Rios do Nordeste têm água menos poluída do que os do Sudeste

Estudo da Fundação SOS Mata Atlântica, ao menos em 30 mananciais, mostra que a qualidade da água é pior no Sudeste do que no Nordeste.

Dos 16 mananciais pesquisados no Nordeste, 18,75% tiveram a água classiificada como “ruim”.Ou melhor, três rios: Capibaribe (PE), Pitimbu (RN) e Salgadinho (AL).

Os cursos d’água avaliados no Nordeste eram do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia.

O percentual do Sudeste, que envolveu São Paulo e Rio de Janeiro, foi bem maior que a da Nordeste. Seis dos 14 mananciais tiveram pontuação ruim. Ou seja, 42,9%.

Em São Paulo, os rios de água “ruim” foram o Córrego Outeiro, em São Sebastião, o Cubatão, em Cubatão, e o Bussocada, em Osasco.

Os piores do Rio foram os Paquequer, em Teresópolis, Grande, no Rio de Janeiro, e Paraíba do Sul, em Volta Redonda.

O estudo da SOS Mata Atlântica  foi realizado no ano passado.

Nordeste possui apenas 8,8% das recicladoras de plástico

A pesquisa encomendada pelo Plastivida Instituto Sócio-ambiental dos Plásticos reforçou o que outros estudos comprovaram: o Nordeste está muito aquém do ideal no quesito reciclagem.

Em 2011, a região reciclou apenas 9,9% do plástico pós-consumo.

O índice é quase seis vezes menor do que o do Sudeste, que registrou 55,5%, e cerca de três vezes inferior ao do Sul, com 27,7%.

As situações do Centro-Oeste (5,4%) e do Norte (1,5%) são as piores.

Tais diferenças impressionam ainda quando consideradas a quantidade de toneladas.

Nesse quesito, o Nordeste aparece com 94.237 toneladas contra 385.146 do Sudeste e 213.433 do Sul.

Os números refletem, entre alguns fatores, o quadro industrial das regiões.

Enquanto o Sudeste concentra 52,4% das recicladoras de plástico e o Sul 34,2%, o Nordeste possui 8,8% das 815 empresas do ramo.

Centro-Oeste e Norte aparecem nas piores colocações, com 3,9% e 0,6% respectivamente.

Há um fator  bem mais preocupante do que o quadro industrial.

A grande maioria dos municípios não possuem programas de coleta seletiva do lixo.

Por conta disso, os lixões crescem e as empresas estão reciclando plástico abaixo da capacidade produtiva instalada.

No Brasil, apenas 443 municípios dos 5.565 fazem coleta seletiva.

Correndo atrás do prejuízo

Antes tarde do que nunca.

Esse ditado cai bem para ações de monitoramento dos eventos climáticos extremos no Brasil, que há mais de uma década vê aumentar a frequência e a intensidade de secas e enchentes.

Apesar disso, o governo federal somente agora criou um Grupo de Trabalho para monitorar o clima e antecipar informações para os produtores rurais.

Agindo de maneira preventiva, espera-se dois resultados:

Primeiro, reduzir  a quantidade crescente de recursos destinados às consequências dos eventos climáticos.

Segundo, diminuir os gastos para a recomposição dos mercados afetados por fenômenos como alagamentos, estiagens, erosões e vencavais.

Espera-se, em outras palavras, minimizar os impactos das alterações do clima.

O Grupo de Trabalho foi instituído por uma portaria, a de número 294, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

A proposta é que o grupo, formado por especialistas de órgãos como o Inmet e Embrapa, forneça informações semanais ao ministério.

E pelo que aponta as enchentes no Sudeste e a seca no Nordeste, os técnicos envolvidos nos trabalhos terão muito a fazer.

Algaroba, um perigo para o semiárido nordestino

Das plantas invasoras da caatinga, a algaroba talvez seja a mais emblemática.

A espécie ocupa atualmente cerca de um milhão de hectares do semiárido nordestina.

Em algumas áreas, as algarobeiras formam grandes “florestas”, a exemplo das margens do Rio São Francisco no município pernambucano de Itacuruba.

“A algaroba é uma ameaça à biodiversidade”, afirma o biólogo e professor da Universidade do Vale do São Francisco (Univasf), José Alves de Siqueira Filho.

