Brasil foge à regra se o assunto é aquecimento global

De 155 países pesquisados pela American Security Project (ASP), o Brasil é um dos 45 que não consideram as mudanças climáticas como questão de segurança nacional.

O Brasil, assim como a Índia, considera as mudanças climáticas somente como um problema ambiental.

A argumentação brasileira, segundo a APS, é de que os impactos ambientais não ameaçam a paz internacional ou a segurança em si mesma.

Estados Unidos e Rússia veem uma relação mais clara, ao contrário do Brasil, entre alterações no clima e a segurança nacional.

Para o governo americano, o aquecimento global poderá contribuir para a instabilidade e para conflitos no mundo.

A Rússia acredita que as reservas mundiais de água, de recursos biológicos e de minerais sofrerão efeitos negativos com o problema.

Apesar das evidências das mudanças climáticas, há países como o Chile e o Uruguai, que não se mostraram preocupados com o tema.

É objetivo da ASP publicar um mapa online, que deve ser atualizado com frequência, sobre os posicionamentos dos países.

Esses posicionamentos é que levarão os governos a definir estratégias para enfrentar o assunto tanto internamente quanto no âmbito internacional.

A vantagem em ser sustentável!

Henrique Mendes, bioquímico e especializado em gestão ambiental.

A sustentabilidade ainda é hoje um termo amplo e diverso, e que por ter como base um tripé de considerações (econômico, ambiental e social) acaba sendo observada com focos diferentes e desta forma distorcida, tendo cada um de seus pilares mais destaque de acordo com o viés do observador.

Este, a meu ver, é um dos principais motivos por trás do mito de que só há despesas na busca pela sustentabilidade nas empresas. Gostaria de destacar o termo busca, pois certamente este é um adjetivo raro a ser empregado em sua plenitude e não conheceremos uma empresa 100% sustentável tão cedo.

Em um relatório recentemente publicado pela MIT Sloan Management Review & The Boston Consulting Group, foi demonstrado que as empresas têm cada vez mais lucrado com a sustentabilidade. No geral, a porcentagem de participantes que reportaram lucros a partir de estratégias sustentáveis subiu de 23% para 37%, e talvez o mais importante, quase 50% das empresas alteraram seus modelos de negócio como resultado de oportunidades surgidas na área da sustentabilidade – um aumento de 20% em relação ao ano passado.

As empresas que estão largando na frente estão hoje estudando suas atividades e tentando equilibrar suas iniciativas nos três campos do tripé. Buscam investir em qualidade de vida de seus funcionários, reduzir os impactos ambientais gerados por suas operações e procuram manter o resultado positivo em suas finanças. O desenvolvimento sustentável está emergindo como a “nova demanda pela qualidade” nas empresas, e se hoje ainda é um diferencial, em pouco tempo passará a ser um pré-requisito, a exemplo da tão conhecida série ISO 9000.

Através de índices econômicos como o ISE da Bovespa, fica mais fácil visualizar a tendência destas empresas em se destacar no mercado e ter suas ações mais valorizadas. Mas, em termos práticos, uma gestão com foco em sustentabilidade busca tornar a empresa mais eficiente. Compreender como suas atividades impactam no meio ambiente e qual parcela disto é desperdício, avaliar o quanto funcionários satisfeitos e comprometidos podem render em produtividade para a empresa em contrapartida a alta rotatividade e desinteresse em evoluir junto com o negócio, também fazem parte.

Estes são exemplos de um trabalho de conscientização muito maior que permeia a busca pela sustentabilidade. Uma das ferramentas de empresas que estão neste caminho é a elaboração do inventário de emissões de gases de efeito estufa (GEE), o qual faz um raio-x das operações da instituição e demonstra em indicadores e números absolutos o quanto de CO2 é gerado por unidade de produção. Com este controle a empresa consegue definir metas para emitir menos GEE e consequentemente consumir menos energia (combustíveis ou eletricidade) sendo esta uma das principais fontes de emissões de CO2 em uma indústria.

Seguindo nesta linha de raciocínio fica clara a relação de diminuição de custos, busca pela eficiência e redução no impacto ambiental. E em um mundo cada vez mais conectado, tratar das questões sociais como respeito aos funcionários e atenção com a comunidade em seu entorno são iniciativas que quando positivas rendem alguns comentários, mas em casos negativos se espalham como vírus na internet, deixando claro o custo de não cuidar desta haste do tripé. Com equilíbrio, ganha a sociedade, a empresa e principalmente o meio ambiente.

Qual o maior desafio ambiental para os novos prefeitos?

De uma coisa os novos prefeitos não poderão fugir: desenvolver ações e políticas para o meio ambiente.

O preocupante é que em dezenas de municípios pernambucanos, os gestores nem sequer criaram diretoria, gerência ou setor voltado à questão.

