Exu terá unidade avançada de pesquisa da fauna

O município de Exu, no Sertão pernambucano, deve ter uma unidade avançada para readaptação de animais silvestres.

Prevista para o próximo ano, ela funcionará no antigo posto fiscal da Secretaria da Fazenda do Estado.

Os detalhes da unidade estão sendo discutidos pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE), prefeitura local e Ibama.

A ideia surgiu com o projeto Papagaios da Caantiga, que soltou 29 periquitões e está readaptando 28 papagaios-verdadeiros para soltura na Mata Atlântica.

As aves estão sendo libertadas na Floresta Nacional do Araripe-Apodi, na Chapada do Araripe, entre os estados de Pernambuco e Ceará.

Além de cuidar da readaptação de aves apreendidas em negócios ilegais, a unidade avançada terá ainda como objetivo a pesquisa da fauna da região.

Pode faltar alimento para as baleias

Pesquisadores temem que a quantidade de alimentos, em futuro breve, seja infuciente para a sobrevivência das baleias.

“É possível que animais venham a morrer por escassez de comida”, alertou a presidente do Instituto da Baleia Jubarte (IBJ), Márcia Engel.

Uma das razões seria o krill, crustáceo que é a base alimentar das baleias.

Há sinais, segundo Márcia, da redução da quantidade do krill e por trás do fenômeno estariam as mudanças climáticas.

O alerta aumentou em 2010, quando se registrou o número recorde de encalhes de jubartes no Brasil. Foram quase 100.

Ao fazer as necropsias, os estudiosos não encontraram sinais de doenças na maioria dos animais. Muitos estavam subnutridos.

A preocupação é tanta que um dos integrantes do Instituto Baleia Jubarte, o biólogo Leonardo Wedekin, decidiu dedicar o pós-doutorado ao assunto.

Ele vai analisar a relação entre a distribuição do krill e o nascimento de filhotes jubartes na costa brasileira.

De julho a novembro, as jaburtes transformam nossa costa, especialmente entre o Rio de Janeiro e Sergipe, em um grande berçário.

As jubartes chegam a medir 16 metros de comprimento e pesar 40 toneladas.

Apenas 27,2% dos domicílios pernambucanos separam o lixo para a coleta seletiva

Pernambuco está longe do ideal no tratamento do lixo domiciliar.

Somente 15,4% dos domicílios particulares do estado, segundo pesquisa do IBGE, separam materiais biodegradáveis e não degradáveis.

O percentual é o segundo maior do Nordeste, ficando atrás do Rio Grande do Norte, com 20,3%. A média regional bateu em 11,9%.

A situação de Pernambuco é vergonhosa se comparada com os estados do Sudeste.

No Paraná, a separação correta do lixo ocorre em 64,6% dos domicílios, enquanto no Rio Grande do Sul atinge 57,4% e  em Santa Catarina, 56,6%.

O estado ocupa a 11ª posição no ranking nacional.

A pesquisa do IBGE, chamada de Orçamentos Familiares: Perfil das Despesas no Brasil de 2008/2009, aponta um dado preocupante quanto à coleta seletiva.

De todo lixo separado nos domicílios pernambucanos, apenas 27,2% tinham como finalidade a coleta seletiva.

Nesse item, o estado ocupa o quinto lugar no Nordeste, ficando atrás do Rio Grande do Norte (37,7%), Paraíba (31,1%), Alagoas (30,4%) e Bahia (26,1%).

E o fosso entre Pernambuo e o Sudeste é imenso.

No Paraná, que ocupa a melhor posição no ranking nacional, 60,5% dos domicílios separam os materiais biodegradáveis e não degradávies para a coleta seletiva.

Os exemplos vindos do Sudeste, embora evidenciem a fragilidade dos municípios pernambucanos em relação ao lixo, comprovam que podemos melhorar.

A poluição gerada pelo alisamento de cabelo

O preço da beleza é alto.

Se tiver dúvida, contabilize quanto uma mulher gasta para manter os cabelos e as unhas dos pés e das mãos bem tratadas.

O que pesa no bolso tem reflexos na natureza, principalmente quando se apela para os alisamentos permanentes. Esses que são processos químicos.

Em sua  monografia, José Robemar de Lima afirma que os salões de beleza  lançam as águas usadas nos alisamentos sem tratamento necessário.

Ou melhor, “o tratamento de efluentes nestes estabelecimentos é inexistente”.

