Quase 5 mil tartarugas marinhas devem nascer no litoral de Ipojuca

Foto: Ecoassociados/Divulgação

Foto: Ecoassociados/Divulgação

O nascimento de 91 filhotes de tartaruga de pente, conhecida como tartaruga legítima, atraiu dezenas de turistas hoje na Praia do Cupe, em Ipojuca.

A operação foi monitorada por técnicos da Ecoassociados, ONG que acompanha outros 34 ninhos em cinco praias do município.

Além da Praia do Cupe, existem ninhos de tartarugas marinhas nas praias de Porto de Galinhas, Merepe, Muro Alto e Maracaípe.

A média de ovos por ninho é de 140 unidades.

Se todos os ovos protegidos em Ipojuca eclodirem, a estimativa é que nasçam 4.760 tartaruguinhas nas próximas semanas.

Em 15 anos de funcionamento, a Ecoassociados monitorou o nascimento de cerca de 60 mil filhotes de tartaruga em 900 ninhos.

Organização que cuida de tartarugas, em Ipojuca, corre risco de fechar

Foto: Luiz Prado/Arquivo Ecoassociados/Divulgação

Foto: Luiz Prado/Ecoassociados/Divulgação

Fundada há 15 anos, a Ecoassociados corre o risco de fechar as portas.

A organização, voltada à proteção das tartarugas marinhas, está com o caixa zerado e as dívidas de pessoal, água, luz e combustível se acumulando.

Nos últimos oito anos, a organização sobreviveu graças a um convênio com a Prefeitura de Ipojuca, onde concentra suas atividades.

O repasse no ano passado foi de R$ 144 mil.

Desde janeiro deste ano, quando a nova gestão municipal assumiu, o convênio está suspenso.

A Ecoassociados é a única ONG do estado com o licenciamento do governo federal  para atuar em terra com tartarugas marinhas.

“Temos trabalhado para não parar as atividades, mas está ficando cada vez mais difícil”, disse o diretor da organização Arley Cândido.

Só de combustível, os débitos estão em cerca de R$ 5 mil.

A ONG reúne oito técnicos – biólogos, veterinários e auxiliares de campo – e 16 estagiários, sendo a maioria desses estudantes de biologia.

Os recursos obtidos neste ano são da venda de camisas.

Um milhão de pessoas pisoteia, por ano, os recifes de corais de Porto de Galinhas

 

Foto: Rodrigo Cavalcanti/Divulgação

Foto: Rodrigo Cavalcanti/Divulgação

O número impressiona e preocupa.

Por ano, os recifes de corais da Praia de Porto de Galinhas, em Ipojuca, recebem a visita de aproximadamente um milhão de turistas.

A estimativa de visitas é do governo municipal que restringiu o acesso  a trechos dos recifes. E fez isso com razão.

Afinal, se, por um lado, os turistas se encantam com as piscinas naturais e os peixes, por outro, os danos aos recifes de corais fica mais evidentes.

Estudo Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), de 2011, apontou que a área dos recifes aberta à visitação tinha sofrido redução de 55% na quantidade de animais que vivem em meio às algas.

A área de acesso livre representa 7% dos recife de Porto de Galinhas.

Mesmo aparentemente pequeno, o percentual exige um plano de preservação.

Detalhe: os recifes de corais levam até 200 anos para se recuperar

O município demarcou parte dos recifes e anunciou que via encomendar um estudo sobre os danos ambientais provocados pelo pisoteio.

Esse problema não é exclusividade de Porto de Galinhas.

Ele se repete em outras praias do litoral pernambucano, como nos municípios de Tamandaré e São José da Coroa Grande.

Em Tamandaré, o problema tem endereço na Praia dos Carneiros, onde centenas de turistas passeiam diariamente sobre os recifes de corais.

Mar avança em praias do Cabo de Santo Agostinho e de Ipojuca

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Os problemas do avanço do mar em Pernambuco vão além do Recife, Jaboatão dos Guararapes, Olinda e Paulista.

