Chuvas com mais de 100 milímetros duplicaram no Recife

Foto: Teresa Maia/DP/D.A.Press

Foto: Teresa Maia/DP/D.A.Press

A média de chuvas acima de 100 milímetros em 24 horas praticamente duplicou, no Recife, se comparado o presente com as décadas de 1960 e 1970.

Antes, registrava-se em um dois casos desse tipo por ano. A quantidade subiu para até quatro eventos a partir de 1985.

Os números constam na tese Impactos socieconômicos e ambientais dos desastres associados às chuvas na cidade do Recife, da meteorologista e professora da UFRPE Werônica Meira.

A pesquisadora identificou em seu estudo um aumento de precipitações acima de 150 milímetros em dois dias.

Exemplo parecido ocorreu, na semana passada, no Recife. Choveu 130 milímetros em cerca de cinco horas da madrugada e da manhã da sexta-feira.

Problemas assim, segundo Werônica, afetam mais as áreas probres, embora as ricas também sofram com a ocorrência dos eventos extremos.

O Ibura lidera o ranking dos bairros mais afetados por desastres. Nova Descoberta e Linha do Tiro aparecem, respectivamente, em seguida.

Werônica define como eventos extremos as chuvas superiores a 55,3 milímetros em 24 horas.

Calor no estacionamento do Shopping Recife chega aos 38,4°C

Muito asfalto e pouco verde contribuem para altas temperaturas no estacionamento do Shopping Recife. Foto: Paulo paiva/DP/D.A.Press

Muito asfalto e pouco verde contribuem para altas temperaturas no estacionamento do Shopping Recife. Foto: Paulo Paiva/DP/D.A.Press

O aeroporto, na Imbiribeira, e o estacionamento descoberto do Shopping Recife, em Boa Viagem, são os lugares mais quentes da capital pernambucana.

No estacionamento do centro comerial, a temperatura teve um acrécismo de 11,4°C entre 1998 e 2011, quando o calor atingiu 38,4°C.

A temperatura da superfície externa e do telhado do aeroporto alcançou 38,9°C em 2011, o que representa 7,9°C a mais do que o registro de 13 anos atrás.

Essas variações foram verificadas no estudo Balanço de energia na cidade do Recife, de Elvis Bergue, doutorando em geografia pela UFPE.

Bergue, que aponta os bairros mais urbanizados como os mais quentes do Recife,  elaborou seis mapas de temperatura com base em imagens de satélite.

Os registros do satélite (Landsat – 5 TM) foram feitos em dias de julho e agosto de 1998, 2000, 2006, 2007, 2010 e 2011. Sempre às 9h.

Mapas de temperatura também incluem os galpões do Bairro do Recife, próximos ao Forte do Brum, na lista das ilhas de calor da cidade.

Temperatura média de Boa Viagem aumentou 10°C em 13 anos

Excesso de prédios contribuem para a formação de ilhas de calor em Boa Viagem. Foto: Teresa Maia/DP/D.A.Press

Excesso de prédios contribui para a formação de ilhas de calor em Boa Viagem. Foto: Teresa Maia/DP/D.A.Press

A temperatura média em Boa Viagem, no Recife, aumentou 10°C em 13 anos.

Em 1998, a média era de 22°C no bairro, saltando para 32°C em 2011.

Os números constam em mapas de temperatura elaborados pelo pesquisador e doutorando em Geografia pela UFPE, Elvis Bergue.

Os mapas foram feitos com base em imagens do satélite Landsat – 5 TM.

“Essas imagens refletem um momento do Recife”, frisou Elvis.

O Landsat registrou as imagens sempre das 9h, de um dia de julho ou agosto, de seis anos de três décadas: 1998, 2000, 2006, 2007, 2010 e 2011.

Por trás do aumento da temperatura existe uma série de fatores.

Dois dos principais são o aumento a urbanização e verticalização da cidade.

Isso tem levado à substituição do solo natural por asfalto e concreto, o que muito contribui para o surgimento de ilhas de calor.

A urbanização fez aumentar os telhados de zinco, alumínio e amianto.

“O asfalto e esses tipos de telhados refletem pouca radiação e armezanam calor,  elevando a temperatura”, exemplicou o estudioso.

Boa Viagem foi o bairro recifense que registrou o maior aumento de temperatura, segundo os mapas, seguido da Imbiribeira, com 9°C.

Santo Amaro, Santo Antônio e São José apresentaram variações de 8°C.

Os mapas serão parte da tese de Elvis, a ser defendida em março de 2014.

Cadê os peixes do Capibaribe?

Foto: Nando Chiappetta/DP/D.A.Press

Foto: Nando Chiappetta/DP/D.A.Press

A resposta para o título deste post, parodiando o Xote ecológico cantado por Luiz Gonzaga, é “poluição comeu”.

Quem comprova a veracidade da resposta são os pescadores que jogam suas redes nas águas do Capibaribe, no centro do Recife.

“Os peixes estão se acabando”, disse Bruno André Ferreira, 42 anos.

