Cavalo agoniza em frente ao Centro de Convenções

Um cavalo agonizou por quase quatro horas na Avenida Professor Andrade Bezerra, em Olinda, a poucos metros do acesso principal do Centro de Convenções.

O animal caiu na avenida por volta das 12h30 .

“Quando se sentiu mal, o cavalo puxava uma carroça carregada de coco”, contou o comerciante Cristiano de Almeida.

Após a queda com a carga, o bicho ainda conseguiu dar alguns passos, mas despencou minutos depois próximo à uma parada de ônibus.

Os motoristas eram obrigados a reduzir a velocidade para não atropelá-lo.

O proprietário, segundo testemunhas, seguiu com a carga de frutos e retornou posteriormente para resgatar o cavalo

“A tentativa de resgate virou uma cena de tortura”, lamentou a advogada ambiental, Nara Gonçalves, que passava na hora do espancamento.

Nara e comerciantes protestaram contra os maus-tratos e o proprietário do animal, de nome não identificado, desapareceu.

A advogada decidiu, então, ligar para os serviços públicos de proteção animal. Ouviu várias respostas negativas.

“Vemos em horas assim como o estado não se preocupa com os animais. Eles são espancados sob os olhos das autoridades”, desabafou.

Enquanto o animal agonizava, policiais militares passavam pelo local.

Após o resgate do cavalo, no fim da tarde, a advogada decidiu prestar queixa do crime na Delegacia de Crimes contra o Meio Ambiente (Depoma).

O resgate foi feito pelo Centro de Vigilância Ambiental (CVA) de Olinda.

Recuperação da orla marítima terá 47 impactos ambientais

As obras para recuperação da orla marítima do Recife, Jaboatão dos Guararapes, Olinda e Paulista vão provocar 47 impactos ambientais.

Do total, 11 estão relacionados ao meio físico; 9, ao biótico; 27, ao socioeconômico.

A maior parte dos impactos, listados no Relatório de Impactos Ambientais (RIMA) das obras para contenção do avanço do mar, tem caráter negativo.

Segundo a coordenadora técnica do RIMA, Maria do Carmo Sobral, os impactos negativos terão caráter temporário.

Eles poderão ser percebidos, principalmente, durante o executar das obras.

Os serviços estão programados para começar ainda este semestre em Jaboatão e devem terminar em 2014. Planeja-se para que sejam finalizados antes da Copa.

Entre os impactos negativos, o RIMA aponta o aumento de ruídos e vibrações, queda na qualidade do ar, perda da área de alimentação para os peixes e redução da produção pesqueira.

Os impactos positivos, acrescentou Maria do Carmo, terão reflexos permanentes.

A relação de pontos positivos inclui o aumento da praia, a valorização imobiliária do entorno das obras e o aumento das receitas municipais.

O RIMA foi apresentado e discutido hoje em audiência pública, no Centro de Convenções. E reuniu mais de 300 pessoas.

A convocação da audiência coube à Agência Pernambucana de Meio Ambiente (CPRH) e à Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas).

Audiência pública para discutir o avanço do mar

O projeto de contenção do avanço do mar no Recife, Jaboatão dos Guararapes, Olinda e Paulista passa, amanhã, por uma fase importante: a audiência pública.

O encontro começa às 9h, no Auditório Tabocas do Centro de Convenções.

Digo teste importante por dois motivos.

Primeiro, por ser uma etapa a menos de uma obra esperado há décadas por quem mora próximo ao mar, estudiosos do assunto e governos.

A audiência, além de exigência legal para o projeto ser executado, tem os propósitos de apresentar o projeto à população, bem como ouvir e acatar sugestões desta.

Aqui, entra o segundo ponto importante.

O encontro não pode cair no descrédito de muitas audiências públicas, que funcionam como mero detalhe legal.

Ou melhor, os condutores da discussão desconsideram vozes discordantes de alguns pontos dos projetos.

Ouvir e acatar mudanças, quando pertinentes, são exercícios necessários para se construir uma sociedade participativa. Do contrário, desistimulam a participação.

E as obras para contenção do avanço mar podem ser um bom exercício.

Afinal, a orla marítima de Jaboatão, Recife, Olinda e Paulista reúne 70% dos moradores da Região Metropolitana.

Mas não podemos perder de vista que a vulnerabilidade da área está relacionada há erros do passado, quando os municípios permitiram construções indevidas.

“O ideal seria ter sido respeitado, no passdo, o limite natural de movimentação das marés”, avalia o secretário estadual de Meio Ambiente, Sérgio Xavier.

O respeito ao limite, completa Xavier, garantiria recuos seguros, com maiores espaços para as faixas de areia e vegetação.

