Óleo de cozinha utilizado em Fernando de Noronha será transformado em sabão

O arquipélago de Fernando de Noronha corre atrás do prejuízo.

Sem um programa de coleta seletiva para o óleo de cozinha, o produto vem sendo descartado inadequadamente há décadas. São centenas de litros por mês.

E os resultados, que um programa iniciado nesta semana tenta resolver, são o entupimento de galerias e a contaminação do solo e de fontes de água.

O programa vai criar uma rede de coleta em todo o arquipélago.

Começaram a ser distribuídos, paralelamente, coletores plásticos para as residências, restaurantes e pousadas da ilha.

Garrafas PET estão sendo entregues nas cerca de 500 residências.

Quando cheias do óleo utilizado em frituras, essas garrafas devem ser levadas para nove grandes coletores instalados em pontos estratégicos.

Os grandes coletores têm capacidade para 100 litros de óleo.

“Também serão entregues bombonas, com capacidade de 50 litros, aos restaurantes e pousadas”, disse o coordenador de Meio Ambiente do arquipélago, Alexandre Lopes.

Essas bombonas plásticas comportam 50 litros cada uma.

O óleo recolhido será trazido para o Recife duas vezes por mês, via navio, seguindo o cronograma de envio de resíduos da ilha para o continente.

A expectativa é recolher mensalmente entre 1.000 e 1.500 litros do material.

Tudo será reciclado pela Asa, indústria que utilizará o óleo de cozinha como produto para a fabricação de sabão.

Os recursos gerados com a reciclagem do óleo serão destinados para a Fundação Alice Figueira de apoio ao Imip.

No Oscar, até o tapete é reciclado

Quem diria que a cerimônia de entrega do Oscar, sinônimo de luxo, adotaria ações sustentáveis? Mas adotou.

Símbolo da festa, o tapete vermelho serve de exemplo.

O tapete, além de confeccionado em material reciclável, foi usado pela segunda consecutiva.

Os organizadores também se comprometeram em reciclar 70% do lixo gerado na cerimônia deste ano.

As garragas de água descartáveis foram abolidas pelo pessoal da produção e da transmissão do evento. Optou-se por garrafas reutilizáveis.

A preocupação se estendeu ao cardápio, montado com alimentos fornecidos por produtores locais. Ao fazer isso, a emissão de gases de efeito estufa é reduzida.

O consumo de energia também entrou nas ações para o Oscar 2013.

Parte da eletricidade veio de fontes renovávies, a exemplo de biocombustível, combustão de hidrogênio e energia eólica.

As estratégias de sustentabilidade foram elaboradas por Allen Heshkowitz, pesquisador da Natural Resources Defense Council.

Fonte: Earth Techling

Galpões são bons, mas não bastam

É elogiável a construção de um galpão de triagem de resíduos recicláveis, como anunciou a Prefeitura do Recife. Será o quinto a funcionar na cidade.

Mas galpões só não bastam para o bom funcionamento de um programa de coleta seletiva, o que anda capenga por aqui.

Prova é que o recolhimento de material reciclável pelos catadores costuma ser nas ruas, abrindo-se sacolas e lixeiras. Nelas, tudo é jogado sem separação adequada.

Em síntese: não há estímulo para a população colaborar com a reciclagem. Faltam campanhas educativas e pontos de coleta.

A esperança para melhoria desse cenário vem das exigências da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).

A política, sancionada pelo ex-presidente Lula, em 2010, determina agosto de 2014 como limite para os municípios terem aterros sanitários e a coleta seletiva funcionando.

Sem isso, os municípios estarão impedidos de receber recursos federais para projetos relacionados aos resíduos sólidos. A União é o maior financiadora dessa área no Brasil.

E o novo governo municipal já se deu conta disso.

Não por acaso, o prefeito Geraldo Júlio anunciou que prentende sair dos atuais quatro para 12 galpões em sua gestão, prevista para terminar em 2016.

O quinto galpão deve ser construído em, no máximo, oito meses e será utilizado por 100 catadores dos arredores do Canal do Arruda.

Um dos beneficiados será Alexandro Lira, 35 anos, que hoje recolhe e separa os produtos recicláveis nas ruas.

