Emissão de gases de efeito estufa aumentou 20% em 12 anos

São preocupantes os dados do novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e da Fundação Europeia para o Clima sobre a emissões e gases de efeito estufa no planeta;

O estudo, apresentado hoje, indica que houve um aumento de 20% na emissão desses gases desde 2000. Um deles é o gás carbônicio, o C02.

Com esse crescimento, a quantidade de gases de efeito estufa emitida supera em 14% o patamar que deveria ser atingido em 2020.

Desse modo, o  relatório aponta que, se ações não forem executadas, os custos para combater as causas do efeito estufa podem subir 15%, no mínimo, em 2020.

Para a ONU, o tempo para se reduzir as causas que estão levando ao aumento da temperatura no planeta está se esgotando.

Chance perdida

A Rio+20 chega ao fim com um sentimento de frustração.

O governo brasileiro até que tentou um acordo mais “ambicioso”,  como assumiu alguns ministros, mas esbarrou nos interesses dos países ricos.

Com um documento sem grandes metas, os governos dos países pobres, cientistas e a sociedade civil tecem um rosário de reclamações.

A esperança de poucos avanços estava nos ares da Rio+20 e da Cúpula dos Povos desde a semana passada, consolidando na quarta-feira.

A conferência, segundo ambientalista, deve ficar conhecida como mais uma oportunidade de mudar o rumo do planeta.

E as críticas  estão em vários pontos do Rio de Janeiro.

Os catadores de lixo fizeram a sua em um banner. Para eles, a categoria faz mais pelo planeta do que toda a conferência das Nações  Unidas.

Como vai terminar a Rio+20?

A Rio+20, promovida pelas Nações Unidas (ONU), começou hoje.

Mas começou com uma série de interrogações sobre os resultados.

Pode-se dizer, com certa razão, que  é cedo para se falar disso.

Do mesmo modo, é impossível esconder os sinais de um possível fracasso.

Vinte  anos após a Rio92, China e Estados Unidos, os maiores poluidores do mundo, não se comprometeram de fato para controlar a emissão de gases de efeito estufa.

O clima de desconfiança em relação a esses países cresce com a possibilidade de seus presidentes, Hu Jintao e Barack Obama, não virem ao Rio de Janeiro.

Para a ONU, as ausências dos dois líderes serão supridas porque os dois países estão enviando delegações com poder de decisão.

A justifica tem sentido.

Afinal, são os diplomatas  que fazem o meio de campo das grandes negociações. Os líderes costumam entrar nos momentos finais.

Não se pode esquecer, no entanto, o peso simbólico da  presença. Em um mundo de prevalência da imagem, o corpo presente diz muito.

A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva atentou para isso.

Marina sugere que a sociedade cobre o compromisso desses líderes com o meio ambiente. Alguns falam em constrangê-los eticamente.

No rol dos políticos a serem cobrados estaria também a chanceler alemã Angela Merkel, que ainda não sinalizou para a vinda.

E o que fazer?

Os movimentos sociais reunidos na Cúpula dos Povos, evento paralelo à Rio+20, prometem cobrar a assinatura dos compromissos.

Façamos o mesmo.

Primeiro, em relação ao Brasil. O país pouco avançou se consideradas as metas da Eco-92. Das 90 assumidas, quatro foram cumpridas.

“Prece para o dia da Mãe Terra”

Leonardo Boff, membro da Comissão Central da Carta da Terra

No dia 22 de abril de 2009, na 63ª Sessão da Assembléia Geral da ONU, foi aprovado por unanimidade o projeto segundo o qual todo o dia 22 de abril não será mais simplesmente o dia da Terra, mas o dia da Mãe Terra. Em razão desta data vale, em agradecimento, fazer a seguinte prece:

Terra minha querida, Grande Mãe e Casa Comum! Vieste nascendo, lentamente, há bilhões  e milhões de anos, grávida de energias criadoras.

Teu corpo, feito de pó cósmico, era uma semente no ventre das grandes Estrelas Vermelhas. Elas depois explodiram e te lançaram pelo espaço ilimitado. Vieste te aninhar como embrião, no seio de uma estrela ancestral, o Sol primevo, no interior da Via-Láctea, transformada depois em Super Nova. Esta também sucumbiu de tanto esplendor e explodiu. E vieste então parar no  seio acolhedor de uma  Nebulosa, onde já, menina crescida, perambulavas em busca de um lar. E a Nebulosa se adensou virando um Sol esplêndido de luz e de calor: o nosso Sol.

