegue definir metas para emitir menos GEE e consequentemente consumir menos energia (combustíveis ou eletricidade) sendo esta uma das principais fontes de emissões de CO2 em uma indústria.

Seguindo nesta linha de raciocínio fica clara a relação de diminuição de custos, busca pela eficiência e redução no impacto ambiental. E em um mundo cada vez mais conectado, tratar das questões sociais como respeito aos funcionários e atenção com a comunidade em seu entorno são iniciativas que quando positivas rendem alguns comentários, mas em casos negativos se espalham como vírus na internet, deixando claro o custo de não cuidar desta haste do tripé. Com equilíbrio, ganha a sociedade, a empresa e principalmente o meio ambiente.

Longe do ideal

A logística reversa está se tornando questão obrigatória nas empresas do Brasil.

Das 100 maiores, 60 afirmam desenvolver ações de recolhimento e descarte dos resíduos de seus produtos  após o consumo.

Os dados são do Instituto de Logística e Supply Chain, o Instituto Ilos.

O principal motivo para as empresas implantarem a logística reversa, segundo a pesquisa, são as exigências da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).

A PNRS entrou em vigorar em agosto de 2010.

Outras duas questões da pesquisa merecem ser ressaltadas.

Segundo a consultora do Ilos e coordenadora do estudo, Gisela Sousa, as ações das 60 empresas estão em estágios diferentes e nem todas são representativas.

A pesquisa mostra ainda que as empresas começaram agir em logística por estarem preocupadas com a própria imagem.

Isso porque a sociedade cobra cada vez mais compromissos com o meio ambiente e as questões sociais.

Com informações da Agência Brasil.

As cinco empresas, no Brasil, menos sustentáveis

Duas das cinco empresas apontadas pelos consumidores como menos sustentáveis, no Brasil, são do setor automotivo.

A Volkswagen aparece na pesquisa do instituto Market Analysis com a segunda pior avaliação. Mesmo assim, o percentual é pequeno: 1,2%.

O ranking é liderado pela Petrobras, com 2,7% das menções.

A Ford aparece em terceiro lugar, empatada com a Unilever, empresa que se destaca no setor de material de limpeza e higiene pessoal, com 1,0%.

A quinta colocação é da Souza Cruz. Conhecida principalmente pela produção de cigarros, ela foi citada por 0,9% dos entrevistados.

Na pesquisa, 82,6% dos consumidores não souberam ou não responderam a pergunta sobre as empresas menos sustentáveis do país.

Daí questiona-se: os consumidores brasileiros não sabem o que é sustentabilidade ou pouco valorizam o assunto?

Talvez, lamentavelmente, as duas opções.

As cinco empresas mais sustentáveis do Brasil

O ranking das empresas mais sustentáveis do Brasil, conforme pesquisa do instituto Market Analysis, é liderado pela Petrobras desde 2001. Naquele ano, o instituto realizou o primeiro estudo desse tipo.

Na pesquisa recente, a empresa de petróleo aparece 0,8% à frente da segunda colocada. Enquanto a Petrobras foi apontada como a mais sustentável para 8,6% dos consumidores, a Coca-Cola recebeu 7,8%. 

A diferença entre a primeira e a terceira posição, no caso a da Natura, é bem maior. A Natura é tida como a empresa mais sustentável para 4,8% dos 804 consumidores entrevistados em nove capitais.

As quartas e quintas colocações são ocupadas pela Ypê, empresa do ramo de produtos de limpeza, e a Nestlé. Elas foram mencionadas, respectivamente, por 2,5% e 2,4% dos consumidores.

O nome da pesquisa da Market Analysis, realizada em dezembro de 2011 e janeiro deste ano, é Monitor de Sustentabilidade Corporativa 2012. A margem de erro de mais ou menos 3,4%.

Petrobras, a melhor e a pior no ranking da sustentabilidade

O olhar dos consumidores é curioso. E atento.

Veja o resultado da pesquisa do instituto Market Analysis.

Para os consumidores, a Petrobras é a empresa mais sustentável do país. Ao mesmo tempo, a menos sustentável.

De onde vem essa aparente contradição?

A avaliação positiva seria resultado da atuação socioambiental da empresa, que desenvolve projetos sociais e de preservação da natureza em vários estados.

O aspecto negativo, sob a análise dos consumidores, está relacionado a falhas no cumprimento das responsabilidades socioambientais. Pesam aqui as notícias de vazamento de petróleo.

Na pesquisa, a avaliação positiva da Petrobras é bem maior do que a negativa. A positiva atingiu 8,6%, enquanto a negativa ficou em 2,6%.

Quem costuma lembrar dos aspectos negativos, detalha o diretor da Market Analysus, Fábian Echegaray, são “os consumidores mais articulados e com poder de renda bem acima da média, capazes de ecoar sua opinião entre colegas e amigos”.

Apesar disso, Echegaray ressalta que a Petrobras e as empresas citadas por más práticas socioambientais não são vistas como vilãs.

804 pessoas, com idades entre 18 e 69 anos, foram ouvidas em nove capitais, incluindo o Recife. A pesquisa ocorreu em dezembro de 2011 e janeiro deste ano.

De olho no Selo Verde

Produtos de preços competitivos  e de boa qualidade precisam, cada vez mais, estar atrelados a boas práticas ambientais.

