Aqui, lixo é lixo. Na Noruega, é energia

Destino do lixo na Região Metropolitana costuma, muitas vezes, ser as calçadas. Foto: Mariana Fabrício/Esp.DP/D.A Press.

Destino do lixo na Região Metropolitana costuma, muitas vezes, ser as calçadas. Foto: Mariana Fabrício/Esp. DP/D.A Press.

Enquanto por aqui sobra lixo nas ruas, morros e rios, a Noruega dá uma lição que deveria clarear a mente de nossos gestores públicos.

O país europeu, como havia anunciado, começou a importar resíduos da Irlanda, Suécia e Inglaterra para transformar em energia elétrica.

Isso porque a capacidade de suas usinas incineradores é 635 milhões de toneladas por ano e o país produz cerca de 136 milhões de toneladas.

As importações incluem resíduos domésticos, hospitalares e industriais.

O que se produz de energia a partir do lixo representa metade das necessidades de Oslo, capital norueguesa com cerca de 620 mil habitantes.

Queimar lixo, compreenderam os noruegueses, reduz o consumo de combustíveis fósseis, apontados como grandes vilões do aquecimento global.

E em Pernambuco?

Dezenas de cidades continuam jogando os resíduos em lixões, o que polui o solo, o ar e mananciais indispensáveis para o abastecimento da população.

Até os mais importantes municípios do estado, como Recife, Jaboatão e Olinda, engatinham no assunto. Ainda tentam engatilhar a coleta seletiva.

Tubarão, tartaruga e mero encontrados mortos em praias de Pernambuco

Foto:Adriano Artoni/Divulgação

Foto: Adriano Artoni/Divulgação

Três grandes animais marinhos foram resgastados mortos nos últimos três dias na Região Metropolitana do Recife (RMR).

O resgate de dois deles ocorreu hoje.

Um tubarão-lixa, com 1,38 metro e de 15 a 20 quilos, foi encontrado na praia de Boa Viagem, no Recife. E levado para a UFRPE.

“O animal era uma fêmea jovem”, informou o ambientalista voluntário Adriano Artori, responsável pelo resgate do tubarão-lixa.

Adriano disse que existe a posssibilidade do tubarão ter morrido após se enroscar em alguma rede de pescar.

Uma tartaruga verde morta foi arrastada para a orla de Casa Caiada, em Olinda.

Com 1,65 metro de comprimento, quase um metro de largura e mais de 100 quilos, a tartaruga foi recolhida por oito homens da Prefeitura de Olinda.

A tartaruga fêmea, que apresenta hematomas na nadadeira superior, foi encaminhada para o aterro sanitário.

Na última quarta-feira, um mero com 1,76 metro e mais de 150 quilos, estava na praia de Suape, no Cabo de Santo Agostinho,.

Lixo e lama retirados do Rio Beberibe encheriam 62,5 mil caçambas

Foto:  Edvaldo Rodrigues/DP/D.A Press

Foto: Edvaldo Rodrigues/DP/D.A Press

Se o Capibaribe sofre com a poluição, o que dizer do Beberibe?

A situação é feia no rio que nasce em Camaragibe e banha Recife e Olinda.

Na primeira fase da dragagem, o projeto de renaturalização do rio retirou quase 500 mil metros cúbicos de lama e lixo.

O metro cúbico, só para lembrar, equivale a 1.000 litros.

Logo, a sujeira daria para encher cerca 62,5 mil caçambas com capacidade de oito metros cúbicos, um modelo bastante usado nesses serviços.

A primeira fase da obra foi executada entre a foz do Beberibe e a ponte da Avenida Olinda. Trecho esse que mede 2,2 quilômetros.

O rio mede 23 quilômetros de extensão, devendo-se limpar os 13 quilômetros que se encontram em estado mais crítico.

A segunda fase da dragagem do rio, entre as pontes da Avenida Olinda e Nova Esperança, já está em andamento.

Na última etapa do projeto de renaturalização, a dragagem começa na ponte Nova Esperança e termina na BR-101.

A previsão é que as obras orçadas em R$ 63 milhões, oriundas dos cofres federal e estadual, sejam concluídas no segunda semestre de 2014.

Estima-se que 1 milhão de metros cúbicos de resíduos sejam retirados do Beberibe. Ou seja, cerca de 125 mil caçambas de oito metros cúbicos.

Além da dragagem, para deixar o rio com 2,3 metros de profundidade, o Beberibe está sendo alargado. Em alguns pontos, ficará com 80 metros de largura

Ainda dá tempo participar, no Recife e em Olinda, da Semana do Meio Ambiente

Crédito: Fundação Altino Ventura/Divulgação

Crédito: Fundação Altino Ventura/Divulgação

Se você não participou ainda dá tempo de participar, nestes sábado (8) e domingo (9), da programação da Semana do Meio Ambiente, no Recife e em Olinda.

