Bacia do Rio Una perdeu mais 97% das matas ciliares

Quando se fala em cobertura vegetal, a situação da Bacia Hidrográfica do Rio Una preocupa. Ou melhor, é alarmante.

Pesquisa indica que apenas 2,3% das Áreas de Preservação Permanentes (APPs), em  quatro municípios da Mata Sul, têm cobertura vegetal.

Os municípios – Água Preta, Palmares, São José da Coroa Grande e Tamandaré – sofreram com as enchentes do Una em 2010 e 2011.

“Esse dado revela um cenário alarmante, pois os serviços ambientais e sociais providos pelas florestas ciliares praticamente não existem”, disse Severino Rodrigo, diretor do Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (Cepan).

Entre os serviços ambientais e sociais das matas ciliares estão os de funcionar como barreira física contra as enchentes, de manutenção do volume hídrico e da qualidade de água da bacia.

As APPs mapeadas somam 25,1 mil quilômetros quadrados.

Embora existam poucos espaços verdes preservados nas APPs, esses possuem 227 espécies de árvores. Dessas, 27 são endêmicas da Mata Atlântica.

O mapeamento foi apresentado pelo Cepan e pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas).

E corresponde à primeira fase do Projeto Memorial Descritivo para Ações de Restauração Florestal da Bacia Hidrográfica do Rio Una.

Os dados do mapeamento servirão para planejar projetos de restauração das matas ciliares, sejam os projetos feitos pelo estado ou municípios.

Árvores frutíferas por árvores nativas

Dois pontos do projeto do Código Florestal, aprovado nesta semana pelo Senado, vão provocar muito debate até o veto ou aprovação da presidente Dilma Rousseff.

Um deles é permitir que áreas degradadas sejam recuperadas com árvores frutíferas, quando a proposta do governo federal previa apenas árvores nativas.

O segundo ponto, que vem recebendo críticas, foi a mudança feita pelos parlamentares sobre a metragem da mata ciliar dos mananciais a ser recomposta.

Na medida provisória encaminhada por Dilma ao Congresso, a recomposição da mata ciliar seria de 20 metros para cursos d’água de até 10 metros de largura.

Essa medida valeria para propriedades rurais de 4 a 10 módulos. O tamanho de um módulo varia, segundo a legislação nacional, entre as regiões do país.

O texto aprovado pelos deputados e senadores, no entanto, reduz para 15 metros o tamanho da mata ciliar a ser recomposta.

As mudanças apresentadas pelos parlamentares são elogiadas pela bancada e entidades ligadas ao agronegócio, mas é criticadas pelos ambientalistas.

O desfecho sobre o projeto do novo Código Florestal, aprovado em primeira versão em maio do ano passado, depende da caneta da  presidente Dilma. É só esperar.

Retirada de mata ciliar de rio aumenta casos de diarreia

A pesquisa do mestre em Saúde Humana e Meio Ambiente, pela Universidade Federal de Pernambuco, Luciano Gomes da Silva Júnior reforça a necessidade de se preservar as matas ciliares dos rios.

Luciano analisou a situação das nascentes do Rio Bitury, em Belo Jardim, município do Agreste pernambucano, e constatou que a ausência das matas ciliares contribui para o aumento de casos de diarreia.

Essa realidade deve ser a mesma em outros mananciais do estado. Mesmo assim, os governos pouco agem para reverter o quadro ambiental.

Para chegar à conclusão, o estudioso analisou 66 pontos ao longo do rio que sofreram ação do homem e 50 pontos intocados.

O impacto das atividade humana sobre a mata ciliar foi muito forte.

Sem a mata ciliar, em tempos de chuva, a água arrasta os dejetos humanos e de animais para as nascentes contaminando o manancial.

Os casos de diarreia crescem, segundo Luciano, entre março e agosto, quando as chuvas são mais intensas, e caem no período seco, de setembro a fevereiro.

A doença atinge principalmente os moradores da área rural.

O Rio Bitury deságua na Represa Engenheiro Severino Guerra, conhecida como Açude Bitury, que alimenta Belo Jardim.

A dissertação é intitulada Ação antrópica no entorno das nascentes e os impactos sobre a saúde humana: o caso do município de Belo Jardim – PE, Brasil.

O orientador de Luciano foi o professor André Maurício Melo Santos.