Viveiro de Suape produz 30 mil mudas de espécies ameaçadas de extinção

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Mudas do pau de jangada. Foto: Paulo Paiva/DP/D.A.Press

A produção de mudas de espécies ameaçadas de extinção, como o pau de jangada, é um dos maiories desafios dos viveiros voltados à Mata Atlântica.

O pau de jangada, como o próprio nome sugere, foi praticamente dizimado em Pernambuco pelo uso para a confecção de jangadas, miolo de portas, muletas, cepas de tamanco e caixotaria leve.

No caminho da extinção também aparece a ubaia, que emprestou o nome para uma das ruas do bairro de Casa Forte: a Estrada das Ubaias.

A ubaia é um arbusto de frutos azedos de alto teor de vitamina C.

“Tem sido um desafio gratificante produzir mudas dessas espécies”, disse o técnico agrícola Moisés Inácio do Nascimento.

No Viveiro Florestal de Suape, completou Moisés, já se conseguiu produzir 10 mil mudas de ubaia e 20 mil de pau de jangada.

O viveiro está à frente das ações de reflorestamento do Complexo Industrial Portuário de Suape, localizado em Ipojuca e no Cabo de Santo Agostinho.

Seca reduziu em 80% a coleta de sementes da Mata Atlântica

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Sementes de “orelha de burro”. Foto: Paulo Paiva/DP/D.A.Press

As chuvas chegaram nas últimas semanas na Região Metropolitana e Zona da Mata, mas nem todas as perdas pela estiagem serão revertidas de imediato.

Os projetos de reflorestamento, como o do Viveiro Florestal de Suape, onde se produziu 323 mil mudas em 2012, ainda sentem os efeitos da seca.

Nos últimos meses, os mateiros tiveram dificuldade de colher sementes de espécies da Mata Atlântica.

“De 20 tipos ou mais de sementes que devíamos colher, nos últimos meses, conseguimos coletas produtivas de cinco espécies”, revelou o técnico agrícola Moisés Inácio do Nascimento.

Coleta produtiva, esclareceu Moisés, é aquela em que a quantidade de sementes colhidas é suficiente para atingir a meta planejada.

A meta por espécie é de cinco mil no Viveiro de Suape, por exemplo.

Mas algumas espécies tiveram coleta “zero” devido à falta de chuvas. Foram os casos da pitomba, do tamboril e do chixá, conhecido como mandiocão.

Outras espécies tiveram coletas irrisórias, como o Jacarandá, com menos de 300 sementes até o começo de abril, e o Babatimão, com menos de 200.

“A estiagem mudou o ciclo das espécies e dificulta o nosso trabalho”, afirmou Enio Teixeira, gestor do viveiro.

Em 2012, a meta anual de 250 mil mudas foi alcançada em agosto, sendo possível a produção extra de 73 mil mudas no ano.

Agora, com a meta de 450 mil para 2013, o viveiro ficou, de certa forma, mais refém da natureza. Ou melhor, dos recados do clima.

Quatro projetos para o meio ambiente

Quem conhece o município do Cabo de Santo Agostinho sabe que a consciência ecológica dos moradores e as políticas públicas de meio ambiente precisam melhorar.

Daí, a importância de se valorizar algumas ações.

Aponto aqui o Concurso Ciclo Verde de Projetos Ambientais, tocado pela Lanxess, indústria do ramo de produtos químicos e plásticos.

A Lanxess, só para lembrar, é o nome das antigas Coperbo e Petroflex.

O Ciclo Verde, que seleciona projetos vindos da comunidade, não deve ser encarado como único caminho para focar as questões ambientais e de sustentabilidade.

Mas é um dos caminhos a ser observado por outras empresas e pelo poder público.

Primeiro, porque valoriza projetos com preocupações ambientais e sociais.

Não dá para insistir na separação desses dois aspectos. Do contrário, homens e mulheres continuarão vendo a natureza como inimiga a ser derrotada e não como parceira para a sobrevivência.

Segundo, os projetos devem ser desenvolvidos de uma maneira que sejam viáveis economicamente após o fim do financiamento.