Nordeste possui apenas 8,8% das recicladoras de plástico

A pesquisa encomendada pelo Plastivida Instituto Sócio-ambiental dos Plásticos reforçou o que outros estudos comprovaram: o Nordeste está muito aquém do ideal no quesito reciclagem.

Em 2011, a região reciclou apenas 9,9% do plástico pós-consumo.

O índice é quase seis vezes menor do que o do Sudeste, que registrou 55,5%, e cerca de três vezes inferior ao do Sul, com 27,7%.

As situações do Centro-Oeste (5,4%) e do Norte (1,5%) são as piores.

Tais diferenças impressionam ainda quando consideradas a quantidade de toneladas.

Nesse quesito, o Nordeste aparece com 94.237 toneladas contra 385.146 do Sudeste e 213.433 do Sul.

Os números refletem, entre alguns fatores, o quadro industrial das regiões.

Enquanto o Sudeste concentra 52,4% das recicladoras de plástico e o Sul 34,2%, o Nordeste possui 8,8% das 815 empresas do ramo.

Centro-Oeste e Norte aparecem nas piores colocações, com 3,9% e 0,6% respectivamente.

Há um fator  bem mais preocupante do que o quadro industrial.

A grande maioria dos municípios não possuem programas de coleta seletiva do lixo.

Por conta disso, os lixões crescem e as empresas estão reciclando plástico abaixo da capacidade produtiva instalada.

No Brasil, apenas 443 municípios dos 5.565 fazem coleta seletiva.

Aumenta reciclagem de plástico no Brasil

Ainda existe um longo caminho para o Brasil atingir o ideal em reciclagem, mas aos poucos estamos avançando.

Pesquisa encomendada e divulgada recentemente pelo Plastivida Instituto Sócio-ambiental dos Plásticos aponta para isso.

Em 2011,  21,7%  de todo o plástico pós-consumo foi mecanicamente reciclado.

O percentual, superior ao de 2010, coloca o país entre os maiores recicladores do mundo. Em 2010, reciclou-se 19,4%.

À nossa frente há países como Suécia (35%), Alemanha e Noruega (33%), Bélgica (29,2%), e Dinamarca (24%).

Em número absoluto, 815 recicladoras brasileiras reaproveiraram 736.437 toneladas de plástico no ano passado.

As 815 representam um crescimento de 65,31% na quantidade de recicladoras se comparado como os dados  oito anos atrás, quando havia 493 empresas.

Para o meio ambiente, os ganhos são inegáveis. Para economia, idem.

As 736.437 toneladas reaproveitadas resultaram no faturamento de R$ 2,4 bilhões e em 22,7 mil empregos.

Supermercado verde atrai curiosos em Jaboatão

O conceito de supermercado verde demorou  aportar em Pernambuco. Criado nos anos 1970, nos Estados Unidos, chegou por aqui  no fim do mês passado e tem atraído curiosos e  gente preocupada com o meio ambiente.

Alguns aspectos chamam a atenção de quem esteve na loja do Pão de Açúcar,  na Avenida Bernardo Vieira de Melo, Piedade, em Jaboatão dos Guararapes. A sétima loja desse tipo no Brasil e a primeira no Nordeste.

Um deles é a possibilidade de descartar ainda no supermercado as embalagens de plástico e papel que não precisam ser levadas para casa, a exemplo das caixas de creme dental. O descarte é feito nas chamadas caixas verdes que ficam nos caixas.

Os produtos orgânicos também despertam a curiosidade. Há nas gôndolas de cada seção um espaço destinado aos produtos ônganicos, o que facilita encontrá-los, fugindo-se da lógica da maioria dos supermercados de concentrar os orgânicos em um lugar.

O visual dos móveis do supermercado é outro aspecto diferente. As peças de madeira foram confeccionadas de árvores de reflorestamento.

Há ainda, como já fazem outras poucas redes, a venda de sacolas reutilizáveis,  lugar específico para estacionamento de bicicletas e a estação de reciclagem. Na estação, o cliente pode deixar papel, plástico, metal, vidro.

O Pão de Açúcar pretende abrir novas lojas na região – isso no próximo ano - e  os concorrentes começaram a olhar o nicho como promissor.

