Contrato para obras contra o avanço do mar será assinado

Será assinado nesta segunda-feira o contrato para o início das obras de contenção do avanço em Jaboatão dos Guararapes.

O contrato será firmado entre a prefeitura e a OAS, empresa vencedora da licitação.

Com a assinatura, o começo das obras dependerá apenas da liberação da licença prévia pela Agência Pernambuca de Meio Ambiente (CPRH).

O problema é que a questão vem se arrastando há meses.

No dia 10 de abril deste ano, a CPRH realizou a audiência pública, como exige a lei, sobre as obras em Jaboatão, Recife, Olinda e Paulista.

A CPRH teria, após a audiência, 10 dias para analisar as contribuições sugeridas no encontro, incorporando-as ou não ao documento relativo aos impactos ambientais.

A assinatura do contrato hoje pela manhã aumenta a pressão sobre CPRH e por tabela sobre o estado, que já deveria ter concedido a licença.

E a pressão é justa, pois parte dos recursos já estão assegurados e centenas de famílias, a cada dia, veem seus imóveis se desvalorizar.

O projeto de recuperação das praias de Piedade, Candeias e Barra de Jangado está orçado, em R$ 40 milhões. Desses, 13 milhões já estão
conveniados com o governo federal, via o Ministério da Integração Nacional.

 

Sem monitoramento e manutenção, projeto de engorda da orla pode fracassar

O sucesso a médio e longo prazo da engorda das praias do Recife, Jaboatão, Olinda e Paulita depende de ações de monitoramento e manutenção das obras.

Aí, para muita gente, mora o perigo.

A desconfiança está calcada no passado. Os brasileiros viram dezenas de grandes obras serem esquecidas pelo poder público após acabadas.

Mas a engorda é necessária. Do contrário, o mar vai engolir prédios e ruas.

O mesmo vale para o monitoramente e a manutenção após as obras. Afinal, entre 10% e 40% de toda a areia reposta na praia sumirá em cinco anos.

Como seriam e por quem seriam feitas, então, o monitoramento e a manutenção?

Algumas respostas estão no Relatório do Estudo de Impactos Ambientais (Rima).

Mais de 50 técnicos sugerem, no Rima, a implantação de 25 programas de controle e monitoramento do projeto.

Dois programas estão diretamente relacionados ao cuidado após a engorda.

Um deles é o de monitoramento da linha e do perfil praial. O outro é o de monitoramento contínuo da erosão. Nos casos, são trabalhos técnicos.

Há, por outro lado, o controle social, o que pode ser feito pelos comitês municipais de orla. O estado articula com os municípios a estruturação desses órgãos.

Engorda de praias tem prazo de validade

Alguns trechos das praias do Recife, mesmo após recuperados, poderão perder em cinco anos até 40% da areia posta na faixa de engorda.

O número é apontado pelo estudo técnico da Coastal Planning & Engineering do Brasil, empresa contratada pelo governo do estado para elaborar o projeto de recuperação da orla marítima no Recife, Jaboatão, Olinda e Paulista.

A possibilidade de perda foi apresentada ontem na audiência pública sobre o projeto, cujas obras estão previstas para começar neste semestre em Jaboatão e terminar em meados de 2014.

Há possibilidade de perdas também em Olinda, Paulista e Jaboatão.Nesses municípios, a estimativa é de que a retirada da areia pela água seja de até 10% em cinco anos.

As estimativas fundamentam-se em cálculos matemáticos.

Para se chegar aos percentuais, explicou o gerente de projetos da Coastal Planning, Rodrigo Barletta, a empresa teve como referência a granulagem da areia das praias dos quatros municípios.

“Dependendo da areia a ser usada, as perdas podem ser maiores ou menores”, acrescentou. Perdas maiores podem acontecer com areia mais fina do que a existente nas praias. Menores, com areia mais grossa.

A jazida para engorda das praias fica na costa do Cabo de Santo Agostinho.

O sucesso do projeto depende, segundo Rodrigo Barletta, da fiscalização da execucação do projeto e do monitamento contínuo.

Tais itens, segundo a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade, estão incorporados ao planejamento do projeto, orçado em R$ 336,1 milhões.

Os recursos são destinados a recuperar 48,1 quilômetros de 19 praias, que ficam entre as fozes dos rios Jaboatão e Timbó.

Números da engorda das praias em Jaboatão

A operação de engorda das praias de Barra de Jangada, Candeias e Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, pode ser resumida em números.

Alguns deles, como os mostrados abaixo, são importantes tanto para os moradores de Jaboatão quanto de cidades vizinhas. Fiquem atentos.

CRONOGRAMA  

2 de abril – Audiência pública, na Câmara de Vereadores;

8 de maio – Divulgação do nome da empresa que vai monitorar as obras;

10 de maio – Divulgação do nome da empresa que fará a engorda das praias;

Junho – Início das obras;

Dezembro – Término das obras.

RECURSOS  

R$ 1,98 milhão é o valor máximo a ser pago à empresa responsável pelo monitoramento ambiental da obra;              

R$ 39.118.574,73 é o montante máximo destinado à execução do projeto.

Moradores de Boa Viagem contestam Via Mangue

O projeto da Via Mangue, promessa para desafogar o trânsito nos bairros do Pina e  Boa Viagem, no Recife, está longe de ser unanimidade.

Há mais questionamentos no campo ambiental do que da mobilidade urbana.

Moradores da Rua Ana Camelo da Silva, em Boa Viagem, engrossaram o rol dos ambientalistas ao verem árvores marcadas, com um “x” para serem derrubadas.

Os moradores querem mudanças no traçado da Via Mangue.

Se terão sucesso na empreitada, eles não têm certeza, mas dizem estar dispostos até a ingressar com recursos na Justiça.

Embora com as obras já aprovadas pelos órgãos ambientais, a Prefeitura do Recife poderá ter problemas até o fim das obras.