Baronesas invadem o Capibaribe

Ponte da Boa Vista, no Centro do Recife. Foto: Jailson da Paz/DP/D.A.Press

Ponte da Boa Vista, no Recife. Foto: Jailson da Paz/DP/D.A.Press

O Capibaribe praticamente mudou de cor hoje. As águas escuras amanheceram cobertas pelo verde das baronesas.

As plantas podiam ser vistas em quase todo o rio, no Recife.

Em alguns pontos, a baronesa era tanta que impedia ou dificultava a circulação de barcos, como na proximidade da BR-101.

A baronesa – também conhecida por aguapé e rainha-dos-lagos – foi empurrada em direção ao mar com as últimas chuvas.

Com propriedades filtrantes, a aguapé absorve elementos tóxicos em águas poluídas como as do Capibaribe. E se prolifera rapidamente.

Pesquisas da USP e na Unesp apontaram a importância da baronesa em lagos de jardim.

Nos lagos, a planta é usada por carpas, por exemplo, para desova.

De nome científico Eichornia crassipes, a baronesa dificultou a navegação hoje, mas atraiu olhares da população para o Capibaribe.

“É um fenômeno curioso essas plantas. O rio mais parece um tapete hoje”, disse a estudante Beatriz Lira, 19 anos, de câmera em punho.

A invasão da planta aquática é encarada por alguns estudiosos como possível problema para o projeto de navegabilidade do Capibaribe.

Agora é esperar para ver.

Afinal, o projeto de navegabilidade está a poucos meses de ser inaugurado e o de despoluição do rio pouco ou nada se fala.

Por conta da poluição, Barcelona vai reduzir circulação de veículos em 30%

Foto: Teresa Maia/DP/D.A.Press

Foto: Teresa Maia/DP/D.A.Press

Se fosse no Recife, eu aprovaria. Pena que não é. É em Barcelona.

A cidade espanhola decidiu reduzir em 30%, nos próximos cinco anos, o número de veículos que circulam em suas ruas.

Entre as razões está a qualidade do ar.

Os gases emitidos pelos automóveis representavam 70% dos poluentes atmosféricos emitidos, em 2011, pela metrópole catalã.

Por isso, a Comissão Europeia multou Barcelona em cerca de 500 mil euros.

A retirada dos carros na cidade espanhola passa por uma série de medidas, como o incentivo ao uso de bicicletas e do sistema de transporte público.

Havéra também o estímulo ao compartilhamento dos carros.

Outra medida prevista é a melhoriadas calçadas, o que possibilitaria aos pedestres viagens mais seguras.

Em 2011, 26,7% dos deslocamentos em Barcelona foram em carros,  39,9% em transportes públicos, 31,9% a pé e 1,5 em bicicletas.

A proposta da cidade catalã consta em seu Pacto pela Mobilidade.

E por aqui?

Por enquanto, guiando-se pela atual tendência, o Recife andará no sentido contrário. A frota local deve crescer perto de 30%.

Dados do Detran mostram que a frota da capital pernambucana aumentou em 57% entre 2000 e 2010. Na década anterior, 64%.

Falta de esgoto sanitário é uma das causas da contaminação do Capibaribe

Foto: Paulo Paiva/DP/D.A.Press

Palafitas no bairro da Torre, Recife. Foto: Paulo Paiva/DP/D.A.Press

A constatação de que o Capibaribe está contaminado por metais pesados alerta para os riscos socioambientais e exige a identificação das fontes poluidoras.

Não é tarefa difícil descobrir quem lança chumbo, mercúrio e zinco no rio.

Um passeio pelas margens do rio-símbolo do estado mostra no Recife, por exemplo, o quanto de esgoto e lixo domésticos sujam o Capibaribe.

Parte dessa sujeira vem de palafitas e casebres.

Mas há outras causas bem mais preocupantes, como os despejos industriais e a ausência de saneamento básico nas cidades ribeirinhas.