Quinze projetos foram analisados por um júri de cinco pessoas – eu fui um delas – e quatros selecionados. R$ 40 mil serão repassados para os aprovados.

Ressalto aqui a importância de, no processo seletivo, valorizar pessoas e instituições que já conseguem dar alguns passos no caminho da sustentabilidade.

Eis os projetos escolhidos:

Reciclar, Ato de Amor
Prevê a sensibilização das comunidades Vila do Rosário e Vila Claudete para a conservação ambiental, coleta seletiva e reaproveitamento do material orgânico. O projeto é do Centro de Vivência Ecológica e Cultura Ame a Mãe Terra.

A Cor da Mata
Visa reconstituir trechos da Mata Atlântica por meio da educação ambiental na Escola Municipal Dr. Humberto da Costa Soares. O projeto será tocado pela própria escola, localizada no Engenho Pau Santo.

Carroça do Encantado
Apresentado pelo Grupo da Gente (Grudage), o projeto pretende realizar apresentações teatrais sobre ecologia em oito comunidades do Cabo. Antes, o grupo sensibilizará a população para a coleta seletiva e trabalhará em parceria com uma cooperativa de catadores.

Agente Verde
De autoria de Alcilene Maria de Souza Silva, o projeto propõe a capacitação de jovens de comunidades carentes para ajudar na redução das emissões de resíduos sólidos.

Faltam mudas para recompor mata ciliar do Rio Una

Se fosse implantar o projeto de recomposição da mata ciliar do Rio Una agora, o governo do estado não teria mudas suficientes para os serviços.

“Faltam mudas para os grandes projetos em andamento”,  disse o secretário estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Sérgio Xavier.

Não haveria mudas suficientes para reflorestar as margens do Una e nem para se recuperar as unidades de conservação da caatinga criadas pelo estado.

Entende-se, então, a meta apresentada pelo governador Eduardo Campos (PSB) ao Complexo Industrial Portuário de Suape.

O socialista quer que o Viveiro  Florestal de Suape aumente em 60%, até setembro deste ano, a capacidade produtiva de mudas da Mata Atlântica.

As novas plantas vão recompor a mata ciliar do Una.

O rio destruiu parcialmente, nos invernos de 2010 e 2011, as cidades de Palmares, Água Preta e Barreiros, situadas na Mata Sul do estado.

Com a meta, o viveiro, cuja estrutura atual possibilita a produção de 250 mil mudas por ano, passará para 400 mil.

É grande o desafio, mas possível de ser superado.

Possível, ressalte-se, quando a meta é do governador. E ele tem pressa para a execução das obras e pode viabilizar a estrutura de tal crescimento.

Um detalhe: os ganhos sociais e políticos serão amplamente superiores aos  investimentos  precisos para se alcançar os 60%.

O viveiro possui 11 operários e mateiros e precisaria de outros cinco, além de veículos para o trabalho diário.

Em Suape, gel diminui as perdas de mudas plantadas

O sucesso de algumas ações ambientais depende, às vezes, de detalhes.

É o que pode ser visto no processo de reflorestamento de áreas do Complexo Industrial Portuário de Suape.

Ali, as perdas das mudas de Mata Atlântica são de aproximadamente 10%.

“Em alguns pontos, o percentual é menor”, disse Adriane Mendes, coordenadora executiva de Projetos Ambientais do complexo.

Os 10% superam a média de perdas contabilizadas em estudos pelo país. Noutras regiões, elas chegam a 20% e 30%.

O que está por trás desses números é um hidrogel.

Também chamado de hidroretentor, o gel mantem a água retida na base das mudas por 15 dias.

A técnica foi desenvolvida para o reflorestamento em regiões semiáridas.

O hidrogel está sendo aplicado em 38 hectares da Estação Ecológica Bita e Utinga, criada esta semana pelo governo do estado.

Usinas termelétricas movidas a óleo combustível lançam veneno no meio ambiente, diz Heitor Scalambrini

Professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Heitor Scalambrini, foi um dos principais críticos à instalação da maior usina termelétrica do mundo, movida a óleo combustível, em Suape.