Meio ambiente parece algo distante ou romântico.

Estamos a menos de dois anos para que todos os municípios, por lei, possuam aterros sanitários. O limite é agosto de 2014.

E estamos há quase 13 meses da sanção, feita pela presidente Dilma Rousseff, da Lei Complementar 140.

A lei dividiu a tarefa do licenciamento ambiental entre União, estados e municípios.

Infelizmente, no estado, não chega à uma dezena os governos municipais com estrutura para fazer o licenciamento.

Eis aí a primeira batalha a ser vencida por grande parte dos novos prefeitos.

Outros desafios existem e listamos três, por serem comuns a todos as cidades, para a enquete do nosso blog.

Qual deles é o maior?

  1. Desenvolver programa de educação ambiental;
  2. Implantar o sistema de coleta seletiva;
  3. Fiscalizar a implantação de empreendimentos comerciais e industriais.

Vote!

 

Municípios não cuidam do meio ambiente, dizem internautas

2012 termina. E não deixa saudade para a área de meio ambiente.

A Rio+20 e o projeto do Código Florestal trouxeram mais frustrações do que esperança.

Que venha 2013, ano de novas administrações municipais.

2013, como mostrou nossa enquete, terá um desafio para os novos prefeitos.

De 401 internautas votantes, apenas 42 acharam que os municípios agiam para preservar o meio ambiente.

Ou seja, 10% do total.

Os outros 90% disseram que as prefeituras não cuidam devidamente da natureza.

Esses números retratam o descaso com que os municípios tratam a questão.

É fácil vermos gestores priorizarem festas, mas raros dedicam alguns cifrões para atividades relacionadas ao meio ambiente.

O cenário mundial cobra essa inversão de valores.

Esperamos que os novos prefeitos entendam isso.

As lições de Nantes para o Recife

O Recife tem muito a aprender com Nantes, sua cidade irmã na França.

Nantes foi nomeada Capital Verde Europeia de 2013, título que resulta de uma série de ações postas em prática nos últimos anos.

São muitas as lições para a capital pernambucana.

Primeira, cuidar dos resíduos sólidos.

Desde 1999, nenhum resíduo biodegradável vai para aterros sanitários, tendo-se atingido uma taxa de 38% de reciclagem em 2009.

Por aqui, a coleta seletiva engatinha.

Segunda, acesso às áreas verdes.

Todos os habitantes da cidade francesa podem chegar a uma área verde a, no máximo, 300 metros de suas casas.

Em Nantes, 60% do território são de áreas naturais, verdes ou reservadas para a agricultura. Ou seja, 3.366 hectares e 57 metros por pessoa.

E o que dizer das praças e parques do Recife? Tire suas conclusões.

Terceira, transporte de qualidade e sustentável.

Se por aqui o sistema deixa a desejar, na cidade francesa 95% da população pode pegar um transporte público a menos de 300 metros de suas casas.

Lá, os bondes elétricos foram reimplantados com sucesso.

E há política de transporte para reduzir as emissões do gás carbônico, considerado um dos principais responsáveis pelas mudanças no clima.

A redução per capita de poluentes foi de 4,77 toneladas.

Em síntese, temos muito a fazer.

Quatro projetos para o meio ambiente

Quem conhece o município do Cabo de Santo Agostinho sabe que a consciência ecológica dos moradores e as políticas públicas de meio ambiente precisam melhorar.

Daí, a importância de se valorizar algumas ações.

Aponto aqui o Concurso Ciclo Verde de Projetos Ambientais, tocado pela Lanxess, indústria do ramo de produtos químicos e plásticos.

A Lanxess, só para lembrar, é o nome das antigas Coperbo e Petroflex.

O Ciclo Verde, que seleciona projetos vindos da comunidade, não deve ser encarado como único caminho para focar as questões ambientais e de sustentabilidade.

Mas é um dos caminhos a ser observado por outras empresas e pelo poder público.

Primeiro, porque valoriza projetos com preocupações ambientais e sociais.

Não dá para insistir na separação desses dois aspectos. Do contrário, homens e mulheres continuarão vendo a natureza como inimiga a ser derrotada e não como parceira para a sobrevivência.

Segundo, os projetos devem ser desenvolvidos de uma maneira que sejam viáveis economicamente após o fim do financiamento.

Quinze projetos foram analisados por um júri de cinco pessoas – eu fui um delas – e quatros selecionados. R$ 40 mil serão repassados para os aprovados.

Ressalto aqui a importância de, no processo seletivo, valorizar pessoas e instituições que já conseguem dar alguns passos no caminho da sustentabilidade.

Eis os projetos escolhidos:

Reciclar, Ato de Amor
Prevê a sensibilização das comunidades Vila do Rosário e Vila Claudete para a conservação ambiental, coleta seletiva e reaproveitamento do material orgânico. O projeto é do Centro de Vivência Ecológica e Cultura Ame a Mãe Terra.