Quase 500 mil toneladas de pneus são recicladas no Brasil

Ainda não é o ideal, mas o Brasil está no caminho certo da reciclagem de pneus.

Em 2011, segundo relatório divulgado pelo Ibama, 85% dos pneus classificados como inservíveis tiveram uma destinação adequada.

A meta estabelecida era reciclar 545.810,67 toneladas de pneus, alcançando-se 462.457,19 toneladas.

Ao se fazer isso, os fabricantes nacionais e as importadoras de pneus atendem à Resolução nº 416, de 2009, do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama).

O documento do Conama determina a criação de pontos de coleta dos pneus inservíveis nos municípios com mais de 100 mil habitantes.

Para reciclar os pneus, as empresas usaram diversos tipos de tecnologias.

Entre elas, a laminação, que é o processo de fabricação de artefatos de borracha, e a moagem dos pneus para a fabricação de borracha, aproveitando-se o aço.

O relatório do Ibama, divulgado nesta semana, é baseado em informações de 17 indústrias e 436 importadoras nacionais.

Da madeira à energia solar

Alguns países, estados e cidades não apenas expuseram os seus projetos voltados para a sustentabilidade, na Rio+20, como procuram mostrar isso na confecção dos estandes.

Os italianos capricharam. Em um dos maiores estandes montados no Parque dos Atletas, na Barra da Tijuca, eles usaram produtos de fácil reuso e reciclagem.

No interior do estande, a Itália usou papelão, cordas e caixas de madeira. As centenas de caixas, usadas para o transporte de verduras, formavam paredes.

O melhor no quesito preservação ambiental do estande estava na parte externa.

Três das quatro fachadas do projeto italiano foram transformadas em painéis solares. A energia gerada era empregada no próprio estande.

O governo do estado do Rio de Janeiro também considerou a sustentabilidade.

As fachadas do estande fluminense foram montadas com paletes, que são usados por empilhadeiras nas operações de transporte e armazenamento.

Pernambuco optou pelo papelão. Paredes, cadeiras, bancos e até o mapa do estado foi feito com esse produto de fácil reuso e reciclável.

Os estantes foram montados no Parque dos Atletas, na Barra da Tijuca.

Pequenas empresas tornam-se “verdes”

No caminho da sustentabilidade, as pequenas empresas no Brasil têm andado por caminhos aparentemente sem volta.

Quem mostra isso são os números da Sebrae.

Eles apontam que 81,7% dos pequenos empreendimentos incluíram o controle do consumo de energia entre suas prioridades.

80,6% delas, por sua vez, passaram a controlar o consumo de água.

Atitude semelhante foi adotada por 70,4% das empresas em relação ao consumo de papel.

A opção pela coletiva seletiva está presente em 70,2% delas, mas o uso adequado dos resíduos sólidos ficou um pouco abaixo: 65,5%.

Por trás dos dados, a preocupação com o meio ambiente conta, mas o peso maior vem do retorno econômico.

Há casos, como mostrou reportagem de Rosa Falcão, do Diario de Pernambuco,  em que a empresa reduziu o consumo de água em 40%.

Foi o exemplo da pousada Beco de Noronha, em Fernando de Noronha.

A pousada usa as torneiras de vazão e energia solar para aquecer a água do chuveiro elétrico.

Edifícios podem ser obrigados a reutilizar a água

Os edifícios, privados ou públicos, deverão ser obrigados a instalar sistemas de coleta, tratamento e reutilização da água.

O projeto que trata do assunto, o 2457/2011, está sendo analisado pela Câmara dos Deputados. A proposta passou pelo crivo do Senado.

Caso aprovado, o projeto determina a coleta, tratamento de água da chuva e de água servida (usada em banho e máquina de lavar, por exemplo).

Mas o sistema, segundo a proposta, somente deverá ser instalado se houver viabilidade técnica e econômica.

Do contrário, os prédios terão que implementar medidas compensatórias pelo uso da água.

As compensações devem atender a metas de redução do consumo estabelecidas pelos municípios.

Esses são responsáveis, segundo a Constituição Federal, por planejar e executar a política de desenvolvimento urbano.

O projeto, conforme a Agência Câmara de Notícias, está sendo analisado na Comissão de Meio Ambiente da Câmara.