Há 20 anos, Bruno pesca nos paradeiros das pontes da cidade, como a 12 de Setembro, a antiga Ponte Giratória.

Quando começou a tirar o sustento do rio, ele conseguia 10 quilos de tainha por dia. Ele fica feliz hoje se conseguir “dois peixes e uns siris”.

No lugar de peixes, os pescadores frequentemente arrastam garrafas plásticas, calçados e eletrodomésticos velhos.

“É muito lixo”, resumiu José Adriano Fragoso, 39.

O Capibaribe, infelizmente, passou de rio-símbolo do estado para um lixão à espera de ações efetivas dos governos para ser despoluído.

Com informações de Anamaria Nascimento, do Diário de Pernambuco.

Telhado convencional é 2,2 vezes mais quente que o telhado verde

Varanda de prédio na esquina das ruas do Riachuelo com a Saudade, na Boa Vista, Recife. Foto: Paulo Paiva/DP/D.A.Press.

A temperatura média de um telhado verde é, em média, 2,4 vezes menor do que a tempeturatura em telhados convencionais.

Estudos mostram que os telhados convencionais registram a média 60º C, enquanto os verdes anotam uma média de 25ºC.

O telhado verde é uma cobertura vegetal feita com grama ou plantas que pode ser instalada sobre lajes ou telhados convencionais.

A ocupação do telhado com plantas, segundo o arquitetro Luiz Rangel, traz mais benefícios ambientais do que as intervenções nas jardineiras.

Rangel, que concedeu entrevista a repórter Alice de Souza, do Diario, integra o Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Pernambuco.

Um dos primeiros especialistas a propor a transferência da vegetação para o topo dos prédios, pontuou Rangel, foi arquiteto Le Corbusier, nos anos 1920.

Um jardim com palmeiras, jasmin e laranjeira. Isso no 9º andar

Foto: Isaac Azoubel

Foto: Isaac Azoubel/Divulgação

Embora não tenha projetos de telhados verdes implantados, o Recife possui bons exemplos de varandas verdes.

O primeiro prédio recifense a aliar jardinagem à construção vertical, foi o Villa Mariana, em Parnamirim. E há cerca de 30 anos

Com nove andares, o Villa Mariana disponibiliza uma jardineira para cada pavimento, enquanto na cobertura o espaço verde é integrado à varanda.

O arquiteto Isaac Azoubel mora em um dos apartamentes. Na varanda, além do mobiliário, há um gramado com três palmeiras, laranjeira e jasmin.

Para manter e diversificar as espécies, detalhou Azoubel, a profundidade do solo do jardim foi ampliado para 25 centímetros.

“Precisamos podar uma vez por mês, ma é um trabalho que compensa pelos benefícios. Funciona como terapia”, avaliou o arquiteto.

Não por acaso, a varanda do apartamentope o local preferido para encontro com os amigos e festa de família. O verde faz a diferença.

Com informações de Alice de Souza, repórter do Diário de Pernambuco.

Telhado verde: Recife deveria imitar Curitiba e Rio de Janeiro

Com o aumento da temperatura no Recife, está na hora do Executivo e do Legislativo municipais pensarem, a exemplo de Curitiba e do Rio de Janeiro, em leis com incentivos fiscais para construções que adotem telhados verdes.

Essa tecnologia não é solução única para o enfrentamento dos efeitos das mudanças climáticas na cidade. Mas ajudará no combate às ilhas de calor que, com os espigões de concreto e a cobertura do solo com asfalto, aumentam.

No Recife, projetos estão sendo tocados por vontade exclusiva dos proprietários de imóveis. E o poder público? Nada debate.

Diante disso, as iniciativas privadas estão sendo planejadas por questões estéticas em alguns casos. Noutros, por se saber que o verde ameniza o calor.

A SkyGarden, uma das duas empresas que atuam no ramo no Recife, trabalha, no momento, com cerca de 20 projetos.

É comprovado que o telhado verde reduz as temperaturas interna do imóvel e do seu entorno, bem como ameniza a propagação do som.

Dependendo do que for plantado, ele ajuda a diminuir a poluição.

Para lembrar, o telhado verde não é algo novo no Brasil. O projeto pioneiro data de 1936, no Rio de Janeiro, no prédio do Ministério da Educação.

Quem está jogando metralhas nas margens do Capibaribe?

Os despejos de metralhas nas margens do Rio Capibaribe, no Poço da Panela, é coisa antiga. A Emlurb classifica o ponto na Rua Marquês de Tamandaré como crítico.

Surgem as perguntas: Por que nunca se resolveu esse problema, que dura anos? Faltou campanha educativa ou fiscalização? Ou as duas?

Não há obstáculos intransponíveis para se descobrir a autoria das infrações.

Os moradores da área costumam ver veículos, de pequenos a grandes, inclusive carros de mão, despejarem gesso, cimento, cerâmica.

As quantidades descartadas apontam para pequenas construções e reformas.

Foi nesse sentido que o diretor de Meio Ambiente do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Pernambuco, Serapião Bispo, também apontou.