Se esses quatro municípios vêm ganhando projetos merecidos, o mesmo não se pode dizer de outras cidades pernambucanas.

Vimos os estrago em praias dos litorais Norte e Sul.

Abaixo, um relato de três praias do Sul. No caso, dos municípios do Cabo de Santo Agostinho e  de Ipojuca.

Maracaípe, em Ipoujca retrata bem o quadro. A badalada praia de surf perdeu, em alguns trechos, cerca de cinco metros de areia. Muros, postes de energia elétrica, calçadas, salões de bares e pousadas foram destruídos pelas ondas.

A situação em Maracaípe levou ao fechamento de dois restaurantes e outros, como o Bar Estrela, a reduzir o número de funcionários.

“Temos quatro funcionários, mas tivemos dez”, disse Jacqueline Chalaça, do Estrela. Ela fez uma parede de troncos de coqueiro em frente ao bar para amenizar os efeitos das ondas. “Sei que é um paliativo”, concluiu.

Além de terem sofrido com a falta de energia e o abastecimento d’água potável, os empresários viram o mar engolir o acesso ao pontal.

A estrada que leva ao pontal, seja para passeios ou carga e descarga de mercadorias,  é improvisada por terrenos particulares.

No Cabo, a paisagem de destruição de Enseada dos Corais assusta. O mar derrubou muros – alguns com mais de dois metros de altura – e cercas, destruiu jardins e ameaça fazer o mesmo com piscinas e terraços.

“Estamos vivendo a pior das situações”, resumiu o comerciante Luciano Silva da Costa, que há uma década morada em Enseada dos Corais.

Duas praias adiante, no sentido Norte do Cabo de Santo Agostinho, as ondas derrubam as encostas e o coqueiral da Praia do Paiva. Há caules de coqueiros ainda fixados na faixa de areia. Sinal de quedas recentes.

Pouca fiscalização nos mangues de Maracaípe

A destruição do manguezal  na Praia de Maracaípe, no município de Ipojuca, é um reflexo da falha do sistema de fiscalização ambiental.

Essa tarefa cabia ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) até dezembro do ano passado.

Desde então, com a entrada em vigor da Lei Complementar 140, a função foi repassada para a (Agência Pernambucano de Meio Ambiente (CPRH).

A lei, sancionada pela presidenta Dilma Rousseff, compartilhou a gestão ambiental entre a União, estados e municípios.

Ao blog, o Ibama assegurou ter feito ações para impedir o surgimento de novos barracos no manguezal, bem como a construção de casas de alvenaria no lugar dos barracos, antes da lei. Mas eles se multiplicaram.

Em pouco mais de duas décadas, dezenas de imóveis apareceram. Estima-se que morem mais de cem famílias somente próximo ao campo de futebol.

É tal quadro que os fiscais da CPRH, como essa mesma comunicou ao Diario de Pernambuco, vão encontrar quando forem a Maracaípe na próxima terça-feira.

Mangue em Maracaípe, Ipojuca, dá lugar a barracos


O manguezal da Praia de Maracaípe, no município de Ipojuca, está aos poucos sendo ocupado por construções irregulares.

De quatro anos para cá, a quantidade de barracos se multiplicou e muitos deles estão sendo substituídos por casas de alvenaria.

A ocupação, caracterizada como crime ambiental sujeito à reclusão e à multa, acontece sob o olhar desatento do poder público.

No lugar, que fica próximo a um campo de futebol, mora cerca de cem famílias.

A maior parte dos barracos e das casas de alvenaria foi erguida depois da derrubada de árvores do mangue e do aterro do manguezal.

Uma das consequências, como atestam os moradores, é a redução da quantidade de crustáceos. Em alguns pontos, praticamente desapareceram.

Outra consequência é o lixo, encontrado no solo e nas árvores do mangue.