Com mestrado e doutorado na área de energia, ele fala, em entrevista ao blog, sobre a mudança de postura do governo diante do assunto, que de apoio passou a exigir a conversão do projeto para gás natural. E sobre os reflexos disso.

Como o senhor viu a decisão do governo do estado em não mais querer a instalação da maior termelétrica em Suape?
Com grande satisfação. Não foi bem que o governo não quis mais esta usina, mas foi a pressão popular que o fez recuar. A Frente Contra a Energia Suja, criada logo após o anúncio no Palácio do Governo, com toda pompa (13/9/2011), da maior e mais suja terméletrica do mundo, cumpriu um papel fundamental para que houvesse agora este recuo. A mobilização de amplos setores da sociedade foi imediata, denunciando o absurdo deste empreendimento, que não se justificava nem do ponto de vista energético, nem economicamente, nem ambientalmente e nem socialmente. Caso fosse levado a cabo acarretaria com certeza enormes problemas de saúde pública à população daquela região.

Quais serão os reflexos, políticos e ambientais, de tal decisão?
A decisão se deu em um contexto em que o Brasil vai sediar a Rio +20, Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, onde uma das maiores preocupações atuais da humanidade é conter as emissões de CO2 (gás que causa o efeito estufa), o principal gás responsável do aquecimento global. A permissão para que ocorressem leilões em 2007 e 2008 de termelétricas, a combustíveis fósseis (vilão das mudanças no clima) para ofertar energia elétrica, foi um dos recorrentes erros que se tem cometido na política energética brasileira. Estudos mostram que, caso todas as termelétricas previstas a partir destes leilões fossem instaladas em nosso país, ocorreria, em relação a 2008, um aumento de 172% nas emissões do CO2. Logo com a saída de cena de Suape III (emitiria diariamente 24.000 toneladas de CO2), os seres vivos e a natureza agradecem.

Que caminhos o movimento do qual o senhor participa adotará contra as chamadas energias sujas, uma vez que existe a possibilidade de vir a se instalar outras termelétricas no estado?
Mesmo com o abandono de Suape III não podemos esquecer do polo de termelétricas que está sendo instalado no território de Suape (já estão instaladas Suape I, Suape II ambas movidas a óleo combustível). Já está funcionando a Termopernambuco, a gás natural, e se prevê a construção da termelétrica da refinaria, a óleo combustível. Temos que continuar na luta e cada vez mais convencendo a população do veneno que está e estará sendo lançado ao meio ambiente com estas usinas. Com certeza, se a população se mobilizar, poderemos conter esta insanidade dos atuais governantes. Sem contar ainda o esforço que o governo do estado está fazendo para atrair para Pernambuco a Usina Nuclear, outra indesejável forma de produzir eletricidade devido aos riscos catastróficos de um acidente, ao custo, e aos resíduos radioativos, chamados popularmente de lixo atômico.

As lições do não à maior usina termelétrica do mundo

Quais as lições tiradas do anúncio de que a maior termelétrica a óleo combustível do mundo não mais será instalada em Suape?

Primeiro: a importância da mobilização popular.

Desde que o projeto foi anunciado pelo estado, em setembro de 2011, pesquisadores, ambientalistas e movimentos sociais foram às ruas e redes socias dizer não à proposta.

Esses argumentavam que o projeto traria mais prejuízos ambientais e para a saúde da população do que ganhos.

Por sua vez, os secretários Geraldo Júlio, de Desenvolvimento Econômico, e João Bosco, de Recursos Hídricos, defenderam a instalação da usina.

Argumentaram os dois que a usina seria uma unidade de apoio, prevista para ser acionada apenas em casos de emergência, além de ser de grande importância para o momento econômico do estado.

Mesmo assim, não conseguiram convencer os questionadores do projeto. E a adesão contrário a ele crescia nas redes sociais, especialmente entre os formadores de opinião.

Segundo: política não se apenas com o fígado.

As críticas dos movimentos sociais  passaram a recair também sobre o secretário estadual de Meio Ambiente, Sérgio Xavier, um dos fundadores do PV no estado e defensor da produção de energias limpas.

