Corte ilegal de lenha ameaça a caatinga

A erosão é uma das consequências do desmatamento irregular na caatinga. Foto: Alexandre Gondim/DP/D.A.Press

A erosão é uma das consequências do desmatamento na caatinga. Foto: Alexandre Gondim/DP/D.A.Press

Apenas 4% da lenha retirada da caatinga têm como origem projetos sustentáveis.

O número apresentado pela organização The Nature Conservancy (TNC), em Brasília, dimensiona o quanto a caatinga vem sendo devastada.

E para onde vai essa lenha?

Parte é transformada no carvão que abastece residências, estabelecimentos comerciais e de serviços, bem com a indústria.

A TNC estima que 1/3 da matriz energética do Nordeste é a lenha, sendo que 40% das indústrias da região recorre à madeira para fabricar seus produtos.

Nessa conta, a caatinga vem perdendo sua riqueza. Espécies correm o risco de desaparecer sem ao menos serem estudadas.

Suelma Santos, representante da TNC, ressalta que o bioma caatinga ocupa 11% do território brasileiro, mas é o menos protegido do país.

Distribuído ao longo do semiárido, o bioma possui 591 espécies de aves, 241 de peixes, 221 de abelhas, 178 de mamíferos, 177 de répteis e 79 de anfíbios.

Com informações da Agência Câmara de Notícias.

A vantagem em ser sustentável!

Henrique Mendes, bioquímico e especializado em gestão ambiental.

A sustentabilidade ainda é hoje um termo amplo e diverso, e que por ter como base um tripé de considerações (econômico, ambiental e social) acaba sendo observada com focos diferentes e desta forma distorcida, tendo cada um de seus pilares mais destaque de acordo com o viés do observador.

Este, a meu ver, é um dos principais motivos por trás do mito de que só há despesas na busca pela sustentabilidade nas empresas. Gostaria de destacar o termo busca, pois certamente este é um adjetivo raro a ser empregado em sua plenitude e não conheceremos uma empresa 100% sustentável tão cedo.

Em um relatório recentemente publicado pela MIT Sloan Management Review & The Boston Consulting Group, foi demonstrado que as empresas têm cada vez mais lucrado com a sustentabilidade. No geral, a porcentagem de participantes que reportaram lucros a partir de estratégias sustentáveis subiu de 23% para 37%, e talvez o mais importante, quase 50% das empresas alteraram seus modelos de negócio como resultado de oportunidades surgidas na área da sustentabilidade – um aumento de 20% em relação ao ano passado.

As empresas que estão largando na frente estão hoje estudando suas atividades e tentando equilibrar suas iniciativas nos três campos do tripé. Buscam investir em qualidade de vida de seus funcionários, reduzir os impactos ambientais gerados por suas operações e procuram manter o resultado positivo em suas finanças. O desenvolvimento sustentável está emergindo como a “nova demanda pela qualidade” nas empresas, e se hoje ainda é um diferencial, em pouco tempo passará a ser um pré-requisito, a exemplo da tão conhecida série ISO 9000.

Através de índices econômicos como o ISE da Bovespa, fica mais fácil visualizar a tendência destas empresas em se destacar no mercado e ter suas ações mais valorizadas. Mas, em termos práticos, uma gestão com foco em sustentabilidade busca tornar a empresa mais eficiente. Compreender como suas atividades impactam no meio ambiente e qual parcela disto é desperdício, avaliar o quanto funcionários satisfeitos e comprometidos podem render em produtividade para a empresa em contrapartida a alta rotatividade e desinteresse em evoluir junto com o negócio, também fazem parte.

Estes são exemplos de um trabalho de conscientização muito maior que permeia a busca pela sustentabilidade. Uma das ferramentas de empresas que estão neste caminho é a elaboração do inventário de emissões de gases de efeito estufa (GEE), o qual faz um raio-x das operações da instituição e demonstra em indicadores e números absolutos o quanto de CO2 é gerado por unidade de produção. Com este controle a empresa consegue definir metas para emitir menos GEE e consequentemente consumir menos energia (combustíveis ou eletricidade) sendo esta uma das principais fontes de emissões de CO2 em uma indústria.

Seguindo nesta linha de raciocínio fica clara a relação de diminuição de custos, busca pela eficiência e redução no impacto ambiental. E em um mundo cada vez mais conectado, tratar das questões sociais como respeito aos funcionários e atenção com a comunidade em seu entorno são iniciativas que quando positivas rendem alguns comentários, mas em casos negativos se espalham como vírus na internet, deixando claro o custo de não cuidar desta haste do tripé. Com equilíbrio, ganha a sociedade, a empresa e principalmente o meio ambiente.

