Das plantas invasoras da caatinga, a algaroba talvez seja a mais emblemática.
A espécie ocupa atualmente cerca de um milhão de hectares do semiárido nordestina.
Em algumas áreas, as algarobeiras formam grandes “florestas”, a exemplo das margens do Rio São Francisco no município pernambucano de Itacuruba.
“A algaroba é uma ameaça à biodiversidade”, afirma o biólogo e professor da Universidade do Vale do São Francisco (Univasf), José Alves de Siqueira Filho.
Segundo o professor, a invasão da algabora no semiárido é resultado de erros de políticas públicas do passado.
“Procurou-se soluções fora do semiárido, quando ele tem as respostas”, disse.
Atribui-se a Delmiro Gouveia, empresário e construtor da primeira hidrelétrica do Brasil, a plantação das primeiras algarobas. Isso em Serra Talhada (PE).
A partir daí, a planta espalhou-se pelo semiárido.
Hoje a algaroba pode ser encontrada desde os lugares mais secos da caatinga até as margens do São Francisco, como em Itacuruba, no Sertão pernambucano.
O aumento acelerado de áreas com algarobeiras tem duas razões.
A primeira razão é que os sertanejos encontraram na árvore uma boa fonte para a produção de lenha e forragem para os animais.
A segunda foi a facilidade de reprodução e crescimento das árvores. Isso ocorre porque a algaroba, ao contrária das plantas nativas, não possui inimigos naturais.
O problema consta no artigo Plantas exótivas e invasoras das caatingas do Rio São Francisco, publicado por José Alves e Juliano Ricardo Fabricante.
O artigo está no livro Flora das Caatigas do Rio São Francisco – História Natural e Conservação, que resultou dos programas ambientais do Projeto de Integração do São Francisco.
Esse projeto, conhecido popularmente como transposição do São Francisco, vem sendo desenvolvido pelo governo federal.