Àquela altura, Sérgio Xavier afirmou ao Diario de Pernambuco que a licença para instalação da usina ainda não tinha sido aprovada.

E que defenderia a conversão do óleo combustível para gás natural.

Diante da pressão popular e de um empreendimento contrário ao apelo mundial da necessidade de se rever os níveis de poluição, o governo deu um passo atrás.

O estado retrocedeu da sua decisão primeira, mas fortaleceu o discurso de se estar comprometido com o meio ambiente. 

Isso pôde ser percebido ontem no Recife, na reunião preparatória para a Rio Clima, convenção a ser realizada paralelamenta à Rio+20.

Além de patrocinar o evento, cujo propósito é fazer a Rio+20 incluir as mudanças climáticas em seu tema central, o governador Eduardo Campos e o secretário Sérgio Xavier anunciaram o não à megausina.

“É um sinal do comprometimento deste governo em reduzir as emissões de carbono”, disse o secretário de Meio Ambiente ao justificar à decisão.

A frase de Sérgio Xavier, dita quando apresentava as políticas ambientais do estado na reunião, foi aplaudida.

Em política, é assim. As palavras têm peso, mas os gestos falam mais alta.  E o governo do estado acertou ao saber disso.

Maior usina termelétrica do mundo, movida a òleo combustível, não será mais construída em Suape

A maior usina termelétrica do mundo não será mesmo construída em Suape.

A decisão foi tomada nesta semana pelo Grupo Bertin.

Por trás da decisão, o comunicado do governador Eduardo Campos de que o estado somente aprovaria o projeto se convertido de óleo para gás natural.

O Grupo Bertin considerou a proposta inviável e desistiu do projeto.

Não apenas isso.

Informou, segundo o secretário estadual de Denvolvimento Econômico, Geraldo Júlio, que construirá em Suape apenas uma ou duas usinas.

A previsão inicial era que o grupo erguesse cinco termelétricas para suprir as necessidades do complexo portuário e industrial.

Decisão sacramentada, o estado já começou a se mexer.

O terreno destinado à megausina será negociada com outras indústrias.

A preferência do estado, agora, é atrair empresas produtoras de energias limpas ou de tratamentos de resíduos.

O planeta agradece.

Com informações da repórter Mirella Falcão, do Diario de Pernambuco

Grupo Bertin pode ter desistido de instalar a maior termelétrica do mundo em Suape

Pernambuco não mais terá a maior usina termelétrica do mundo movida a óleo.

O governador Eduardo Campos comunicou ao Grupo Bertin  que o estado somente licenciaria o projeto se trocado o óleo por gás natural.

“Ou faz a gás ou não tem licença”, disse o governador, durante a abertura da reunião preparatória para a Rio Clima, no Recife, nesta sexta-feira.

A execução ou não  do projeto, segundo o governador, depende agora do Grupo Bertin. Eduardo Campos disse que não se estipulou prazos para dar respostas.

Informações não oficiais indicavam que o Grupo Bertin, que investiria cerca de R$ 2 bilhões nas obras, teria desistido da projeto previsto para Suape.

O argumento do grupo empresarial seria de que não é viável construir termelétrica tão grande à base de gás natural

A reunião preparatória da Rio Clima será realizada até domingo.

Suape zera passivo ambiental

O Complexo Industrial Portuário de Suape quitou uma conta atrasada.

Neste ano,  segundo o balanço apresentado hoje pela empresa, o passivo ambiental foi zerado em relação à flora.

Replantou-se 248 hectares de Mata Atlântica. A extensão superou em 38 hectares a quantia devida pelo complexo.

A compensação ambiental, afirmou o diretor vice-presidente, Fred Amâncio,  também foi quitada quanto às áreas de restinga e de mangue.

O replantio de espécies da restinga somou 61 hectares, enquanto o de mangue, nove. As duas áreas ficam no Engenho Ilha, no Cabo de Santo Agostinho.

“A recuperação das áreas está sendo monitorada, o que deve acontecer até a consolidação”, completou Fred Amâncio.

Os projetos reúnem profissionais de Suape e das universidades Federal de Pernambuco (UFPE) e Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).