Lixão da Muribeca lança uma Ilha de Retiro de poluentes no rio e no mar

Ilha do Retiro, estádio do Sport Club Recife. Foto: Edvaldo Rodrigues/DP/ D.A.PRess

Foto: Edvaldo Rodrigues/DP/D.A.PRess

Embora  Localizado em Jaboatão, antigo lixão era administrado pelo Recife. FOto: Edvaldo Rodrigues/DP/D.A.Press

Foto: Edvaldo Rodrigues/DP/D.A.Press

A quantidade de chorume derramado pelo antigo Lixão da Muribeca no Rio Jaboatão, por ano, equivale a uma Ilha do Retiro.

O estádio do Sport Club Recife tem capacidade para 32.500 torcedores.

Quem fez a comparação foi Rodolfo Aureliano, gerente de Planejamento da Secretaria de Serviços Urbanos de Jaboatão dos Guararapes.

Mesmo desativado em 2009, o antigo lixão vinha produzindo cerca de 60 mil metros cúbicos de chorume por ano. Por hora, detalhou, são 7 metros cúbicos.

Nessa história, destacou Rodolfo, o chorume – um líquido altamente poluente e originário da decomposição dos resíduos – também estava poluente o mar.

O Rio Jaboatão desemboca nas praias de Barra de Jangada, em Jaboatão dos Guararapes, e do Paiva, no Cabo de Santo Agostinho.

Quatro anos após fechamento, Lixão da Muribeca terá chorume tratado

Parece perto do fim o crime ambiental que resulta no lançamento diário de 150 metros cúbicos de chorume, um líquido poluente, no Rio Jaboatão.

O controle do líquido gerado pelo antigo Lixão da Muribeca, segundo um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado em 2008, caberia à Prefeitura do Recife.

De lá para cá, nada foi feito nesse sentido.

Em reunião na CPRH, nesta terça-feira, a Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife (Emlurb) apresentou um plano para tratar do chorume.

A proposta é transportar o líquido, via dutos, até à Central de Tratamento de Resíduos (CTR) Candeias, localizada a metros do antigo lixão.

Na CTR, o chorume receberá o tratamento adequado.

“Isso estava previsto para fevereiro, mas não foi possível por problemas operacionais”, disse o presidente da Emlurb, Antônio Barboza.

A nova data para o começo da operação é 2 de maio.

Segundo Barboza, o chorume não está sendo lançado no rio desde o último dia 9, quando o produto começou a ser estocado em lagoas de decantação.

“A solução apresentada pelo Recife é bastante razoável e possível de ser executada”, avaliou o Rodolfo Aureliano, gerente de Planejamento da Secretaria de Serviços Urbanos de Jaboatão dos Guararapes.

Uma das preocupações, argumentou Rodolfo, é se o plano evitaria despejos de chorume em tempos de chuva. O assunto será discutido nos próximos dias.

O TAC para o fechamento e posterior monitoramento do Lixão da Muribeca foi firmado pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE), governo do estado e as prefeituras do Recife e de Jaboatão dos Guararapes.

O São Francisco no ritmo do frevo

Tenho dúvida se o desfile do Galo da Madrugada deste ano, com o tema O Rio São Francisco deságua no mar do frevo, despertou algum folião da importância ambiental de se preservar o Velho Chico.

Se isso aconteceu, a escolha do tema cumpriu papel importante. Afinal, embora alguns digam que conscientizar não é tarefa da cultura, acredito que também é. A cultura, em qualquer contexto, nunca se findou em si.

Se nenhum folião despertou para o assunto que seja perdoado. Muitos, no meio da manhã, estavam embriagados e movidos ao som do frevo.

Mesmo assim, pouco ou nada custaria aos artistas terem falado sobre o Velho Chico assoreado e poluído. E não se limitarem a generalidades.

Também esses, por estarmos no Carnaval, estão perdoados. No entanto, depois da Quarta-feira de Cinzas devem fazer penitência. Refletirem sobre o quanto podem contribuir para esse debate. Para isso ainda há tempo.