Quatro projetos para o meio ambiente

Quem conhece o município do Cabo de Santo Agostinho sabe que a consciência ecológica dos moradores e as políticas públicas de meio ambiente precisam melhorar.

Daí, a importância de se valorizar algumas ações.

Aponto aqui o Concurso Ciclo Verde de Projetos Ambientais, tocado pela Lanxess, indústria do ramo de produtos químicos e plásticos.

A Lanxess, só para lembrar, é o nome das antigas Coperbo e Petroflex.

O Ciclo Verde, que seleciona projetos vindos da comunidade, não deve ser encarado como único caminho para focar as questões ambientais e de sustentabilidade.

Mas é um dos caminhos a ser observado por outras empresas e pelo poder público.

Primeiro, porque valoriza projetos com preocupações ambientais e sociais.

Não dá para insistir na separação desses dois aspectos. Do contrário, homens e mulheres continuarão vendo a natureza como inimiga a ser derrotada e não como parceira para a sobrevivência.

Segundo, os projetos devem ser desenvolvidos de uma maneira que sejam viáveis economicamente após o fim do financiamento.

Quinze projetos foram analisados por um júri de cinco pessoas – eu fui um delas – e quatros selecionados. R$ 40 mil serão repassados para os aprovados.

Ressalto aqui a importância de, no processo seletivo, valorizar pessoas e instituições que já conseguem dar alguns passos no caminho da sustentabilidade.

Eis os projetos escolhidos:

Reciclar, Ato de Amor
Prevê a sensibilização das comunidades Vila do Rosário e Vila Claudete para a conservação ambiental, coleta seletiva e reaproveitamento do material orgânico. O projeto é do Centro de Vivência Ecológica e Cultura Ame a Mãe Terra.

A Cor da Mata
Visa reconstituir trechos da Mata Atlântica por meio da educação ambiental na Escola Municipal Dr. Humberto da Costa Soares. O projeto será tocado pela própria escola, localizada no Engenho Pau Santo.

Carroça do Encantado
Apresentado pelo Grupo da Gente (Grudage), o projeto pretende realizar apresentações teatrais sobre ecologia em oito comunidades do Cabo. Antes, o grupo sensibilizará a população para a coleta seletiva e trabalhará em parceria com uma cooperativa de catadores.

Agente Verde
De autoria de Alcilene Maria de Souza Silva, o projeto propõe a capacitação de jovens de comunidades carentes para ajudar na redução das emissões de resíduos sólidos.

Parceria em nome da sustentabilidade

Por enquanto, a parceria sobre meio ambiente entre Pernambuco e Portugal está apenas no papel, mas pode render bons resultados.

A parceria veio com a assinatura de termo de cooperação entre os governos.

E o que temos a ganhar com isso?

As iniciativas portuguesas na área de infraestrutura, vale lembrar, foram crescentes desde que o país ingressou na Comunidade Européia.

E o ministro de Meio Ambiente, Pedro Afonso Paulo, adiantou um dos pontos relativos à sustentabilidade que pode ser benéfico ao estado.

Ele ressaltou o know-how adquirido por empresas lusas em energias renováveis e que pode ser compartilhado.

Entre os interesses dos lusos aparecem as áreas de saneamento e de gestão
de resíduos, que também são desafios para Pernambuco.

Temos consórcios regionais oficializados para cuidar do destino e do tratamento do lixo, mas poucos, até o momento, implantaram aterros sanitários.

Agora é esperar para ver as intenções se tornarem realidade.

O secretário estadual de Meio Ambiente, Sérgio Xavier, parece ter pressa. Ele deve viajar para Portugal ainda em 2012 para discutir ações.

O destino do lixo na selva amazônica

Se os governos fizessem o que cobram das empresas, as cidades seriam outras.

Essa regra vale para o Brasil e também para o Peru.

A maioria das cidades peruanas, assim como grande parte dos municípios  brasileiros, não dispõe de aterros sanitários.

Em contrapartida, as cobranças às empresas são muitas, mas explicáveis.

Exemplo disso são cidades como Huánaco e Tingo Maria, no Peru, e as obras da Hidrelétrica de Chaglla, construída pela Odebrecht.

Nas duas cidades,  o lixo pode ser encontrado em quase todos os recantos: no meio das ruas, em encostas e nas margens de rios.

As obras da hidrelétrica, na floresta amazônica, estão no sentido contrário.

Há lixeiras em todos os canteiros de Chaglla para a separação de resíduos e posterior tratamento e destino adequados.

Em setembro,  mais de 10 toneladas de resíduos foram coletadas nos canteiros.  Foram 8,3 toneladas em agosto.

Os produtos orgânicos, em sua maior parte, são transformados em compostagem e essa distribuída para moradores da região.

Parte da madeira também é entregue aos agricultores do entorno da obra.