Em Pernambuco, as exigências do consumidor nesse sentido vêm sendo detectadas e o governo do estado decidiu estimulá-las com um Selo Verde.

A legislação sobre o novo selo está no Diário Oficial desta sexta-feira. E confere a cooperativas, sociedades anônimas  e empresarias o título de “Empresa Verde”.

Para ter direito ao diploma, as empresas precisam se inscrever na Junta Comercial de Pernambuco (Jucepe). O recebimento do selo é imediato.

A contrapartida das empresas está na prática da sustentabilidade,  como o uso de materiais reciclados, consumo de energia renovável e consciente e ampliação do controle de emissão de gases poluentes.

O selo vale por um ano, ficando a renovação sujeita à fiscalização da Jucepe e das secretarias estaduais de Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico.

Na fiscalização, nós consumidores também temos papel importante. É importante olhos abertos nas ações de quem recebeu o diploma.

Afinal, o Selo Verde concede uma aura de comprometimento  com o meio ambiente às empresas, mas não pode ser apenas de fachada.

Dez empresas brasileiras estão entre as mais sustentáveis do mundo

Com a natureza dando sinais de revide e a pressão cada vez maior da sociedade sobre empresas e governos, a lista de rankings associados ao meio ambiente cresce.

O último foi publicado pela revista norte-americana Newsweek, que listou as 500 maiores empresas mundiais no campo da sustentabilidade.

Dez empresas brasileiras aparecem na lista.

E o curioso é que as mais bem colocadas são do ramo financeiro. O Bradesco figura no quarto lugar geral. Depois surgem Santander (17), Banco do Brasil (50) e Itaú (54).

As brasileiras mais ligadas ao ramo produtivo ocupam posições intermediárias ou aparecem no fim do ranking.

A Eletrobrás está na posição 214; o Grupo Pão de Açúcar, 248; a Vale, 312; a Petrobras 364; a Ambev 412, enquanto a Gerdau, 463.

Um questionamento é inevitável: dá para comparar os impactos ambientais de um banco aos de empresas ligadas diretamente à produção?

Os organizadores do estudo dizem que sim.

Eles afirmam que, no caso dos bancos, também consideraram os investimentos feitos por essas instituições em outras empresas, a exemplo de madeireiras e mineradoras.

A lista das mais sustentáveis, vale lembrar, tem nas primeiras posições a Munich Re, a IBM e o Banco Nacional da Austrália.

O ranking considerou aspectos como meio ambiente e a transparência das informações disponibilizadas pelas empresas aos clientes.

Empresas se contradizem no discurso da sustentabilidade

Sustentabilidade é uma das palavras do momento.

Soa bem para a empresa quando sua marca está associada a práticas nesse campo, sejam essas ambientais ou sociais.

Mas pesquisa do Ibope mostra que as empresas, no Brasil, estão longe de se preocupar com o tipo de energia utilizado no processo produtivo.

O estudo ouviu 400 empresas de todo o país em agosto e setembro.

Das entrevistadas, apenas 43% investem na utilização de energias oriundas do sol e dos ventos, as chamadas renováveis.

A maior parte das empresas opta pelas chamadas energias sujas, a exemplo do que vem das usinas termelétricas. E que são responsáveis por lançar toneladas de gases tóxicos na atmosfera.

Dois pontos, analisando-se a pesquisa, mostram contradições:

Primeiro, enquanto deixam de lado a energia renovável, as empresas (71%) investem na redução da emissão de dióxido de carbono e de outros gases.

Exige-se, segundo, dos fornecedores práticas sustentáveis.

O temor é que as empresas estejam considerando sustentabilidade somente pelo viés do equilíbrio social e econômico. Esquecendo-se do ambiental.

A esperança está em perceber, que, embora devagar, o setor produtivo desperta, por necessidade e pressão da sociedade, para o tema.

52% das empresas no Brasil não têm políticas de sustentabilidade

Os brasileiros estão cada vez mais atentos à questão da sustentabilidade.

Pesquisa do Ibope aponta que 70% das empresas já foram questionados por clientes se a organização tinha algum projeto de sustentabilidade implantado.

O estudo ouviu 400 médias e grandes empresas brasileiras e multinacionais.

Mas elas estão longe do ideal.

48% possuem políticas de sustentabilidade com ações e metas planejadas.

45% praticam somente ações pontuais.

7% disseram não dispor de qualquer modelo de gestão sustentável.

A pesquisa, realizada em agosto e setembro deste ano,  lança a unidade Ibope Ambiental do Grupo Ibope.

Empresa que usar energia eólica terá selo da ONU

A Organização das Nações Unidas (ONU)  anuncia no próximo mês as primeiras empresas a terem direito a um novo selo: o WindMade.

Com a iniciativa, pretende-se estimular os investimentos em energia eólica.

As empresas escolhidas pela ONU poderão exibir o selo em seus produtos e publicidades.

Para ter direito ao WindMade, os pretendentes terão que usar, no mínimo, 25% de energia eólica em seus processos produtivos.

Em países como Inglaterra, Alemanha e Dinamarca, onde a população tem exigido o emprego de energias limpas cada vez mais, o selo deve fazer sucesso.

A iniciativa da ONU seria bem sucedida no Brasil, onde vem crescendo o número de usinas termelétricas?  É bom pensar.