Segundo o professor, a invasão da algabora no semiárido é resultado de erros de políticas públicas do passado.

“Procurou-se soluções fora do semiárido, quando ele tem as respostas”, disse.

Atribui-se a Delmiro Gouveia, empresário e construtor da primeira hidrelétrica do Brasil, a plantação das primeiras algarobas. Isso em Serra Talhada (PE).

A partir daí, a planta espalhou-se pelo semiárido.

Hoje a algaroba pode ser encontrada desde os lugares mais secos da caatinga até as margens do São Francisco, como em Itacuruba, no Sertão pernambucano.

O aumento acelerado de áreas com algarobeiras tem duas razões.

A primeira razão é que os sertanejos encontraram na árvore uma boa fonte para a produção de lenha e forragem para os animais.

A segunda foi a facilidade de reprodução e crescimento das árvores. Isso ocorre porque a algaroba, ao contrária das plantas nativas, não possui inimigos naturais.

O problema consta no artigo Plantas exótivas e invasoras das caatingas do Rio São Francisco, publicado por José Alves e Juliano Ricardo Fabricante.

O artigo está no livro Flora das Caatigas do Rio São Francisco – História Natural e Conservação, que resultou dos programas ambientais do Projeto de Integração do São Francisco.

Esse projeto, conhecido popularmente como transposição do São Francisco, vem sendo desenvolvido pelo governo federal.

Sebo bovino ocupa segundo lugar na produção de biodiesel

O ditado popular de que “do boi quase nada se perde”  está cada vez mais certa.

Dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) indicam que o sebo bovino é a segunda fonte na produção de biocombustível.

No Brasil, o biodiesel é misturado ao diesel a um percentual de 5%. A meta para os próximos oito anos é alcançar 20%.

A soja ocupa o topo do ranking das fontes geradoras de biodesel no país, representando 71,1%. E o sebo bovino aparece com 18%.

O Sudeste, segundo a ANP, lidera o ranking das regiões que mais aproveitam o sebo.  O índice da região bate em 40,33%.

Por sua vez, o Nordeste  ocupa a pior posição, aproveitando os baixos 4,42% do sebo para fabricar o biodiel.

A região conta apenas com uma unidade de transformação, que fica no Ceará.

Mas o recado está dad: Do boi perde-se, por enquanto, somente o berro.

Um quarto lugar apenas

Embora esteja acima da média nordestina, Pernambuco ocupa um lugar intermediário quanto ao destino adequado do lixo na região.

O estado é o quarto no ranking dos nove estados.

Piauí encabeça a lista.

Dos resíduos sólidos coletados por lá, 50,1% seguem para aterros sanitários.

Em Pernambuco, o número é 43,1%. Fica baixo de Sergipe, com 46,3%, e do Ceará, 44,4%.

Os dados são de estudo Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil (2011), produzido pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe).

Na pesquisa, Alagoas aparece na pior colocação do Nordeste. O estado destina apenas 3,4% do lixo para os aterros sanitários.

O ranking, do pior para o melhor, é seguido pelo Rio Grande do Norte (27,7%), Paraíba (30,7%), Bahia (30,8%) e Maranhão (31,5%).

“Para chegar ao que exige o Plano Nacional de Resíduos Sólidos, o Nordeste terá que acelerar o passo”, avaliou Carlos Silva Filho, diretor executivo da Abrelpe.

O Plano Nacional estipula agosto de 2014 como limite para os municípios disporem de aterros sanitários funcionando.

Se comparado com estados do Sul e do Sudeste, Pernambuco e o Nordeste estão bem distantes.

São Paulo, por exemplo, destina 76,5% do lixo aos aterros sanitários. Santa Catarina, 71,8%, e o Rio Grande do Sul, 70%.

Palha da cana será usada pela primeira vez, no Nordeste, para se produzir energia

A partir de setembro, o bagaço e a palha da cana-de-açúcar serão empregados na produção de energia elétrica no Nordeste.

A experiência pioneira na região, com esse tipo de biomassa, está sendo instalada no município de Teotônio Vilela, em Alagoas.

O comum até agora é o uso do bagaço. A palha geralmente é descarta . Ou melhor, queimada antes do corte manual da cana.