Raras cidades ao longo dos 240 quilômetros do rio, que banha 42 municípios pernambucanos, tratam o esgoto.

A capital serve bem de exemplo. Com cerca de 40% saneada, a “Veneza brasileira” despeja diariamente toneladas de material orgânico no Capibaribe.

O resultado não poderia ser diferente.

Em três quilômetros dragados até agora pelo projeto de navegabilidade, retirou-se 100 mil metros cúbicos de material contaminado.

Essa quantidade pode ser multiplicada por quase seis vezes, no mínimo, ao fim da dragagem dos 17 quilômetros previstos.

O projeto espera dragar 859 mil metros cúbicos de resíduos.

Detalhe: Tal volume é para se fazer um canal de navegação de 2,50 metros de profundidade e 36 metros de largura.

E o rio, como bem sabemos, é bem mais largo em vários pontos.

Esgoto doméstico é o maior poluidor do Rio Ipojuca

Em Caruaru, o Ipojuca lembra um canal. Foto: Teresa Maia/DP/D.A.Press

Em Caruaru, o Ipojuca lembra um canal. Foto: Teresa Maia/DP/D.A.Press

Quem conhece um pouco a história do Ipojuca sabe que a poluição do rio teve como um dos principais fatores a ausência do poder público.

Ao longo das últimas décadas, imóveis residenciais e industriais se instalaram ao longo da bacia do rio sem a devida fiscalização.

E o esgoto doméstico corresponde a 67% da carga orgânica que polui o rio.

Agora, com o contrato assinado nesta semana entre o estado e o BID, de US$ 330 milhões, espera-se reduzir a poluição.

Com o montante, equivalente a R$ 757 milhões, o principal objetivo é sanear 12 cidades localizadas às margens do Rio Ipojuca.

O programa de saneamento deve ser desenvolvido em seis anos.

Entre as metas do projeto estão previstas ações de preservação ambiental, como a recuperação das matas ciliares.

O Ipojuca, com 320 quilômetros de extensão, banha 25 municípios pernambucanos. E tem uma bacia hidrográfica de 3,4 quilômetros quadrados.

Ao sanear o rio, municípios como Caruaru, Pesqueira e Gravatá, no Agreste, Cabo de Santo Agostinho e Ipojuca, na Região Metropolitana, terão ganhos.

Estudo do IBGE indica o Ipojuca como o terceiro rio mais poluído do Brasil.

Terra esquenta, mas pesquisador alemão diz que não é o fim do mundo

Poluição, segundo Ulrich Glasmacher, tem agravado o efeito estufa. Foto: AFP/Mark Ralston

Poluição, segundo Glasmacher, tem agravado o efeito estufa. Foto: AFP/Mark Ralston

No Recife, o pesquisador alemão Ulrich Glasmacher, da Universidade de Heidelberg, rejeitou a tese de que as mudanças climáticas representam o fim do mundo.

O cientista disse que as alterações enfrentadas pela Terra são semelhantes às registradas há 350 milhões de anos, no período carbonífero.

A temperatura do planeta, segundo ele, não está aumentando se comparada com a de outros períodos. O que está havendo é uma oscilação.

“As temperaturas estão flutuando – sobem e descem – neste momento que vivemos”, disse durante a Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que acontece na UFPE.

Glasmacher afirmou que o efeito estufa é um fenômeno antigo e da própria natureza do universo, mas agravado pela poluição gerada pelo homem.

Para ele, mesmo que o homem venha a desaparecer não significa o fim da Terra. Falar em cenário fatal para o planeta, disse, é mentiroso e apenas serve para gerar medo.

O clima do planeta há 100 milhões de anos, descreveu ele, era muito diferente do atual. A hipótese dele é de que a Terrra era coberta por neve.

Há 60 milhões de anos, completou, o Brasil ainda era unido à parte da África e continuava coberto por uma camada de gelo.