No Ipsep, a partir das 8h, começa o plantio de árvores na praça da Rua Raposo, onde haverá concursos de desenhos, poesias infantis e para se nomear a praça.

Duas exposições de produtos confeccionados com resíduos de materiais da construção civil, batizadas de “Vida Útil”, podem ser vistas nas lojas da Pernambuco Construtora nos shoppings Recife e RioMar.

A reciclagem também é o foco da exposição da Escolinha de Arte Sustentável para Deficientes da Fundação Altino Ventura. Na praça de alimentação do RioMar serão expostos de descansos de controle remoto a banco.

No Plaza, as pessoas podem ganhar, das 13h às 19h dos dias, um abraço do “planeta”. Fantasiado da Terra, o ator Joann Alves percorrerá o shopping dando dicas e orientando sobre o descarte correto do lixo.

O Nascedouro de Peixinhos, em Olinda, encerra seis dias de debates e apresentações culturais neste sábado. A Semana de Meio Ambiente,  promovida por 16 organizações, como a Diaconia,  discutiu “O desafio das águas nas grandes cidades”.

Cavalo agoniza em frente ao Centro de Convenções

Um cavalo agonizou por quase quatro horas na Avenida Professor Andrade Bezerra, em Olinda, a poucos metros do acesso principal do Centro de Convenções.

O animal caiu na avenida por volta das 12h30 .

“Quando se sentiu mal, o cavalo puxava uma carroça carregada de coco”, contou o comerciante Cristiano de Almeida.

Após a queda com a carga, o bicho ainda conseguiu dar alguns passos, mas despencou minutos depois próximo à uma parada de ônibus.

Os motoristas eram obrigados a reduzir a velocidade para não atropelá-lo.

O proprietário, segundo testemunhas, seguiu com a carga de frutos e retornou posteriormente para resgatar o cavalo

“A tentativa de resgate virou uma cena de tortura”, lamentou a advogada ambiental, Nara Gonçalves, que passava na hora do espancamento.

Nara e comerciantes protestaram contra os maus-tratos e o proprietário do animal, de nome não identificado, desapareceu.

A advogada decidiu, então, ligar para os serviços públicos de proteção animal. Ouviu várias respostas negativas.

“Vemos em horas assim como o estado não se preocupa com os animais. Eles são espancados sob os olhos das autoridades”, desabafou.

Enquanto o animal agonizava, policiais militares passavam pelo local.

Após o resgate do cavalo, no fim da tarde, a advogada decidiu prestar queixa do crime na Delegacia de Crimes contra o Meio Ambiente (Depoma).

O resgate foi feito pelo Centro de Vigilância Ambiental (CVA) de Olinda.

Recuperação da orla marítima terá 47 impactos ambientais

As obras para recuperação da orla marítima do Recife, Jaboatão dos Guararapes, Olinda e Paulista vão provocar 47 impactos ambientais.

Do total, 11 estão relacionados ao meio físico; 9, ao biótico; 27, ao socioeconômico.

A maior parte dos impactos, listados no Relatório de Impactos Ambientais (RIMA) das obras para contenção do avanço do mar, tem caráter negativo.

Segundo a coordenadora técnica do RIMA, Maria do Carmo Sobral, os impactos negativos terão caráter temporário.

Eles poderão ser percebidos, principalmente, durante o executar das obras.

Os serviços estão programados para começar ainda este semestre em Jaboatão e devem terminar em 2014. Planeja-se para que sejam finalizados antes da Copa.

Entre os impactos negativos, o RIMA aponta o aumento de ruídos e vibrações, queda na qualidade do ar, perda da área de alimentação para os peixes e redução da produção pesqueira.

Os impactos positivos, acrescentou Maria do Carmo, terão reflexos permanentes.

A relação de pontos positivos inclui o aumento da praia, a valorização imobiliária do entorno das obras e o aumento das receitas municipais.

O RIMA foi apresentado e discutido hoje em audiência pública, no Centro de Convenções. E reuniu mais de 300 pessoas.

A convocação da audiência coube à Agência Pernambucana de Meio Ambiente (CPRH) e à Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas).

Audiência pública para discutir o avanço do mar

O projeto de contenção do avanço do mar no Recife, Jaboatão dos Guararapes, Olinda e Paulista passa, amanhã, por uma fase importante: a audiência pública.

O encontro começa às 9h, no Auditório Tabocas do Centro de Convenções.

Digo teste importante por dois motivos.

Primeiro, por ser uma etapa a menos de uma obra esperado há décadas por quem mora próximo ao mar, estudiosos do assunto e governos.

A audiência, além de exigência legal para o projeto ser executado, tem os propósitos de apresentar o projeto à população, bem como ouvir e acatar sugestões desta.

Aqui, entra o segundo ponto importante.