Ele se enamorou de ti, te atraiu e te quis em sua casa, como um planeta seu,  junto com Marte, Mercúrio, Venus e outros companheiros. E celebrou um esponsal contigo. De teu  matrimônio com o Sol, nasceram filhos e filhas, frutos de  tua ilimitada fecundidade, desde os mais pequenos como as bactérias, os virus e os fungos até os maiores e mais complexos  como os peixes, os dinossauros, os animais, as aves, as plantas  e todas as formas de vida. E como expressão nobre da história da vida, nos geraste a nós, homens e mulheres, com  consciência, sentimento,  inteligência e  amor.

Como seres humanos  somos aquela porção tua, que num estágio avançado de tua complexidade, começou a sentir, a pensar, a amar, a cuidar e a venerar. Por isso somos a Terra que venera, cuida, ama, pensa e sente.

Embora já adulta,  continuas coevoluindo para dentro do universo rumo ao Grande Atrator que é o seio do Deus-Pai-e-Mãe de infinita ternura. Dele viemos e para Ele retornamos para assistirmos a suprema realização de todas potencialidades escondidas em cada ser e  em cada um de nós e que somente Tu nos podes conceder.

Queremos, ó Deus-Pai-e-Mãe de bondade, mergulhar em Ti junto com a nossa querida Mãe Terra, para comungar de Tua vida feita de amor, de comunicação e de beleza.

E agora, nesse teu dia, nós seres humanos, nos sentimos um sacerdote  universal. Ousamos  realizar o gesto sagrado de Jesus na força de seu Espírito. Como Ele, cheio de unção, te tomamos, oh Mãe Terra,  em nossas mãos impuras, para pronunciar sobre ti a Palavra Sagrada que o universo sempre guardou dentro de si  e que tu , agora,  queres ouvir:

Hoc est corpus meum: Isto é o meu corpo. Hoc est sanguis meus: Isto é o meu sangue”

Oh maravilha: o que era Terra se transformou em Paraíso e o que era vida humana se transfigurou em Vida Divina. O que era pão se fez Corpo de Deus e o que era vinho se fez Sangue Sagrado.

Finalmente, Mãe Tierra, com teus filhos e filhas reunidos ao teu redor, chegaste ao seio infinito do Deus-comunhão conosco e com todos os seres do Universo. Contigo, Mãe generosa, nos sentimos como o Corpo Sacrossanto de Deus  no pleno esplendor de sua glória.

Enfim, depois de tanto peregrinar,  chegamos em casa. Nela   permaneceremos, felizes, para sempre. Pelos séculos dos séculos sem fim.  Amém.

Agricultura é uma das causas da extinção de espécies

Secretário-executivo das Nações Unidas sobre a Diversidade Biológica, Bráulio Ferreira de Souza Dias acredita que a extinção de espécies da fauna e da flora somente será freada quando todas as repartições públicas incluírem a biodiversidade em suas políticas.

Bráulio, doutor em Zoologia, trabalhou no Ministério do Meio Ambiente, onde chefiou a Secretaria de Biodiversidade e Florestas.

Abaixo, entrevista que o brasileiro concedeu ao Inter Press Service (IPS) para o projeto Terramérica, ligado aos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud).

Por que se extinguem as espécies e por que isto é grave?
Darei um exemplo. A agricultura tem muito impacto sobre a biodiversidade. A conversão de terras causa a perda de serviços fornecidos pelos ecossistemas naturais, como reduzir as inundações e limpar e reter a água. Também perdemos diversidade genética, o que significa menos opções para combater doenças no futuro, e muitas outras coisas potencialmente úteis para a humanidade. Quando uma espécie se extingue, se vai para sempre.

Como novo secretário executivo do Convênio, como espera reduzir o desaparecimento cada vez mais acelerado de espécies?
Um objetivo importante é incluir a biodiversidade na agenda de todos os departamentos governamentais de todos os governos nacionais. Queremos que entendam e considerem os impactos sobre a biodiversidade quando elaboram normas e políticas. Estudos como o TEEB (sigla em inglês para “a economia dos ecossistemas e da biodiversidade”) fornecem dados sobre a importância da diversidade biológica para as economias de todos os países. Não é fácil conseguir e não há soluções mágicas.