E as florestas foram substituindo o gelo e originaram depósitos de carvão.

Cadê os peixes do Capibaribe?

Foto: Nando Chiappetta/DP/D.A.Press

Foto: Nando Chiappetta/DP/D.A.Press

A resposta para o título deste post, parodiando o Xote ecológico cantado por Luiz Gonzaga, é “poluição comeu”.

Quem comprova a veracidade da resposta são os pescadores que jogam suas redes nas águas do Capibaribe, no centro do Recife.

“Os peixes estão se acabando”, disse Bruno André Ferreira, 42 anos.

Há 20 anos, Bruno pesca nos paradeiros das pontes da cidade, como a 12 de Setembro, a antiga Ponte Giratória.

Quando começou a tirar o sustento do rio, ele conseguia 10 quilos de tainha por dia. Ele fica feliz hoje se conseguir “dois peixes e uns siris”.

No lugar de peixes, os pescadores frequentemente arrastam garrafas plásticas, calçados e eletrodomésticos velhos.

“É muito lixo”, resumiu José Adriano Fragoso, 39.

O Capibaribe, infelizmente, passou de rio-símbolo do estado para um lixão à espera de ações efetivas dos governos para ser despoluído.

Com informações de Anamaria Nascimento, do Diário de Pernambuco.

Lixão da Muribeca lança uma Ilha de Retiro de poluentes no rio e no mar

Ilha do Retiro, estádio do Sport Club Recife. Foto: Edvaldo Rodrigues/DP/ D.A.PRess

Foto: Edvaldo Rodrigues/DP/D.A.PRess

Embora  Localizado em Jaboatão, antigo lixão era administrado pelo Recife. FOto: Edvaldo Rodrigues/DP/D.A.Press

Foto: Edvaldo Rodrigues/DP/D.A.Press

A quantidade de chorume derramado pelo antigo Lixão da Muribeca no Rio Jaboatão, por ano, equivale a uma Ilha do Retiro.

O estádio do Sport Club Recife tem capacidade para 32.500 torcedores.

Quem fez a comparação foi Rodolfo Aureliano, gerente de Planejamento da Secretaria de Serviços Urbanos de Jaboatão dos Guararapes.

Mesmo desativado em 2009, o antigo lixão vinha produzindo cerca de 60 mil metros cúbicos de chorume por ano. Por hora, detalhou, são 7 metros cúbicos.

Nessa história, destacou Rodolfo, o chorume – um líquido altamente poluente e originário da decomposição dos resíduos – também estava poluente o mar.

O Rio Jaboatão desemboca nas praias de Barra de Jangada, em Jaboatão dos Guararapes, e do Paiva, no Cabo de Santo Agostinho.

Copa 2014: Recife é a cidade-sede que menos emitirá CO2

Das 12 cidades-sede da Copa 2014, o Recife é a que emitirá a menor quantidade de gás carbônico na atmosfera para receber os jogos.

O dado consta no Estudo de Impacto de Emissões em CO2 Equivalente da Copa 2014, elaborado pela consultoria Personal CO2Zero.

Segundo a pesquisa, o Recife lançará 104.794 toneladas de CO2 equivalente (tCO2e), que é a medida para calcular a emissão de gases de efeito estufa.

A emissão do dióxido de carbono é referente à construção dos estádios e aos investimentos em infraestrutura.

Estima-se que o Brasil emitirá 11.173.210 tCO2e por conta das obras da copa. Isso equivale a 46.946 hectares de floresta ou 34,5% do Pantanal.

A produção de gases durante a copa será de 3.017.440 tCO2. Ou seja, 12.678 hectares de florestaou 9,3% da área do Pantanal.

E o maior emissor de dióxido de gases será o transporte aéreo. As viagens de avião correspondem a 60% do lançamento de CO2.