Mas a degradação em Maracaípe é mais antiga.

As primeiras casas na área verde, que dava acesso ao mangue, surgiram há pelo menos duas décadas. Algumas são do início dos anos 1990.

Ipojuca produz 52,71% mais lixo, por habitante, do que o Recife

Um dado chama atenção no Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil – 2011.

A quantidade de lixo urbano por habitante em Ipojuca é 52,71% maior do que  o gerado, diariamente, no Recife.

Enquanto a média recifense é de 1,290 quilo,  a de Ipojuca alcança 1,970 quilo.

A diferença diária é de 680 gramas a mais por habitante.

Nessa conta, segundo a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), entrou apenas os chamados resíduos urbanos.

Entenda-se por resíduos urbanos o lixo domiciliar e o que é recolhido nas ruas, praças e parques públicos.

Ipojuca supera até Boa Vista (Roraima), que lidera o ranking nacional das cidades com mais de 500 mil habitantes.  A média de Boa Vista é 1,882 quilo.

Além do Recife e de  Ipojuca, o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil pesquisou a produção de lixo de outros dez municípios pernambucanos.

Ipojuca aparece no topo da lista, seguido pela capital. Garanhuns e Petrolina, ambos com a média de 1,120 quilo por habitante/dia.

O ranking  continua  com Tacaratu (1,070), Igarassu (1,050), Jaboatão dos Guararapes (1,030), Camaragibe e Escada (0,960),  Caruaru (0,900), Pesqueira (0,700) e São José do Egito (0,230).

Tartarugas fazem ninhos nas praias de Ipojuca

Começou a temporada de desova das tartarugas marinhas no litoral pernambucano.

Dois animais fizeram ninhos em Ipojuca. O primeiro foi uma tartaruga de pente, que esteve na praia de Merepe na última quarta-feira.

A tartararuga de pente possuía 86 cm de comprimento por 81 cm de largura.

“Essa é a espécie com o maior número de desovas no litoral de Ipojuca”, disse o biólogo Túlio Ribeiro, da organização Ecoassociados.

Ninhos de tartarugas das espécies cabeçudas, oliva e verde também costumam ser encontradas nas praias do município.

O segundo ninho foi encontrado na praia de Maracaípe. Dessa vez, os técnicos não conseguiram ver a tartaruga.

A Ecoassociados monitora as praias de Muro Alto, Cupe, Merepe, Porto de Galinhas, Maracaípe e Pontal de Maracaípe, além de Toquinho e Serrambi.

Plástico mata dezenas de tartarugas marinhas em Ipojuca

As sacolas plásticas têm se tornado um grande inimigo dos animais.  Sem ações que tratem de maneira eficiente do destino final desse tipo de lixo, o número de vítimas cresce ano após ano. Entre as vítimas, as tartarugas marinhas.

Nas praias de Ipojuca, por exemplo, mais da metade das 68 tartarugas encontradas mortas este ano haviam ingerido plástico. As sacolas costumam ficar presas no intestino e no estômago dos animais, que se debilitam por deixarem de comer.

“O plástico passa a sensação de saciedade aos animais”, explicou o biológo Túlio Ribeiro. Ele integra a ONG Ecoassociados, cuja equipe socorreu hoje uma tartaruga na praia de Porto de Galinhas.  Havia sinais de o bicho, da espécie verde, ter engolido plástico.

A tartaruga verde  foi o quinto animal resgatado com vida, desde janeiro deste ano, nos 32 quilômetros das praias de Ipojuca. Ela permanece viva, devendo ser transferida amanhã para o Centro de Mamíferos Aquáticos, em Itamaracá.

As sacolas plásticas costumam chegar ao mar de duas formas. Ou são levadas pelas correntezas dos rios e dos riachos ou são jogadas pelos banhistas nas praias.  Sinais de que faltam educação ambiental e políticas públicas nas cidades ribeirinhas.