A audiência está sendo convocada pela Secretaria de Meio Ambiente  e pela Agência Pernambucana de Meio Ambiente (CPRH).

 

Recife, o maior poluidor da Bacia do Beberibe

De rio de águas limpas, o Beberibe, que deve ser revitalizado até 2014, foi transformado em um canal de dejetos.

E quem mais o polui?

Sem dúvida, Olinda e Recife.

Por duas razões. Ficam nos dois municípios a maioria das ocupações irregulares das margens e são elas que despejam esgotos no rio e em seus afluentes.

Isso é fácil de se perceber ao se denominar os afluentes. Entre eles, os canais da Malária e do Vasco da Gama e o Córrego do Euclides.

A contribuição do Recife para a poluição do rio fica mais clara quando analisamos a distribuição, por números, da Bacia do Beberibe.

Dos 81 quilômetros quadrados da bacia, 65% estão na capital pernambucana. Olinda corresponde a 21%, enquanto Camaragibe por apenas 14%.

O rio nasce entre os municípios de São Lourenço da Mata e Olinda, em um pequeno olho d’água, nas matas dos antigos engenhos Massiape e Timbó.

Latinhas renderam até R$ 500 para os catadores no Carnaval

Micheline Batista/ Diario de Pernambuco

Se você perdeu as contas de quantas latinhas de cerveja e refrigerante bebeu durante o carnaval, saiba que a sua sede pagou o 13º salário de milhares de catadores. Somente uma associação de estímulo à reciclagem calcula que foram coletadas seis toneladas de latinhas em Olinda e no Recife, movimentando R$ 500 mil durante a folia de Momo. Cada catador colocou no bolso entre R$ 400 e R$ 500, o equivalente a um mês inteiro de trabalho.

A catadora Naldeci Xavier, 48 anos, fechou um ciclo de oito dias recolhendo materiais em Olinda com R$ 500 a mais no bolso. O expediente de ontem foi no Bacalhau do Batata. “É um 13º para a gente. É muito gratificante essa época de carnaval, pois tiramos em oito dias o que demoramos um mês para tirar. Sem ser carnaval eu consigo tirar por mês entre R$ 300 e R$ 400”, conta Naldeci. Ela, que está na reciclagem há dez anos, diz que seu trabalho é importante porque ajuda a preservar o meio ambiente.

O quilo da latinha é vendido pelos catadores por R$ 2,50. “A reciclagem da latinha é um modelo que deve ser seguido pelos outros materiais, pois alcança um índice de 95%. Para os catadores, é um reforço que faz a diferença no orçamento”, comemora Sérgio Nascimento, presidente da Associação Meio Ambiente Preservar e Educar (Amape).

Todos os anos, no carnaval, a Amape faz uma campanha para estimular a cadeia da reciclagem. Os catadores recebem uniforme e uma ajuda de custo de R$ 50. Neste ano, a entidade homenageou as catadoras, numa antecipação do Dia da Mulher, comemorado dia 8 de março. Foram cerca de 30 mulheres atuando em Olinda e no Recife, sendo 15 ligadas ao grupo Retome sua Vida.

Sérgio estima que o volume movimentado neste ano, cerca de seis toneladas de latinhas, seja 5% superior ao registrado em 2011. “Essa melhora tem sido gradual e segue o incremento na renda da população. As pessoas ganhando mais, vão consumir mais latinhas. A temperatura também interfere. Quanto mais quente, maior o consumo de bebidas em lata”, observa.

Nos polos da festa os catadores não recolhem apenas latinhas. A garrafa PET, seja de refrigerante ou água mineral, também é bastante valorizada, embora o índice de reciclagem seja somente de 55%. Na associação, paga-se R$ 1 pelo quilo do material, enquanto que na rua costuma-se pagar R$ 0,50. “A meta é fazer com que a reciclagem do PET chegue ao mesmo patamar das latinhas”, acrescenta Sério Nascimento.

Em Olinda, fantasias feitas de lixo

Alguns foliões uniram, em Olinda, criatividade e espírito ecológico.

Um dos exemplos foi Genival Pereira.

Com pedaços de isopor de embalagens de eletrodomésticos e de caixas de picolé velhas, palha de aço e tinta de parede, Genival criticou a corrupção na política.

A maquete que lembrava os prédios do Congresso Nacional e do Palácio do Planalto foi feita de isopor. Ratos foram produzidos com palha de aço.

O artesão Gabriel Antunes “brincou” o carnaval com uma fantasia – o degolador – feita de material retirado do lixo.

Para confeccionar o degolador, Gabriel  empregou  pneus, cabeças de bonecas, capacete de moto e peças de uma bicicleta.

“As únicas coisas que comprei para a fantasia foram os machados”, contou.

Ele conseguiu machados velho, mas, por segurança, decidiu não usá-los.