José Robemar pesquisou 30 salões de beleza em três bairros recifenses: Casa Forte, Casa Amarela e Cidade Universitária (Várzea).

Os produtos mais utilizados nos alisamentos são à base de tioglicolato de amônia, hidróxido de guanidina e hidróxido de sódio.

Esses produtos vão “diretamente para a rede coletora de esgotos  domésticos, que não está devidamente preparada para recebê-los.

Os efluentes, reforça o pesquisador, possuem uma alta carga de produtos nocivos ao ambiente como a amônia, o chumbo e o formaldeído.

Na monografia para curso Tecnologia em Gestão Ambiental do Ifpe, José Robemar analisa diversos tipos de resíduos produzidos pelos salões.

O pesquisador, além dos resíduos químicos, trata dos resíduos biológibos, radioativos, comuns, perfuro-cortantes.

Para resolver o problema, José Robemar afirma que o poder público precisa, através de estudos,  incentivar o manejo de resíduos nos salões de beleza.

Isso porque “os procedimentos realizados dentros destes estabelecimentos geram resíduos pergiosos ao meio ambiente em quantidades que não podem ser desconsideradas.”

Orientada pela professora Marília Castro, a monografia recebeu o  título  Levantamento sobre resíduos perigosos e efluentes de produtos químios gerados em salões de beleza.

Salões de beleza descartam resíduos químicos sem cuidados

Mais da metade dos salões de beleza de Casa Amarela, Casa Forte e Cidade Universitária, no Recife, não separa adequadamente os resíduos químicos.

O percentual, segundo José Robemar de Lima, é de apenas de 57%.

Com um agravante: o material químico recolhido é colocado de maneira indiscriminada junto ao lixo comum.

José Robermar tratou do assunto na monografia Levantamento sobre resíduos perigosos e efluentes de produtos químicos gerados em salões de beleza.

A monografia foi para a conclusão do curso Tecnologia em Gestão Ambiental do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco (Ifpe).

O estudo teve como base 30 estabalecimentos comerciais, sendo 97% delas microempresas. E 3%, pequenas empresas.

Para os 43% que segregavam os resíduos químicos, apontou José Robemar, a separação era um procedimento inútil e sem sentido.

Isso porque, mesmo separados adequadamente nos salões de beleza, os resíduos químicos eram descartados, na coleta de lixo urbano, nos mesmos  caminhões de lixo comum.

Quanto vale o verde

Em cidades cada vez mais áridas, o verde faz diferença.

Não apenas na qualidade do ar e para amenizar a temperatura, mas no bolso.

Pesquisa da Husqvarna aponta que um imóvel vale mais se localizado em uma rua com árvores ou mesmo com um jardim bem cuidado.

 A Husqvarna é uma empresa sueca de equipamentos de paisagismo.

O estudo indicou que as vendas aumentam em 10% quando o negócio envolve residência ou condomínio com um jardim bem tratado.

O índice cresce mais se o imóvel ficar em ruas e avenidas bem arborizadas. Nesses casos, as vendas sobem 16%.

Tais números resultaram de consultas a cinco mil proprietários de imóveis de nove países. Entre esses, o Brasil.

Os percentuais, cá para nós, indicam o quanto a maior parte dos grandes projetos imobiliários em execução no estado estão equivocados.

Pensa-se nos cifrões imediatos somente.

As empresas deixam de lado o que é conheciido há muito tempo: o verde traz mais conforto térmico, atrai aves, embeleza as vias e reduz o ruído.

Um quarto lugar apenas

Embora esteja acima da média nordestina, Pernambuco ocupa um lugar intermediário quanto ao destino adequado do lixo na região.

O estado é o quarto no ranking dos nove estados.

Piauí encabeça a lista.

Dos resíduos sólidos coletados por lá, 50,1% seguem para aterros sanitários.

Em Pernambuco, o número é 43,1%. Fica baixo de Sergipe, com 46,3%, e do Ceará, 44,4%.

Os dados são de estudo Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil (2011), produzido pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe).

Na pesquisa, Alagoas aparece na pior colocação do Nordeste. O estado destina apenas 3,4% do lixo para os aterros sanitários.

O ranking, do pior para o melhor, é seguido pelo Rio Grande do Norte (27,7%), Paraíba (30,7%), Bahia (30,8%) e Maranhão (31,5%).

