Alexandre Araújo merece todas as homenagens

Bertrand Sampaio de Alencar, doutor em Desenvolvimento Urbano e Regional e coordenador da Unidade Gestora de Projetos de Resíduos Sólidos do Itep.

No dia 30 de junho, mês em que se comemora o meio ambiente, no ano de 2012, em que as previsões de Michel de Notredame, o profeta Nostradamos apontavam para uma onda de violentas transformações no planeta, que poderia levar à extinção da vida na Terra ou ao início de uma nova era para a humanidade, dependendo da interpretação, perdemos o melhor de todos os ambientalistas do Estado e uma das maiores referências no Brasil, Alexandre Araújo.

Inspirado por Vasconcelos Sobrinho, nossa maior referência em questões ambientais, Alexandre Araújo e um grupo de estudantes e professores fundaram em 5 de junho de 1979 a primeira e mais importante entidade de defesa do meio ambiente em Pernambuco, a Associação Pernambucana de Defesa da Natureza (Aspan).

Ecólogo, inquieto, militante de primeira linha, honesto, irreverente, correto, persistente como deve ser a sustentabilidade, Alexandre Araújo lutou a vida inteira pela defesa do meio ambiente. A sua vida foi totalmente dedicada à causa ambiental. Professor e profundo conhecedor da biologia, da fauna e da flora e, sobretudo, das relações com o ser humano, Alexandre Araújo foi um formador de pessoas, idealizador de projetos ambientais e profundo articulador de ações em defesa do meio ambiente.

Alexandre Araújo sempre apontava caminhos para reverter o atual quadro de tendências à degradação ambiental, procurando estimular a análise e a discussão do modelo de desenvolvimento hegemônico imposto em nível global, sua lógica, seus beneficiários, o comprometimento ambiental e suas limitações para a garantia da equidade de acesso a estes benefícios, assim como suas consequências para as gerações futuras, bem como o rebatimento deste modelo no nível local.

Desde 2008 ele se dedicava ao Instituto Nova Ação para Educação, Cidadania e Meio Ambiente (INA), realizando estudos e implantando projetos de organização socioambiental, cujas prioridades estavam direcionadas à educação ambiental, organização dos catadores de materiais recicláveis e coleta seletiva na comunidade do Fosfato, bairro da Matinha, em Abreu e Lima.

Não acreditava, apesar de continuar lutando, que o meio ambiente pudesse ser preservado nestes tempos de capitalismo que erroneamente chamam de selvagem, pois dizia que o mercado é isso mesmo que está aí, destruidor do meio ambiente, corrupto e corruptor, concentrador de riqueza e ampliador da pobreza, tudo o que Alexandre Araújo abominava. Suas ações e intervenções sempre procuraram reforçar a capacidade de intervenção naquilo que acreditava como ação coletiva, a sociedade civil, notadamente do movimento ambientalista em Pernambuco e no Brasil.

Deixa duas filhas, Larissa e Iana, nas quais procurou sentido para viver nos últimos anos. Na mesma data em que nasceu Joseph Dalton Hooker, botânico, explorador e naturalista inglês e que faleceu o naturalista francês Alcide Charles Victor Marie Dessalines d’Orbigny, morre o ambientalista Alexandre Araújo aos 52 anos.

A lua hoje, transição de quarto crescente para cheia, pareceu um pouco vermelha à noite. Neste 30 de junho a temperatura chegou a mais de 40 graus em diversos países.

A defesa do meio ambiente está enfraquecida para tristeza de todos que acreditam em um presente e futuro melhor para a humanidade. Alexandre Araújo merece todas as homenagens.

Animais morrem vítimas da seca

Os estragos da seca estão por quase todo Pernambuco. Mas são percebidos principalmente no Sertão e Agreste.

Depois da vegetação esturricada, os animais entram na lista das vítimas da estiagem.

Em Floresta, a 434 quilômetros do Recife, os exemplos são muitos.

Desde o início deste ano, quatro reses morreram na fazenda de Ulisses de Souza Ferraz, 83 anos, vítimas da falta de água e de alimentos.

O quinto animal, lamenta o fazendeiro, pode morrer a qualquer momento. É a vaca Lavrada, que perdeu as forças.

De tão fraco, o animal ficou de pé durante oito dias graças à uma tipoia.

Ulisses, ao ver que o quadro de  Lavrada era irreversível, resolveu cortar os panos e desatar os nós das cordas que sustentavam a vaca.

O uso da tipoia também acontece no sítio de Juviniana Constança de Jesus, 73.

A agricultora dedica parte do dia para salvar três vacas.

São horas cortando palma, comprada a “preço de ouro”, e colocando água para manter de pé os animais.

“As vacas não valem nem metade do que já gastei. Gasto para não ver os bichos morrerem à míngua”, desabafa.

Se deixarem os animais deitarem, contou Ulisses, as pernas adormecem e, aos poucos, eles perdem a força por completo. E morrem.

Pena para quem matar animal pode ser de 10 anos

Basta uma rápida busca na internet que histórias de atrocidades contra animais aparecem. Muitas terminaram na morte dos bichos.

Se até agora os culpados por esses tipos de crime receberam penas brandas, a situação pode mudar se o Projeto de Lei (PL) 2833/2011 for aprovado.

O projeto prevê reclusão de 5 a 8 anos para quem provocar a morte de animais.

E não para por aí.

A pena pode chegar aos 10 anos se identificado o emprego de veneno, fogo, asfixia, espancamento e arrastamento do animal.

A pena será em dobro se o crime for cometido por duas ou mais pessoas.

Nos casos de crimes culposos, aqueles sem intenção de matar, os acusados podem ser condenados de 3 e 5 anos de reclusão.

O PL 2833/2011 depende inicialmente da boa vontade dos deputados federais.

O texto, de autoria do parlamentar paulista Ricardo Trípoli, chegou às comissões de Meio Ambiente e Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados há cinco dias.

Somente depois da avaliação das comissões, o PL segue para o plenário. Os passos seguintes serão o Senado e a Presidência da República.

A aprovação pode não ocorrer, mas o projeto trará benefícios se provocar uma discussão séria em torno do assunto.