Cinco animais brasileiros estão entre os mais ameaçadas de extinção no planeta

Dos cem animais mais ameaçados de extinção no planeta, cinco espécies são brasileiras.

A lista foi divulgada no Congresso Mundial da Natureza, que aconteceu na Coreia do Sul. E consta no livro Valiosos ou sem valor.

Nossas espécies ameaçadas são o pássaro soldadinho-do-Araripe (Antilophia bokermanni), o macaco muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus), o preá Cavia intermedi e as borboletas Actinote zikani e Parides burchellanu.

Considerado o maior macaco da América Latina, o muriqui-do-norte possui menos de mil exemplares. Esses vivem em reservas governamentais.

A realidade do soldadinho-do-Araripe é mais preocupante. Segundo o estudo, existem apenas 779  pássaros desse tipo no país.

Em situação pior está o preá Cavia intermedi, sendo registrados, no momento, a existência de, no máximo, 60 bichos da espécie.

Por trás do risco de extinção, aponta o estudo, está a ação do ser humano, principalmente o desmatamento.

Sobe número de macacos ameaçados de extinção

A lista de espécies de primatas ameaçadas de extinção  tem aumentado no Brasil.

Há hoje seis espécies na categoria criticamente em perigo, 17 em perigo e 13 aparecem na categoria vulnerável.

Se hoje são 36 em situação difícil, o levantamento anterior indicava 26 espécies.

Os números são conclusão da oficina promovida pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros.

A oficina reuniu 38 especialistas de centros de pesquisa e instituições de ensino,  a exemplo da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).

Outras nove espécies, apontou a oficina, tiveram o grau de ameaça aumentado.

A boa notícia é que 11 espécies de primatas foram reavaliadas para uma categoria de menor risco, resultado, em sua maioria, de projetos de preservação.

Reserva particular é criada na Mata Sul

Aos poucos, a iniciativa privada tem despertado para importância de preservar o meio ambiente.  Isso vem acontecendo em Pernambuco.

O estado teve a 11ª Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) reconhecida pela Agência Pernambucana de Meio Ambiente (CPRH).

A nova unidade de conservação, a Eco Fazenda Morim, é remanescente da Mata Atlântica e fica em São José da Coroa Grande, na Mata Sul.

De propriedade de José Lourenço de Oliveira Neto, a área protegida mede 290 hectares, possui 29 nascentes de águas e é cortada pelo Rio Morim.

“A riqueza biológica dessa reserva é insubstituível”, afirma o diretor do Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (Cepan), Severino Ribeiro.

O Cepan fez os estudos sobre a fauna e a flora da fazenda. Neles,  pesquisadores  apontam que a fazenda tem 26 espécies e subespécies sob risco de desaparecer.

Desse total, 19 espécies e subespécies são aves, a exemplo do gavião-de-pescoço-branco e da jutuca, e sete são vegetais. Entre esses, o ingá e o jacarandá.

As 26 espécies constam no Livro vermelho da fauna brasileira ameaçada de extinção e na lista da União Internacional para a Conservação da Natureza.

Até 2,5 mil espécies de aves podem desaparecer, neste século, devido aos desmatamento e aquecimento global

A combinação desmatamento e mudanças climáticas pode levar à extinção de 100 a 2,5 mil espécies de aves tropicais. Isso antes do final deste século.

O número é estimado pelo Biological Conservation.

Alguns estudiosos apontam como provável o desaparecimento entre 10% e 14% das aves tropicais, o que representaria entre 600 e 900 espécies.

As espécies de altitudes estão na lista das aves que mais sofrerão com as mudanças climáticas. Com secas e tempestades, elas terão o habitat cada vez menor.

Outros fatores podem contribuir para extinção das aves. Entre eles, o aumento do nível do mar, de doenças, de furacões e de períodos de estiagem.

Desde a Revolução Industrial, a temperatura do planeta subiu 0,8 graus Celsius.

Se a temperatura aumentar mais um grau Celsius, segundo estudiosos, a quantidade de espécies extintas pode ser bem maior do que se estima agora.

Aquecimento global pode extinguir 30% das espécies

Das espécies de plantas e animais do planeta, 20% a 30% correm o risco de desaparecer por conta do aquecimento global.

A perspectiva consta em A vida selvagem em um clima de mutação, estudo da  Organização das Nações Unidas para Alimentação (FAO).

Entre as espécies mais ameaçados estão os corais de águas quentes.

A pesquisa indica que 70,84% desses corais são vuneráveis ao aquecimento. Ou seja, 566 das 799 espécies catalogadas no mundo.

Muitos anfíbios e  aves também poderão sumir. Os anfíbos possuem 52% espécies em risco, enquanto as aves, 35%.

O impacto maior será sobre as espécies já severamente ameaçadas de extinção.

Se a ação humana é considerada a principal causa do aquecimento global, a mesma colaborou, segundo o estudo, para extinção de mais de 2/3 dos animais de grande porte do planeta. Isso nos últimos 40 mil anos.