O argumento de Serapião é o rigor da lei para as grandes construtoras.

Essas, segundo a legislação, precisam apresentar um plano de recolhimento de resíduos sólidos para obter a licença de construção e o Habite-se.

“A maior parte dos resíduos sólidos diários é produzido pelo pequeno gerador”, atestou o diretor sindical.

Então, aplique-se a lei aos infratores. E lei não falta ao Recife.

A Lei Municipal 16.377, de 1998, prevê multa para o descarte irregular de lixo de construção, demolição, terraplanagem, desaterro, podação e jardinagem em vias públicas.

É considerado irregular o descarte acima de 0,30 metros cúbicos, o equivalente a 300 litros de resíduos sólidos.

Margens do Capibaribe, no Poço da Panela, viram lixão

Foto: Nando Chiappetta/DP/D.A.Press

Foto: Nando Chiappetta/DP/D.A.Press

As margens do Rio Capibaribe virou um grande depósito de lixo na Rua Marquês de Tamandaré, no Poço da Panela, Recife. A quantidade de resíduos sólidos despejados irregularmente aumentou bastante nos últimos dias.

Na área, pode-se ver montes de cerâmica, gesso, telhas, móveis velhos, pedaços de eletrodomésticos e louças sanitárias.

Além disso, o lugar passou a servir de casa para moradores de ruas, que fixaram moradoria sob uma árvore.

Os despejos costumam ser feitos à noite.Nesse período, veículos carregados de metralhas fazem descargas rapidamente.

Os moradores do Condomínio Villa Pasárgada, cujos fundos ficam junto ao terreno, já flagraram veículos de vários tamanhos praticando esse tipo de irregularidade. Desde caminhonetes a  caminhões.

Nos últimos dias, dois homens tentaram disfarçar a irregularidade utilizando
carros de mão. “Eles jogaram o lixo durante quase três horas. Começaram por
volta das 19h e terminaram por volta das 22h”, disse Regina Guerra,
moradora do Condomínio Villa Pasárgada, onde residem 108 famílias.

A ocupação indevida das margens do Capibaribe não é coisa recente.

Por mais de uma vez, revelou a síndica do Villa Pasárgada, Fátima Breckenfelf, os moradores denunciaram o caso ao governo municípal.

Uma das últimas denúncias feitas ao governo municipal data de 25 de março
deste ano. Dias depois, um caminhão da Emlurb esteve no lugar para fazer recolhimento dos entulhos, mas levou apenas materiais de podas de árvores. No dia 19 destemês, outra reclamação foi protocolada.

Com os despejos irregulares, vieram os moradores de rua.

No terreno, eles cozinham, dormem e estocam materiais recicláveis. Parte do que negociam, como metais, são encontrados no lixão improvisado.

Problema semelhante existe no cruzamento da Rua dos Arcos com a Rua Luiz
Guimarães, no Poço da Panela. Caminhões jogam frequentemente metralhas, restos de móveis, janelas e portas. A infração é normalmente praticada durante à noite. De preferência nas madrugadas.

Os constantes despejos de lixo na Rua Marquês de Tamandaré levaram a Emlurb a classificar o lugar como um ponto crítico de descarga irregular.

Segundo a assessoria de imprensa da Emlurb, o terreno às margens do rio deve ser limpo ainda nesta semana. Serão utilizadas pás mecânicas e caçambas.

Quatro anos após fechamento, Lixão da Muribeca terá chorume tratado

Parece perto do fim o crime ambiental que resulta no lançamento diário de 150 metros cúbicos de chorume, um líquido poluente, no Rio Jaboatão.

O controle do líquido gerado pelo antigo Lixão da Muribeca, segundo um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado em 2008, caberia à Prefeitura do Recife.

De lá para cá, nada foi feito nesse sentido.

Em reunião na CPRH, nesta terça-feira, a Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife (Emlurb) apresentou um plano para tratar do chorume.

A proposta é transportar o líquido, via dutos, até à Central de Tratamento de Resíduos (CTR) Candeias, localizada a metros do antigo lixão.

Na CTR, o chorume receberá o tratamento adequado.

“Isso estava previsto para fevereiro, mas não foi possível por problemas operacionais”, disse o presidente da Emlurb, Antônio Barboza.

A nova data para o começo da operação é 2 de maio.

Segundo Barboza, o chorume não está sendo lançado no rio desde o último dia 9, quando o produto começou a ser estocado em lagoas de decantação.

“A solução apresentada pelo Recife é bastante razoável e possível de ser executada”, avaliou o Rodolfo Aureliano, gerente de Planejamento da Secretaria de Serviços Urbanos de Jaboatão dos Guararapes.

Uma das preocupações, argumentou Rodolfo, é se o plano evitaria despejos de chorume em tempos de chuva. O assunto será discutido nos próximos dias.

O TAC para o fechamento e posterior monitoramento do Lixão da Muribeca foi firmado pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE), governo do estado e as prefeituras do Recife e de Jaboatão dos Guararapes.