Papel e metal, por exemplo, são levados de caminhão para Lima, a mais de 500 quilômetros da obra.

Por que viagem tão longa?

Lima é a cidade mais próxima – e única no Peru – com estrutura apropriada para tratar e destinar adequadamente dos resíduos.

A poucos metros, fora da obra, os moradores da região fazem das margens do Huallaga um depósito de lixo.

O contraste incomoda, mas pode ter efeito didático.

Afinal, habitantes e governantes da região podem aprender com o que a empresa anda fazendo na hidrelétrica.

E o que a Odebrecht segue, sob o olhar do governo peruano e do  BID, são as regras de sustentabilidade exigidas pelas leis brasileiras.

Desse modo, não apenas se respeita as normas do Peru como se vai além.

Explica-se: nossa legislação é mais  avançada do que as do país vizinho.

O meio ambiente ficou de lado nas campanhas municipais

As eleições deste domingo reforçam que o meio ambiente é tratado por grande parte dos políticos como tema secundário.

Em poucos municípios, candidatos a prefeito discutiram com profundidade as questões ligadas à proteção da natureza.

A palavra sustentabilidade apareceu nos discursos dos prefeituráveis do Recife, por exemplo.

Mas, de maneira geral, as propostas ficaram  limitadas à coleta do lixo e à criação de novos parques.

Em Ipojuca e no Cabo, as oportunidades de emprego e renda trazidas pelo crescimento de Suape pautaram boa parte dos debates.

Não se viu nessas duas cidades discussão sobre os estragos ao meio ambiente pelo crescimento acelerado e ações para reduzi-los.

A ausência do debate sobre o verde pode ser percebido também no Agreste e no Sertão, regiões castigadas pelas mudanças climáticas.

Se alguém tiver dúvida disso, sugiro ler os programas de governo dos prefeituráveis das maiores cidades. Em algumas, os  programas foram um amontoado de boas intenções sem sinais de que possam ser executadas.

É uma pena que futuros gestores ainda não tenham percebido a importância dos municípios no cuidar da natureza.

Mas os prefeituráveis ainda podem fazer algo em favor do meio ambiente e da sustentabilidade.

Uma das sugestões para quem sair vencedor neste domingo é a leitura da Plataforma Ambiental aos Municípios.

Ela traz os principais pontos da agenda sociambientel do país, podendo embasar planos de governos.

Iniciativa da Fundação SOS Mata Atlântica, a plataforma conta com o apoio da Frente Parlamentar Ambientalista e da Associação Nacional de Órgãos Municipais de Meio Ambiente (ANAMMA).

Escola de Limoeiro dá exemplo de sustentabilidade

Há exemplos de cidadania que precisam ser conhecidos, como o do Colégio Pentágono, em Limoeiro, no Agreste pernambucano.

Alunos e professores da unidade escolar uniram-se aos moradores e estão mudando, do ponto de vista ambiental, a paisagem da cidade.

Tudo começou em 2005, mas ganhou força no ano passado.

Entre os resultados está o compromisso por escrito de moradores, a partir do convencimento dos alunos, em plantarem e cuidarem de uma árvore.

150 pessoas “adotaram” uma árvore em uma semana.

No quintal de casa, a médica Gabriela Maria de Arruda Sena, 57 anos, plantou um jambeiro.

A arborização é resultado de parceria do Pentágono com as ONGs Mais Verde e Sociedade  de Apoio ao Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.

O crescimento das árvores tem o acompanhamento sistemático.

Além da preocupação com o verde, alunos e professores fizeram campanha para recolher óleio de cozinha.

A campanha sensibilitou donas de casa, proprietário  de restaurantes e lanchonetes de Limoeiro.

O material coletado é recolhido na escola e enviado para uma fábrica no Recife. A empresa transforma o óleo em sabão em barra.

Com informações da repórter Ana Cláudia Dolores, do Diario de Pernambuco.

 

O consumidor consciente

Emiliano Graziano, gerente de Ecoeficiência da Fundação Espaço ECO.

Um acordo entre o Governo do Estado de São Paulo e Associação Paulista de Supermercados (Apas) colocou, em abril deste ano, fim às sacolinhas plásticas distribuídas em supermercados. Em julho, por força de uma decisão judicial, elas acabaram retornando.

Entre idas e vindas, o que ficou, além da polêmica, da falta de informação e das brigas na justiça, foi um questionamento sobre qual o real papel do consumidor nessa discussão. Afinal, as sacolinhas, antes abolidas pelos supermercados com a justificativa de estarem tomando uma atitude e prol do meio ambiente, voltou por uma reivindicação dos consumidores.