As mudanças no Código Florestal brasileiro podem levar a um aumento do desmatamento na Amazônia. A controvérsia que esta reforma gerou ilustra o desafio de incluir a biodiversidade nas políticas de Estado?
Este é um exemplo concreto. Os governos devem lidar com interesses que competem entre si. Neste caso, produtores agropecuários e ambientalistas, interesses agrícolas e o público em geral. O desafio é encontrar o ponto de equilíbrio entre os interesses econômicos, a sobrevivência e a conservação. Em 2011, a Câmara adotou uma versão do Código que parecia favorecer os interesses agropecuários. Em dezembro, o Senado introduziu mudanças ao projeto que dão um enfoque mais equilibrado. Esta versão será apresenta em março na Câmara. O Brasil conseguiu reduzir o desmatamento na última década devido a uma melhor educação sobre o real valor da conservação e dos ecossistemas naturais. O público, definitivamente, aumentou a pressão sobre o governo.

Quanto é importante a educação nesse sentido?
A informação é fundamental, mas também o são os instrumentos financeiros. Por exemplo, gostaria que a próxima Conferência das Partes (COP 11, que acontecerá em outubro, em Hyderabad, na Índia) surja um acordo para que os governos usem critérios de sustentabilidade ao realizar qualquer compra.

Em 2010, a COP 10 adotou o Protocolo de Nagoya sobre Acesso aos Recursos Genéticos e a Participação Justa e Equitativa nos Benefícios Derivados de sua Utilização no Convênio sobre a Diversidade Biológico. A que os países signatários deste documento estão obrigados?
Em Nagoya as nações assumiram o firme compromisso de reduzir as perdas de biodiversidade. Foi um grande êxito. Agora, cada país tem uma estratégia nacional e um plano de ação para proteger a biodiversidade em seu território. Este compromisso deve ser levado aos âmbitos domésticos e a todos os setores para que haja resultados concretos. Não é fácil para a maioria dos países e exigirá financiamento e assistência técnica.

Os especialistas e diplomatas que negociaram o Protocolo de Nagoya têm que conseguir que seus governos o adotem. Quando espera que o tratado seja ratificado e legalmente vinculante?
Mais de 90 países apresentaram cartas de acordo sobre a ratificação do Protocolo. Contudo, o trâmite legislativo em cada país demora. Temos algumas ratificações, mas não chegaremos às 50 necessárias para que o Protocolo entre em vigor a tempo da COP11.

Quais outros temas a agenda dessa Conferência incluirá?
Trabalharemos para criar um novo mecanismo de financiamento e um programa de trabalho. Esta é a parte de “como fazer” para cumprir os objetivos mundiais de biodiversidade. A conservação em alto mar será um tema especial. Nenhum país tem jurisdição sobre estas áreas, assim não é parte dos planos nacionais. As águas oceânicas são extremamente importantes em matéria de biodiversidade e de processos ecológicos (o plâncton oceânico fornece boa parte do oxigênio que respiramos).

O que acontecerá com a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), prevista para junho, quando estará completando 20 anos da histórica Cúpula da Terra, na qual nasceu o CDB?
Há uma agenda ampla para avançar para uma economia verde. Esta não será uma grande conferência sobre biodiversidade, mas sobre tudo o que se relaciona com ela. Se a Rio+20 puser esta agenda em movimento, também ajudará a biodiversidade.

Empresa que usar energia eólica terá selo da ONU

A Organização das Nações Unidas (ONU)  anuncia no próximo mês as primeiras empresas a terem direito a um novo selo: o WindMade.

Com a iniciativa, pretende-se estimular os investimentos em energia eólica.

As empresas escolhidas pela ONU poderão exibir o selo em seus produtos e publicidades.

Para ter direito ao WindMade, os pretendentes terão que usar, no mínimo, 25% de energia eólica em seus processos produtivos.

Em países como Inglaterra, Alemanha e Dinamarca, onde a população tem exigido o emprego de energias limpas cada vez mais, o selo deve fazer sucesso.

A iniciativa da ONU seria bem sucedida no Brasil, onde vem crescendo o número de usinas termelétricas?  É bom pensar.