“Para chegar ao que exige o Plano Nacional de Resíduos Sólidos, o Nordeste terá que acelerar o passo”, avaliou Carlos Silva Filho, diretor executivo da Abrelpe.

O Plano Nacional estipula agosto de 2014 como limite para os municípios disporem de aterros sanitários funcionando.

Se comparado com estados do Sul e do Sudeste, Pernambuco e o Nordeste estão bem distantes.

São Paulo, por exemplo, destina 76,5% do lixo aos aterros sanitários. Santa Catarina, 71,8%, e o Rio Grande do Sul, 70%.

Pesquisadores da UFRPE comprovam trajetória do tubarão tigre, espécie que ataca nas praias de Pernambuco

Responsáveis por alguns dos 54 ataques a banhistas e surfistas em Pernambuco, nos últimos 20 anos, o tubarão tigre não costuma retornar aos locais onde esteve. E se deslocam do Sul para o Norte, nadando em zigue-zague.

A descoberta foi de estudiosos da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), que pesquisaram a trajetória desses animais para o Comitê Estadual de Monitoramente de Incidentes com Tubarão (Cemit).

Para se chegar aos resultados, os pesquisadore monitoraram 22 tubarões tigres. Capturados em áreas próximas às regiões dos ataques, os animais vinham sendo marcados eletronicamente desde 2004.

Os marcos acústicos possibilitaram comprovar que os tigres não voltam aos lugares em que estiveram. Cinco mil bipes foram registrados. E nenhum desses sinais vieram de equipamentos presos aos tubarões tigres.

“Todos os bipes sonoros foram de marcos instalados em tubarões lixas”, revelou o professor da UFRPE e presidente do Cemit, Fábio Hazin. Além dos 22 tubarões tigres, os estudiosos marcaram 112 lixas.

Os registros sonoros ocorreram porque 25 receptores foram instalados entre as praias do Paiva, no Cabo de Santo Agostinho, e a do Pina, no Recife.

O marco eletrônico que permite o monitoramento via satélite comprovou que os tigres nadam do Sul para o Norte e em zigue-zague. Eles se proximam da praia com a maré alta e se afastam com a maré baixa.

Quase 30% das escolas públicas da Região Metropolitana do Recife não têm água potável

O acesso à água é um direito universal.

Mas as comemorações do Dia Mundial da Água, ontem, mostraram que o acesso à água de boa qualidade está longe de ser realidade no Brasil.

A comprovação veio das escolas públicas da Região Metropolitana do Recife.

De 130 unidades pesquisadas, 35 não tinham água potável nas torneiras entre 2009 e 2011.

Isso significa 27% do total. Entre 2002 e 2008 o percentual era de 38%.

Os dados estão na pesquisa do Departamenteo de Antibióticos da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

O estudo indicou a presença de coliformes fecais em 42,8% das escola em que se detectou a distribuição de água contaminada.

Uma das causas da contaminação pode ter sido fezes de animais.

E o problema maior reside nos reservatórios. Algumas caixas d’água, cisternas e poços não tinham condições adequadas de higiene.

Quando as mudanças climáticas e a poluição matam

Pesquisa da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e do Hospital Albert Einstein reforça a relação entre doenças, mudanças climáticas e poluição.

A temperatura e a umidade, segundo o estudo, são fatores importantes na sazonalidade de algumas doenças.

Constatou-se uma menor mortalidade, entre 12.007 óbitos por infarto do miocárdio analisados, quando a temperatura ficava entre 21,6º C e 22,6ºC.

Também se registrou queda na mortalidade por infarto nos dias em que a umidade relativa do ar era maior.

A mortalidade aumentou em 3,4% nos dias de maior concentração de dióxido de carbono, um dos principais gases do efeito estufa.

Nos casos de AVC do tipo hemorrágico, verificou-se maior incidência quando existiu maior variação de temperatura no mesmo dia.

O estudo apontou que 40,1% das mortes entre pessoas acima de 65 anos, de maio a agosto, foram por doenças circulatórias.

No mesmo período, conforme a Agência Fapesp, as doenças respiratórias provocaram o óbito de 16,3% da população acima de 65 anos.

A temperatura é mais baixa na capital paulista entre maio e agosto.

Para chegar ao resultado da pesquisa, os estudiosos analisaram dados, fornecidos pela Secretaria Municipal de Saúde, de 2002 a 2006.