O ranking de poluição por estádio indica o Castelão, que está sendo erguido em Fortaleza (CE), como o maior emissor de gases.

A Arena do Pantanal, em Cuiabá (Mato Grosso), é estádio que poluirá menos. Previsto para receber quatro jogos, ele emitirá 37,70 tCO2e.

Fonte: Agência Brasil

Perigo iminente

Dóris Maria Lima dos Santos, advogada

A Revolução Industrial iniciou-se no século XVIII, na Europa, mas especificamente na  Inglaterra, país pioneiro onde as fábricas começaram a se difundir, espalhando-se e operando várias mudanças, inclusive influenciando na imigração de diversos camponeses que moravam no campo e que foram trabalhar nas cidades.

Partindo de uma análise não muito profunda dos fatos, vamos concluir que a partir daquela época o ser humano já começava a pagar um preço muito alto pelo progresso.

Observando de uma maneira clara os fenômenos nefastos que vieram a surgir mais tarde, como por exemplo, o efeito estufa que trouxe grandes desastres ambientais ao nosso planeta, influenciando de maneira negativa ao nosso ecosistema, posto que, até as condições climáticas foram alteradas e aos poucos causando vários males à nossa mãe natureza, é preciso coragem e determinação para evitar que o que está ruim fique pior.

É preciso indagar e ouvir das autoridades constituídas respostas sensatas e objetivas  sobre quando vão parar para pensar  acerca da saúde da população do nosso país.

É com profunda preocupação que os estudiosos do assunto estão se posicionando sobre a construção das usinas termelétricas no nosso estado, porque sabem o efeito negativo que as mesmas trarão para a saúde do nosso povo.

É justo citar o pronunciamento  do professor do curso de Engenharia Elétrica da UFPE, Heitor Scalambrini Costa, o qual argumentou: “O empreendimento não trará vantagens econômicas e ambientais”, principalmente quando fica claro e sem sombra de dúvidas que a emissão de gases perigosos, cancerígenos, invadirão a atmosfera.

A saúde em larga escala no nosso país sobrevive de maneira sofrida, as classes menos favorecidas sofrem e na maioria das vezes ficam escravas de um sistema de assistência médica altamente precário, basta que visitemos diversas emergências da rede pública para que fiquemos estarrecidos com o que encontramos. Pessoas à espera de atendimento, deitadas no chão ou em macas espalhadas pelos corredores, o que infelizmente nos dá a impressão de que estamos num hospital de atendimento à vítimas de uma guerra.

Concordo com o professor Heitor Scalambrini Costa:”A sociedade precisa reagir”. O progresso deve existir a fim de proporcionar qualidade de vida ao indivíduo, e não colocar o mesmo na linha de frente, candidato a doenças que talvez a saúde pública não tenha condições de tratar.

Como cidadã, acredito que o mal deve ser extirpado pela raiz. Sempre é mais aconselhável prevenir do que remediar.

Fica aqui o alerta!

Recife, o maior poluidor da Bacia do Beberibe

De rio de águas limpas, o Beberibe, que deve ser revitalizado até 2014, foi transformado em um canal de dejetos.

E quem mais o polui?

Sem dúvida, Olinda e Recife.

Por duas razões. Ficam nos dois municípios a maioria das ocupações irregulares das margens e são elas que despejam esgotos no rio e em seus afluentes.

Isso é fácil de se perceber ao se denominar os afluentes. Entre eles, os canais da Malária e do Vasco da Gama e o Córrego do Euclides.

A contribuição do Recife para a poluição do rio fica mais clara quando analisamos a distribuição, por números, da Bacia do Beberibe.

Dos 81 quilômetros quadrados da bacia, 65% estão na capital pernambucana. Olinda corresponde a 21%, enquanto Camaragibe por apenas 14%.

O rio nasce entre os municípios de São Lourenço da Mata e Olinda, em um pequeno olho d’água, nas matas dos antigos engenhos Massiape e Timbó.