Inegável foi a beleza do desfile. Nessa festa de trios elétricos e cantores renomados, os anônimos fizeram a diferença, animados e de celular em punho para registrarem a cara dos astros e dos carros alegóricos.

Os carros ilustraram o valor do São Francisco para a pesca, o transporte e a produção de energia elétrica. Para tais elementos serem fortalecidos, preciso é cuidar do rio. O mesmo vale para o Carnaval. As lições de um ano podem melhorar a brincadeira seguinte. Que venha o Galo de 2014.

Mangue será derrubado para implantação do VLT

O projeto de requalificação, recuperação e duplicação do trecho ferroviário entre Cajueiro Seco, em Jaboatão dos Guararapes, e o Cabo de Santo Agostinho vai exigir a derrubada de 1,046 hectares da vegetação nativa.

As obras serão para se implantar o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), sistema que interligará a Linha Sul do Metrô do Recife ao centro do Cabo e ao Porto de Suape.

A  maior perda de vegetação será no estuário do Rio Jaboatão, onde está previsto a retirada de 0,8936 hectares de mangue, enquanto a menor será na Área de Preservação Permanente(APP) do Rio Pirapama.

A autorização foi dada pelo governvo do estado através do Projeto de Lei Ordinária 1049/2012, que teve o aval da Assembleia Legislativa.

Mas a supressão, segundo o projeto, está condicionada à preservação ou recuperação de ecossistema semelhante. E isso deve ser feito, no mínimo, em uma área do tamanho da que deve ser destruída.

Como as leis, no Brasil, costumam ficar somente no papel é bom ficarmos atentos. Afinal, há exemplos de empresas e órgãos governamentais que assumem compromissos e adiam as compensações ambientais por longos anos.

A compensação ambiental está prevista na Lei 11.206/1995.

Resíduos da dragagem do Capibaribe serão analisados

A dragagem do Capibaribe, no Recife, exigirá uma estrutura específica para tratar dos resíduos contaminados que forem retirados do rio.

Por questões ambientais,  o material terá que ser levado, no primeiro momento, para uma bacia de contenção no bairro de Dois Irmãos.

Os resíduos devem permanecer, em períodos sem chuva, entre seis e 15 dias na bacia. Esse é o tempo suficiente para que os líquidos escoem da  lama.

Se chover, o tempo de permanência do material será bem maior.

Mesmo secos, os resíduos contaminados somente poderão seguir para o aterro sanitário, em Igarassu, após análises laboratoriais.

“Um laboratório será montado para atender a demanda”, antecipou a secretária executiva de Articulação Institucional e Captação de Recursos da Secretaria das Cidades de Pernambuco, Ana Suassuna.

A estimativa é que 40% dos resíduos da dragagem estejam contaminados por substâncias como metais pesados e oriundas de esgotos.

Esse percentual representa 340 mil metros cúbicos.

Para tornar o Capibaribe navegável, o edital de licitação da dragagem, lançado pelo estado, prevê a retirada de 859 mil metros cúbicos de resíduos do rio.

A retirada do material está programada para começar em outubro.

Exemplo que vem de Goiana

Moradores de Goiana, na Mata Norte, criaram estratégias para impedir que lixo seja jogado no Canal Baldo do Rio, um braço do Rio Goiana.

Eles transformaram tambores de máquinas de lavar, que seriam descartados, em lixeiras. As peças estão sendo colocadas nas margens do canal.

A dona de casa Jamilda Ferreira dos Santos, 36, improvisou uma dessas lixeiras. Existe quase uma dezena delas na rua de Jamilda.

“Dá para colocar pelo menos seis sacolas de lixo no tambor”, contabiliza.

Jamilda resolveu agir depois de ter sofrido com a enchente do ano passado, tendo o nível do Rio Goiana ficado acima de um metro dentro de casa.

Quando a água baixou, relembra, ficou muita lama e lixo.

O Baldo do Rio está tomado, ainda hoje, lixo. É possível ver pneus, bicicletas, sacolas plásticas, móveis e eletrodomésticos.

