Pernambuco: entre os últimos na produção de energia eólica

No ranking da produção de energia eólica, Pernambuco, embora tenha o melhor cluster (cadeia produtiva) do setor no Brasil, aparece nas últimas posições.

O estado possui apenas cinco parques de geração de energia a partir dos ventos. Isso representa 7,04% da soma nacional.

Piauí, Rio de Janeiro e Paraná aparecem na laterna, tendo cada apenas um parque.

Nesse ranking, Ceará está no topo. São 17 parques, número que representa 23,94% das 71 unidades instaladas no país.

Paraíba e Santa Catarina aparecem na segunda colocação, ambos com 13 usinas.

Rio Grande Norte e Rio Grande do Sul também estão empatados. Cada um possui 10 parques eólicos. Ou seja, 14,1% do total brasileiro.

Dos 26 estados, 17 não possuem parques eólicos. Nenhum estado do Norte e do Centro-Oeste, bem como o Distrito Federal, não dispõem desse tipo de usina.

Quanto à potência instalada em megawatt (MW), Pernambuco representa bem menos para o Brasil do que em número de usinas.

A capacidade dos parques pernambucanos é de somente 1,69% de toda potência instalada no país, que é 1.471,2 MW.

Os números, apontados pela Power Purchase Agreement (PPA), ainda são pequenos diante do potencial do país para gerar uma energia menos poluente.

A energia eólica é responsável por somente 1,26% do consumo brasileiro.

Nordeste produz mais da metade da energia eólica brasileira

O Nordeste é a região brasileira com o maior número de parques eólicos. No ano passado, o país gerou a energia dos ventos mais barata do planeta.

Ds 71 usinas instaladas no Brasil, 46 funcionam nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Piauí.

O número nordestino representa 64,8% do parque nacional. E é quase o dobro do que existe no Sul, onde há 24 parques.

Por sua vez, o Sudeste, apesar de ser o maior consumidor de energia no país, possui somente um parque. Ele fica no Rio de Janeiro.

O peso do Nordeste é menor quando comparada a sua capacidade de produção de energia dos ventos com outras regiões.

Nesse quesito, o Nordeste possui 58,75% da potência instalada no país. A participação do Sul é de 39,35%, enquanto o Sul responde por apenas 1,9%.

Universidades do estado devem integrar rede de pesquisa de energia eólica

A aproximação entre  indústrias e universidades pode trazer bons resultados no campo da energia eólica no Brasil.

É o que pensa a Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), que está criando uma rede de pesquisa específica para o setor.

A presidente da associação, Elbia Melo, apresentou o projeto da rede às universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e de Pernambuco (UPE).

O propósito tem sentido.

As duas instituições de ensino desenvolvem pesquisas para o setor.

E boa parte dos equipamentos utilizados no país é fabricada no exterior e apresenta algumas características desnecessárias à nossa realidade.

Um exemplo, segundo a presidente da ABEEólica, Elbia Melo, é que o material importado suporta de -10 graus a 50 graus.

Essa variação de temperatura não se registra por aqui.

O ideal seria desenvolver produtos adequados ao clima nacional. No entendimento da associação, isso pode ser feito com a interação entre centros de pesquisa e empresas.

Produros adequados, acredita-se, pode baratear os preços dos equipamentos para as empresas e, quem sabe, refletir no valor final da energia.

* Com informações da repórter Mirella Falcão, do Diario de Pernambuco.

37% dos pernambucanos priorizariam produtos de empresas que usam energia eólica

A preocupação dos pernambucanos com o meio ambiente tem crescido, mas ainda estamos longe da média mundial quando se trata de consumo.

Em enquete do blog, 37% dos votantes afirmaram que dariam prioridade a produtos de empresas com certificado de uso de energia renovável. Isso independentemente do preço.

Os outros 63% dos votantes condicionaram o consumo desses produtos aos preços. Para os consumidores, os preços teriam que ser iguais ou menores aos das demais empresas.

Pesquisa mundial da Vestas, uma das maiores produtoras de turbinas eólicas do planeta, concluiu que 67% de 31 mil pessoas entrevistadas dariam preferência a produtos WindMade (feito de vento).

WindMade é a certificação mundial concedida, desde novembro, a empresas que comprovarem que 25% de sua energia são de fontes eólicas.

Quinze empresas se comprometeram com a regra da certificação, pensada no Fórum Econômico Mundial de Davos, em 2010. Nenhuma é brasileira.

Empresa que usar energia eólica terá selo da ONU

A Organização das Nações Unidas (ONU)  anuncia no próximo mês as primeiras empresas a terem direito a um novo selo: o WindMade.

Com a iniciativa, pretende-se estimular os investimentos em energia eólica.

As empresas escolhidas pela ONU poderão exibir o selo em seus produtos e publicidades.

Para ter direito ao WindMade, os pretendentes terão que usar, no mínimo, 25% de energia eólica em seus processos produtivos.

Em países como Inglaterra, Alemanha e Dinamarca, onde a população tem exigido o emprego de energias limpas cada vez mais, o selo deve fazer sucesso.

A iniciativa da ONU seria bem sucedida no Brasil, onde vem crescendo o número de usinas termelétricas?  É bom pensar.

Bastariam três turbinas eólicas, no mar, para suprir Itamaracá de energia

O mar pode ser uma das principais saídas energéticas para Pernambuco. E o melhor, com uma produção de energia limpa.

Conta em favor do estado o fato dele, junto à Bahia, ao Rio Grande do Norte e ao Ceará, ter as melhores condições no país de produzir energia dos ventos.

A energia eólica poderia abastecer a maior parcela das cidades e dos empreendimentos no litoral pernambucano, onde se encontra mais de dois terços da população do estado e os grandes projetos industriais.

Se a perspectiva era apontada por ambientalistas, ela ganha força com a dissertação do engenheiro Oyama Douglas Queiroz, do Mestrado em Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

O engenheiro concluiu que para suprir a Ilha de Itamaracá bastaria a instalação de três turbinas eólicas offshore, as que são colocadas no mar e nos oceanos.

Na Europa, a instalação desse tipo de turbina cresce em diversos países, como Reino Unido e Holanda. Grande parte está sendo montada no mar.

Em Itamaracá, o mesmo poderia ser feito com as turbinas de 90 metros de altura. As três peças ficariam a 5,5 quilômetros da costa e em uma profundidade de 15 metros (veja na foto acima a simulação feita por Oyama).

A pesquisa aponta que as turbinas seriam capazes de gerar 30 mil MWh/ano. A energia consumida atualmente por Itamaracá é de 28.667 MWh.

O obstáculo para implantação dessa tecnologia continua sendo o custo, superior a hidrelétrica, por exemplo.

Mas em tempo de crescimentos econômico no país, da preocupação com o planeta e dos questionamentos às usinas nucleares é hora de se enxergar a energia eólica com olhar diferente.