Das 184 prefeituras pernambucanas, uma se preocupou com o meio ambiente

Crédito: http://guiaedicas.com/Divulgação

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Meio ambiente não é prioridade para quase todos os 184 municípios pernambucanos.

Tomemos como exemplo os projetos encaminhados pelas prefeituras ao Fundo Estadual de Apoio ao Desenvolvimento dos Municípios (FEM).

Apenas uma das mais de 400 obras trata diretamente de meio ambiente.

É o caso do Parque Ambiental de Agrestina, a 154 quilômetros do Recife. O parque, ou melhor, a primeira etapa de implantação receberá R$ 523 mil.

Isso não quer dizer que alguns projetos não terão reflexos positivos sobre a natureza. Terão sim, como a proposta de saneamento básico de parte de Tacaimbó, distante 170 quilômetros da capital, orçada em R$ 61,7 mil.

O que fica claro, com o FEM, é a preocupação evidente dos prefeitos em fazer obras de pedra e cal. São dezenas os projetos de pavimentação de ruas.

As obras de pedra e cal são necessárias, agradam e rendem votos.

Mas não custaria muito se, em meio a tantas obras, algum gestor investisse na recuperação das matas ciliares de riachos e açudes.

O FEM tem orçamento de R$ 228 milhões para serem aplicados até 2014.

Um prêmio para as melhores fotografias da Mata Atlântica

Rodeado pela Mata Atlântica, o Parque Dois Irmãos, no Recife, resolveu homenagear o bioma que o cerca através de imgens.

O parque lançou o concurso fotográfico em que os vencedores serão aqueles que apresentarem os melhores “cliques” sobre a  Mata Atlântica.

As inscrições, com regulamento no site www.parquedoisirmaos.pe.gov.br, podem ser feitas até o dia 2 de junho.

Todas as fotos inscritas no concurso, promovido desde 2009, serão expostas no Zoológico Dois Irmãos entre os dias 2 e 26 de junho.

As três melhores fotos serão escolhidas pelos visitantes.Entre os prêmios, os ganhadores terão direito a um curso básico de fotografia.

A Mata Atlântica é considerada um dos biomas mais devastados do mundo.

Estima-se que só 11% da área original dessa floresta seja preservada no país.

Em Pernambuco, o número é bem menor. Fica abaixo de 5% da cobertura existente no século 16, quando começou a colonização do estado.

O parque está em um pedaço do que sobrou da Mata Atlântica no estado.

Um parque esquecido e invadido

A maneira como o Parque Ecológico do Janga, em Paulista, vem sendo tratado mostra o descaso com a preservação ambiental.

Parque desde 1987, o lugar de 300 hectares está sendo loteado irregularmente.

Estima-se que o terreno, antes propriedade da Companhia Paulista de Tecido, conta com mais de 5 mil lotes.

Curioso é que as invasões aumentaram durante o período eleitoral deste ano.

Os crimes aconteceram sob os olhos do estado, que criou legalmente o parque.

Para demarcar os lotes, os invasores derrubaram árvores para fazer estacas.

Isso ocorreu porque existiram falhas no projeto de implantação e fiscalização.

Agora o desafio é maior.

A Companhia de Meio Ambiente da Polícia Militar (Cipoma) age para evitar desmatamento e promete prender infratores.

É preciso mais.

Faz-se necessário cadastrar as famílias e ver se necessitam ou não de moradia.

E para a lei não ser palavra morta, desocupe-se o terreno e implanta-se o parque.

Do contrário, até as ruínas da Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres, do século 17, tendem a ser ocupadas por barracos.

Agora é transformar a Mata do Engenho Uchôa em parque

Demorou, mas o poder público deu, enfim, um passo importante para preservar a Mata do Engenho Uchôa, no Recife.

E o gesto do poder público de reintegrar 5,5 hectares de remanescentes à mata não deve ser encarado como gesto de bondade.

A revogação do decreto que permitia construir uma usina de tratamento de lixo  nos 5,5 hectares resultou da pressão dos movimentos sociais.

Durante anos, movimentos sociais e moradores do entorno da mata realizaram protestos e reuniões em favor da preservação da mata, que tem 192 hectares.