O mar não está pra peixe…

Luiz Augusto, prático da barra

Nas nossas praias nordestinas, era comum termos que lavar os pés, com querosene ou gasolina, para retirar o “piche” que inevitavelmente pegava nas solas de nossos pés. Era um Deus nos acuda, um transtorno para carros, sapatos e tapetes nas casas.

A Legislação mundial e a brasileira, além das convenções internacionais, sempre existiram,e muitas empresas de navegação foram autuadas e pagaram pesadas multas. Outras, na maioria, escaparam por falta de fiscalização adequada e a escuridão da noite, que propicia a ação marginal como um todo.

Em face da dificuldade de enquadramento de navios ”TRAMPS” (vagabundos), por conta de suas bandeiras serem de conveniência , o problema ficou de difícil solução. Note-se que esses navios são hoje em dia a maioria dos que singram mares e oceanos.

O descaso pelas nossas águas, salgada ou doce, atingiu um nível catastrófico e irreversível, nós todos convivemos com o fato pacificamente, olhando para o outro lado, virando a cara disfarçando nosso constrangimento.

Nossos rios nacionais ou estaduais, tornaram-se, em sua maioria, esgoto a céu aberto, e , a reversão só por milagre divino, é tecnicamente impossível a recuperação dos nossos manguezais que sofreram o mesmo ataque de humanos desavisados e irresponsáveis. Até porque, os rios sempre passam por manguezais…

Lembro-me de fato inusitado em Pernambuco, quando perguntado ao governador o porquê do derramamento de “caldas das usinas” no Capibaribe, ao vivo e em cores o gerenciador do destino do nosso estado, disse categórico e enfático: “ Foi eu quem deu ordem nesse sentido…” me lembro do fato, porém me esqueci do nome do homem que disse isso. A poluição resultante, matou arraias, lixas e outrospeixes de Ponta de Pedra ao Cabo de Santo Agostinho, a costa ficou da cor de caldo de cana.

Como todo rio corre para o mar, exceção do Rio Tietê que deságua no Rio Paraná, nosso lixo e dejetos vão matar a vida marinha costeira. Professor Luiz Lira, da Universidade Rural Federal de Pernambuco, sabe tudo e sempre denunciou toda degradação de nossas águas! Mas , uma andorinha só não faz verão…

Recentemente no Golfo do México, a famosa BP-British Petroleum derramou o que quis e o que não quis de óleo bruto nas costas americanas, pagou pesadas multas , porém ainda continuará procurando o ouro negro  por lá, por aqui e acolá. BP é BP…

No Brasil, há poucos dias, a Chevron americana, deixou vazar petróleo em dois dos seus poços na bacia de Campos, o Governo Brasileiro, tomou suas providências e a Chevron aparentemente vai pastar noutras águas…

Ninguém fala nas “Join Ventures” do setor , as quais ocultam parcerias anônimas e invisíveis. De repentea Chevron, continua ali fundeada, a reboque de outra empresa…

Na verdade, e a bem dela, quem é do ramo sabe que a atividade do setor está umbilicalmente atada asmesmas fontes de sempre, onde a tecnologia e materiais, são produzidos para o mundo, e suas patentes sempre protegidas por Marines…

Tecnologia é coisa de primeiro mundo, e os contratos de fornecimento no setor, são rotineiros e automáticos, porém desconhecidos dos pobres cidadãos contribuintes.

A água é nossa, mas a tecnologia da torneira vem de longe…

Pessoalmente, torço pelo sucesso do nosso setor petrolífero, até porque trabalho com navios, porém, em 47 anos de profissão, nunca vi melhorias no trato das águas onde naveguei todos esses 17.155 dias…

Fico pensando no fato do Brasil, iniciar a perfuração de poços a 8 km de profundidade no propalado pré sal.Já pensou direitinho?…

A propósito, o piche acabou nas praias, porque existem empresas que compram caro o produto que antes era desovado nas águas, ele agora é disputado na tapa, por empresas recicladoras de óleo usado.