Luiz Augusto, prático da barra
Nas nossas praias nordestinas, era comum termos que lavar os pés, com querosene ou gasolina, para retirar o “piche” que inevitavelmente pegava nas solas de nossos pés. Era um Deus nos acuda, um transtorno para carros, sapatos e tapetes nas casas.
A Legislação mundial e a brasileira, além das convenções internacionais, sempre existiram,e muitas empresas de navegação foram autuadas e pagaram pesadas multas. Outras, na maioria, escaparam por falta de fiscalização adequada e a escuridão da noite, que propicia a ação marginal como um todo.
Em face da dificuldade de enquadramento de navios ”TRAMPS” (vagabundos), por conta de suas bandeiras serem de conveniência , o problema ficou de difícil solução. Note-se que esses navios são hoje em dia a maioria dos que singram mares e oceanos.
O descaso pelas nossas águas, salgada ou doce, atingiu um nível catastrófico e irreversível, nós todos convivemos com o fato pacificamente, olhando para o outro lado, virando a cara disfarçando nosso constrangimento.
Nossos rios nacionais ou estaduais, tornaram-se, em sua maioria, esgoto a céu aberto, e , a reversão só por milagre divino, é tecnicamente impossível a recuperação dos nossos manguezais que sofreram o mesmo ataque de humanos desavisados e irresponsáveis. Até porque, os rios sempre passam por manguezais…
Lembro-me de fato inusitado em Pernambuco, quando perguntado ao governador o porquê do derramamento de “caldas das usinas” no Capibaribe, ao vivo e em cores o gerenciador do destino do nosso estado, disse categórico e enfático: “ Foi eu quem deu ordem nesse sentido…” me lembro do fato, porém me esqueci do nome do homem que disse isso. A poluição resultante, matou arraias, lixas e outrospeixes de Ponta de Pedra ao Cabo de Santo Agostinho, a costa ficou da cor de caldo de cana.
Como todo rio corre para o mar, exceção do Rio Tietê que deságua no Rio Paraná, nosso lixo e dejetos vão matar a vida marinha costeira. Professor Luiz Lira, da Universidade Rural Federal de Pernambuco, sabe tudo e sempre denunciou toda degradação de nossas águas! Mas , uma andorinha só não faz verão…
Recentemente no Golfo do México, a famosa BP-British Petroleum derramou o que quis e o que não quis de óleo bruto nas costas americanas, pagou pesadas multas , porém ainda continuará procurando o ouro negro por lá, por aqui e acolá. BP é BP…

No Brasil, há poucos dias, a Chevron americana, deixou vazar petróleo em dois dos seus poços na bacia de Campos, o Governo Brasileiro, tomou suas providências e a Chevron aparentemente vai pastar noutras águas…
Ninguém fala nas “Join Ventures” do setor , as quais ocultam parcerias anônimas e invisíveis. De repentea Chevron, continua ali fundeada, a reboque de outra empresa…
Na verdade, e a bem dela, quem é do ramo sabe que a atividade do setor está umbilicalmente atada asmesmas fontes de sempre, onde a tecnologia e materiais, são produzidos para o mundo, e suas patentes sempre protegidas por Marines…
Tecnologia é coisa de primeiro mundo, e os contratos de fornecimento no setor, são rotineiros e automáticos, porém desconhecidos dos pobres cidadãos contribuintes.
A água é nossa, mas a tecnologia da torneira vem de longe…
Pessoalmente, torço pelo sucesso do nosso setor petrolífero, até porque trabalho com navios, porém, em 47 anos de profissão, nunca vi melhorias no trato das águas onde naveguei todos esses 17.155 dias…
Fico pensando no fato do Brasil, iniciar a perfuração de poços a 8 km de profundidade no propalado pré sal.Já pensou direitinho?…
A propósito, o piche acabou nas praias, porque existem empresas que compram caro o produto que antes era desovado nas águas, ele agora é disputado na tapa, por empresas recicladoras de óleo usado.