Quanto mais fogo, a terra perde nutrientes, o que exige o emprego maior de fertilizantes. E esses, lembremos, estão na lista de grandes poluentes.

Para a palha ser aproveitada, a colheita nos canaviais precisa ser mecanizada.

A geografia acidentada é o que impede a mecanização em Pernambuco e trechos de Alagoas. Em Teotônio Vilela, o terreno é plano.

O projeto da térmica alagoana está sendo construído pela Areva Koblitz  em parceria com a BEN Bionergia.

As duas empresas investem na mecanização da área  da Usina Seresta. Em troca, poderão usar a palha e o bagaço da cana por 20 anos. 

Quando pronta, a usina térmica produzirá energia suficiente para o consumo de 1.700 famílias por ano.

Com informações de Mirella Falcão, repórter do Diario de Pernambuco.

Nordeste produz mais da metade da energia eólica brasileira

O Nordeste é a região brasileira com o maior número de parques eólicos. No ano passado, o país gerou a energia dos ventos mais barata do planeta.

Ds 71 usinas instaladas no Brasil, 46 funcionam nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Piauí.

O número nordestino representa 64,8% do parque nacional. E é quase o dobro do que existe no Sul, onde há 24 parques.

Por sua vez, o Sudeste, apesar de ser o maior consumidor de energia no país, possui somente um parque. Ele fica no Rio de Janeiro.

O peso do Nordeste é menor quando comparada a sua capacidade de produção de energia dos ventos com outras regiões.

Nesse quesito, o Nordeste possui 58,75% da potência instalada no país. A participação do Sul é de 39,35%, enquanto o Sul responde por apenas 1,9%.

Um cordel contra uma usina nuclear

 

A possibilidade de instalação de uma usina nuclear no semiárido nordestino atiçou a imaginação dos sertanejos. Em especial os de Pernambuco, onde se especula construir a unidade em Itacuruba.

O projeto da usina vem servindo de mote aos poetas populares. De Jatobá, no Sertão vizinho ao lago de Itaparica, o cordelista Climério Lima escreveu o Nosso Sertão não merece uma usina nuclear.

Abaixo, algumas  estrofes do texto que pode ser lido completo no site do Movimento Ecossocialista de Pernambuco (Mespe):

 

“Porque querem construir

Nessa terra renegada

Uma usina nuclear

Pelo mundo condenada?

Porque não constroem mais

 

Hospital, escola, estrada?

Venham melhorar os níveis

Da nossa educação

Melhor salário, emprego

Projetos de irrigação

Proteger o São Francisco

Veia de amor do Sertão

 

Uma usina nuclear

É um perigo constante

Na União Soviética

Numa explosão gigante

Matou e espalhou câncer

Numa área bem distante

 

O lixo dessas usinas

É um resíduo fatal

Não pode ser reciclado

Jogado em qualquer local

Se posto na natureza

É perigoso e mortal

 

Esse tipo de energia

É, por demais, perigosa

A causa de uma explosão

É ligeira e desastrosa

A energia do Sol

É muito mais vantajosa

 

A região vai sofrer

Belém, Floresta e Jatobá

Petrolândia, Paulo Afonso

Sem dever irão pagar

Se o rio São Francisco

Vier se contaminar

 

Projetos de agricultura

Terão que paralisar

Sergipe também Bahia

Preços altos vão pagar

De Pernambuco a Alagoas

Até descambar no mar

 

O problema, como sempre

Sobra pro povo sofrido

Precisamos nos unir

Criar um grande alarido

Político só tem medo

Do povo que está unido”.

Nordeste fica para trás na briga pela sustentabilidade

O crescimento econômico do Nordeste, maior do que o do Brasil nos últimos anos, tem reflexos acanhado no campo da sustentabilidade.

Nacionalmente, o número de empresas que não possuem medidas direcionadas à gestão sustentável – inclua aí ações ambientais -  representa 7% de quatrocentas.

O índice nordestino supera em uma vez e meia o do país.

Em nossa região, segundo a pesquisa do Ibope sobre o assunto, 18% das empresas nada desenvolvem na área da sustentabilidade.

Ressalto que as empresas do Nordeste somam 16% da pesquisa.

O Sudeste totaliza 48% da amostra pesquisada, mas representa 54% das empresas que possuem políticas de sustentabilidade.