A Cor da Mata
Visa reconstituir trechos da Mata Atlântica por meio da educação ambiental na Escola Municipal Dr. Humberto da Costa Soares. O projeto será tocado pela própria escola, localizada no Engenho Pau Santo.

Carroça do Encantado
Apresentado pelo Grupo da Gente (Grudage), o projeto pretende realizar apresentações teatrais sobre ecologia em oito comunidades do Cabo. Antes, o grupo sensibilizará a população para a coleta seletiva e trabalhará em parceria com uma cooperativa de catadores.

Agente Verde
De autoria de Alcilene Maria de Souza Silva, o projeto propõe a capacitação de jovens de comunidades carentes para ajudar na redução das emissões de resíduos sólidos.

Parceria em nome da sustentabilidade

Por enquanto, a parceria sobre meio ambiente entre Pernambuco e Portugal está apenas no papel, mas pode render bons resultados.

A parceria veio com a assinatura de termo de cooperação entre os governos.

E o que temos a ganhar com isso?

As iniciativas portuguesas na área de infraestrutura, vale lembrar, foram crescentes desde que o país ingressou na Comunidade Européia.

E o ministro de Meio Ambiente, Pedro Afonso Paulo, adiantou um dos pontos relativos à sustentabilidade que pode ser benéfico ao estado.

Ele ressaltou o know-how adquirido por empresas lusas em energias renováveis e que pode ser compartilhado.

Entre os interesses dos lusos aparecem as áreas de saneamento e de gestão
de resíduos, que também são desafios para Pernambuco.

Temos consórcios regionais oficializados para cuidar do destino e do tratamento do lixo, mas poucos, até o momento, implantaram aterros sanitários.

Agora é esperar para ver as intenções se tornarem realidade.

O secretário estadual de Meio Ambiente, Sérgio Xavier, parece ter pressa. Ele deve viajar para Portugal ainda em 2012 para discutir ações.

O meio ambiente ficou de lado nas campanhas municipais

As eleições deste domingo reforçam que o meio ambiente é tratado por grande parte dos políticos como tema secundário.

Em poucos municípios, candidatos a prefeito discutiram com profundidade as questões ligadas à proteção da natureza.

A palavra sustentabilidade apareceu nos discursos dos prefeituráveis do Recife, por exemplo.

Mas, de maneira geral, as propostas ficaram  limitadas à coleta do lixo e à criação de novos parques.

Em Ipojuca e no Cabo, as oportunidades de emprego e renda trazidas pelo crescimento de Suape pautaram boa parte dos debates.

Não se viu nessas duas cidades discussão sobre os estragos ao meio ambiente pelo crescimento acelerado e ações para reduzi-los.

A ausência do debate sobre o verde pode ser percebido também no Agreste e no Sertão, regiões castigadas pelas mudanças climáticas.

Se alguém tiver dúvida disso, sugiro ler os programas de governo dos prefeituráveis das maiores cidades. Em algumas, os  programas foram um amontoado de boas intenções sem sinais de que possam ser executadas.

É uma pena que futuros gestores ainda não tenham percebido a importância dos municípios no cuidar da natureza.

Mas os prefeituráveis ainda podem fazer algo em favor do meio ambiente e da sustentabilidade.

Uma das sugestões para quem sair vencedor neste domingo é a leitura da Plataforma Ambiental aos Municípios.

Ela traz os principais pontos da agenda sociambientel do país, podendo embasar planos de governos.

Iniciativa da Fundação SOS Mata Atlântica, a plataforma conta com o apoio da Frente Parlamentar Ambientalista e da Associação Nacional de Órgãos Municipais de Meio Ambiente (ANAMMA).

Promotores pedem interdição do matadouro de Tacaratu

Por não cumprir as recomendações do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), o Matadouro de Tacaratu, no Sertão, deve ser interditado.

O pedido de fechamento do matadouro é assinada pelos promotores de Justiça Marcelo Greenhalgh e Edilson Lins.

Medidas de melhoria foram sugeridas pelo Ministério Público após relatório, de 2011, da Agência de Defesa e Fiscalização Agropecuário (Adagro).

O relatório apontou uma série de irregularidades no matadouro.

Do ponto de vista da sáude pública, o documento mostrou condições  precárias de higiene no curral de matança, sala de abate e triparia.

Também se identificou que resíduos líquidos, como sangue dos animais,  escorriam a céu aberto para um terreno baldio e depois para uma lagoa, enquanto os sólidos eram jogados no lixão.

A recomendação para interditar o matadouro foi encaminhada para o município, no caso o prefeito e o secretário de Saúde, a Vigilância Sanitária do estado e a Adagro.

Tanto os gestores do estado quanto do município devem informar aos promotores, até meados deste mês, as medidas adotadas no matadouro.