O encontro não pode cair no descrédito de muitas audiências públicas, que funcionam como mero detalhe legal.

Ou melhor, os condutores da discussão desconsideram vozes discordantes de alguns pontos dos projetos.

Ouvir e acatar mudanças, quando pertinentes, são exercícios necessários para se construir uma sociedade participativa. Do contrário, desistimulam a participação.

E as obras para contenção do avanço mar podem ser um bom exercício.

Afinal, a orla marítima de Jaboatão, Recife, Olinda e Paulista reúne 70% dos moradores da Região Metropolitana.

Mas não podemos perder de vista que a vulnerabilidade da área está relacionada há erros do passado, quando os municípios permitiram construções indevidas.

“O ideal seria ter sido respeitado, no passdo, o limite natural de movimentação das marés”, avalia o secretário estadual de Meio Ambiente, Sérgio Xavier.

O respeito ao limite, completa Xavier, garantiria recuos seguros, com maiores espaços para as faixas de areia e vegetação.

A audiência está sendo convocada pela Secretaria de Meio Ambiente  e pela Agência Pernambucana de Meio Ambiente (CPRH).

 

Recife, o maior poluidor da Bacia do Beberibe

De rio de águas limpas, o Beberibe, que deve ser revitalizado até 2014, foi transformado em um canal de dejetos.

E quem mais o polui?

Sem dúvida, Olinda e Recife.

Por duas razões. Ficam nos dois municípios a maioria das ocupações irregulares das margens e são elas que despejam esgotos no rio e em seus afluentes.

Isso é fácil de se perceber ao se denominar os afluentes. Entre eles, os canais da Malária e do Vasco da Gama e o Córrego do Euclides.

A contribuição do Recife para a poluição do rio fica mais clara quando analisamos a distribuição, por números, da Bacia do Beberibe.

Dos 81 quilômetros quadrados da bacia, 65% estão na capital pernambucana. Olinda corresponde a 21%, enquanto Camaragibe por apenas 14%.

O rio nasce entre os municípios de São Lourenço da Mata e Olinda, em um pequeno olho d’água, nas matas dos antigos engenhos Massiape e Timbó.

Latinhas renderam até R$ 500 para os catadores no Carnaval

Micheline Batista/ Diario de Pernambuco

Se você perdeu as contas de quantas latinhas de cerveja e refrigerante bebeu durante o carnaval, saiba que a sua sede pagou o 13º salário de milhares de catadores. Somente uma associação de estímulo à reciclagem calcula que foram coletadas seis toneladas de latinhas em Olinda e no Recife, movimentando R$ 500 mil durante a folia de Momo. Cada catador colocou no bolso entre R$ 400 e R$ 500, o equivalente a um mês inteiro de trabalho.

A catadora Naldeci Xavier, 48 anos, fechou um ciclo de oito dias recolhendo materiais em Olinda com R$ 500 a mais no bolso. O expediente de ontem foi no Bacalhau do Batata. “É um 13º para a gente. É muito gratificante essa época de carnaval, pois tiramos em oito dias o que demoramos um mês para tirar. Sem ser carnaval eu consigo tirar por mês entre R$ 300 e R$ 400”, conta Naldeci. Ela, que está na reciclagem há dez anos, diz que seu trabalho é importante porque ajuda a preservar o meio ambiente.

O quilo da latinha é vendido pelos catadores por R$ 2,50. “A reciclagem da latinha é um modelo que deve ser seguido pelos outros materiais, pois alcança um índice de 95%. Para os catadores, é um reforço que faz a diferença no orçamento”, comemora Sérgio Nascimento, presidente da Associação Meio Ambiente Preservar e Educar (Amape).

Todos os anos, no carnaval, a Amape faz uma campanha para estimular a cadeia da reciclagem. Os catadores recebem uniforme e uma ajuda de custo de R$ 50. Neste ano, a entidade homenageou as catadoras, numa antecipação do Dia da Mulher, comemorado dia 8 de março. Foram cerca de 30 mulheres atuando em Olinda e no Recife, sendo 15 ligadas ao grupo Retome sua Vida.

Sérgio estima que o volume movimentado neste ano, cerca de seis toneladas de latinhas, seja 5% superior ao registrado em 2011. “Essa melhora tem sido gradual e segue o incremento na renda da população. As pessoas ganhando mais, vão consumir mais latinhas. A temperatura também interfere. Quanto mais quente, maior o consumo de bebidas em lata”, observa.

Nos polos da festa os catadores não recolhem apenas latinhas. A garrafa PET, seja de refrigerante ou água mineral, também é bastante valorizada, embora o índice de reciclagem seja somente de 55%. Na associação, paga-se R$ 1 pelo quilo do material, enquanto que na rua costuma-se pagar R$ 0,50. “A meta é fazer com que a reciclagem do PET chegue ao mesmo patamar das latinhas”, acrescenta Sério Nascimento.