Em agosto do ano passado, muito antes dessa polêmica ganhar o noticiário do país, a Fundação Espaço ECO (FEE), o primeiro Centro de Excelência em Gestão da Socioecoeficiência e Educação para a Sustentabilidade da América Latina, divulgou uma análise de ecoeficiência que comparou o uso de diferentes tipos de sacolas para transporte de compras de supermercado.

O estudo, que compreendeu a avaliação dos impactos ambientais e econômicos das alternativas, chegou à conclusão de que o impacto de cada uma das sacolas depende, sobretudo, do uso feito pelo consumidor de cada uma das opções, ou seja, está relacionado à quantidade de idas ao supermercado, ao número de vezes que cada tipo de sacola é reutilizada e como ela é descartada, entre outras características.

Há muito, nossos atuais padrões de consumo têm sido apontados como um dos principais desafios ao desenvolvimento sustentável do nosso Planeta. Uma pesquisa desenvolvida pela ONG WWF, por exemplo, demonstrou que se todas as pessoas do planeta consumissem como os paulistanos, seriam necessários 2,5 planetas para sustentar esse estilo de vida.

Mas como entender e medir o impacto desse consumo nas nossas escolhas diárias? Uma alternativa é compreender que, conscientes ou não, ao adquirirmos um produto, consumimos também toda a sua história, o que chamamos de Ciclo de Vida. E, a partir da compra, passamos a fazer parte deste ciclo, sendo também responsáveis por este processo.

Que tal se, no ato da compra, obtivéssemos informações sobre a origem do produto, seu processo de fabricação, uso de matérias-primas e condições de trabalho dos profissionais envolvidos na produção, entre outras?  E mais: o que faremos com os aparelhos antigos, que abrirão espaço nas nossas salas para a chegada dos novos? E o que faremos com esses novos aparelhos quando eles também não atenderem mais às nossas necessidades?

Para alguns, podem parecer absurdos esses questionamentos, já que o país vive uma fase em que, pela primeira vez, milhões de brasileiros têm o poder de compra. Outros abordariam ainda a importância da demanda interna por bens de consumo para que o Brasil enfrente a crise econômica que assola o mundo. Todos teriam razão se a única ótica que valesse fosse, ainda, a do lucro. Entretanto, não podemos mais desassociar aspectos econômicos de questões sociais e ambientais, uma transformação real e necessária.

Devemos sim consumir. Mas devemos também cobrar mais informações e transparência dos fabricantes sobre suas práticas sustentáveis, seja durante a produção ou na oferta de soluções para o correto descarte de tais produtos. Assim, teremos um cenário em que produtores ecoeficientes e consumidores conscientes desempenham papéis decisivos na busca pelo desenvolvimento sustentável.

Recado eletrônico sobre sustentabilidade

Os recursos eletrônicos foram escolhidos por grande parte dos países, expositores, na Rio+20, para mostrar seus investimentos em sustentabilidade.

Montado pelo governo federal, o Pavilhão do Brasil retratou bem isso com várias tendas. Em cada uma, temas específicos eram exibidos em diversos telões.

Detalhe: as imagens dos telões eram diferenciadas, mas todas relacionadas ao mesmo assunto, a exemplo de agricultura e turismo.

O filme sobre agricultura incluía o cultivo de frutas às margens do Rio São Francisco, em Petrolina, Sertão de Pernambuco.

O governo da Bahia levou para a Rio+20 um dos estandes mais atraentes.

Diante do espaço baiano, os visitantes imaginavam estar diante de um telão, mas tratava-se de um jogo de cinco espelhos.

As imagens eram projetadas em um dos espelhos e refletiam nas demais, formando um caleidoscópio moderno.

Da madeira à energia solar

Alguns países, estados e cidades não apenas expuseram os seus projetos voltados para a sustentabilidade, na Rio+20, como procuram mostrar isso na confecção dos estandes.

Os italianos capricharam. Em um dos maiores estandes montados no Parque dos Atletas, na Barra da Tijuca, eles usaram produtos de fácil reuso e reciclagem.

No interior do estande, a Itália usou papelão, cordas e caixas de madeira. As centenas de caixas, usadas para o transporte de verduras, formavam paredes.

O melhor no quesito preservação ambiental do estande estava na parte externa.

Três das quatro fachadas do projeto italiano foram transformadas em painéis solares. A energia gerada era empregada no próprio estande.

O governo do estado do Rio de Janeiro também considerou a sustentabilidade.

As fachadas do estande fluminense foram montadas com paletes, que são usados por empilhadeiras nas operações de transporte e armazenamento.

Pernambuco optou pelo papelão. Paredes, cadeiras, bancos e até o mapa do estado foi feito com esse produto de fácil reuso e reciclável.

Os estantes foram montados no Parque dos Atletas, na Barra da Tijuca.