É justo lembrar que à frente dessa luta está o Movimento de Defesa da Mata do Engenho Uchôa. Para dizer não ao projeto da usina, o movimentou conseguiu 5 mil assinaturas em um abaixo-assinado.

Os 5,5 hectares ficam entre os bairros do Ibura e  de Tejipió.

Para dizer não ao projeto que previa incinerar o lixo, eles conseguiram 5 mil assinaturas para um abaixo-assinado.

O desafio agora é transformar a Mata do Engenho Uchôa em parque. Se aprovado, ele beneficiará 11 bairros cortados pela mata.

A proposta, reconhecem os ambientalistas, exige mais mobilização popular.

Pernambuco: entre os últimos na produção de energia eólica

No ranking da produção de energia eólica, Pernambuco, embora tenha o melhor cluster (cadeia produtiva) do setor no Brasil, aparece nas últimas posições.

O estado possui apenas cinco parques de geração de energia a partir dos ventos. Isso representa 7,04% da soma nacional.

Piauí, Rio de Janeiro e Paraná aparecem na laterna, tendo cada apenas um parque.

Nesse ranking, Ceará está no topo. São 17 parques, número que representa 23,94% das 71 unidades instaladas no país.

Paraíba e Santa Catarina aparecem na segunda colocação, ambos com 13 usinas.

Rio Grande Norte e Rio Grande do Sul também estão empatados. Cada um possui 10 parques eólicos. Ou seja, 14,1% do total brasileiro.

Dos 26 estados, 17 não possuem parques eólicos. Nenhum estado do Norte e do Centro-Oeste, bem como o Distrito Federal, não dispõem desse tipo de usina.

Quanto à potência instalada em megawatt (MW), Pernambuco representa bem menos para o Brasil do que em número de usinas.

A capacidade dos parques pernambucanos é de somente 1,69% de toda potência instalada no país, que é 1.471,2 MW.

Os números, apontados pela Power Purchase Agreement (PPA), ainda são pequenos diante do potencial do país para gerar uma energia menos poluente.

A energia eólica é responsável por somente 1,26% do consumo brasileiro.

Invasores colocam em risco o Parque de Dois Irmãos

Uma das reservas ecológicas mais bem conservadas do Recife, o Parque Estadual de Dois Irmãos, corre riscos.

O número de pessoas que circula por algumas trilhas do parque  supera a capacidade suportada pelas trilhas.

Muitos dos  "invasores" entram no reserva para tomar banho nos açudes do Prata e do Meio ou para lavar roupas.

Assim, colocam em risco a flora, a fauna e os mananciais.

Os visitantes irregulares costumam entrar na reserva, com 380 hectares, devido ao frágil esquema de segurança.

Apenas um vigilante protege o acesso aos açudes.

Bióloga do parque, Marina Falcão concluiu, em estudo apresentado em congressos, que a trilha com maior capacidade pode receber, no máximo, 172 pessoas por dia.

É o caso da Trilha do Prata. Por ela, costuma-se conduzir crianças e adultos até os açudes do Meio e do Prata.

A direção da reserva segue à risca o cálculo do estudo, mas não existe controle sobre os indesejados.

Em visita aos açudes, encontramos 13 pessoas que entraram indevidamente na reserva. Uma delas lavava roupa próximo ao sangradouro do Açude do Meio.

“A equipe do parque sempre vai aos açudes para sensibilizar os invasores, mas não conseguimos resolver o problema”, disse a gerente da reserva, Silvana Silva.

O acesso irregular costuma ser feito pelos pontos vigiados pela Compesa, que capta água dos açudes para abastecimento do Recife.

Uma reunião entre a gerência do parque e a Compesa deve ocorrer até o fim do ano.

A assessoria de imprensa da companhia adiantou que reforçará a vigilância e vai apurar os motivos da falha na segurança. Em lugar de um vigilante serão dois.

O único segurança do local trabalha de 7h às 19h, horário em que a reportagem encontrou invasores na reserva.

Mesmo com o reforço na segurança, Marina e Silvana pretendem sensibilizar as comunidades vizinhas da importância do parque para a qualidade de vida.

“Elas precisam entender o quanto a reserva é importante para o abastecimento da cidade e a qualidade do ar da região”, exemplificou a bióloga.