Manipueira, líquido retirado da mandioca, vai gerar energia

O lixo comum, a manipueira e o vinhoto vão se transformar em fontes renováveis para  a geração de energia.

Assinado pela Chesf e pela UFPE, o projeto pretende gerar eletricidade para abastecer cerca de 20 mil residências de classe média.

O estudo prevê a geração de 2,4 megawatt.

Metade dos 2,4 megawatts virá das pesquisas envolvendo o lixo comum, oriundo , em grande parte, de fontes domésticas.

O vinhoto deve gerar 1 megawatt. Esse líquido, resultande do processamento da cana-de-açúcar, geralmente não é aproveitado.

A manipueira, o estudo pretende produzir 0,2 megawatt.Manipueira é o líquido extraído da prensagem da mandioca para a fabricação da farinha.

O projeto vai investir R$ 45 milhões em 36 meses. Desse montante, 87% são recursos da Chesf e o restante do governo estadual.

Com informações de Juliana Cavalcanti, repórter do Diario de Pernambuco.

Solo do Sertão será recuperado com lodo da Barragem de Itaparica e de tanques de piscicultura

O lodo da Barragem de Itaparica e de tanques de piscicultura em Itacuruba, na região do  Submédio do São Francisco, deve ser empregado para recuperar solos degradados do Sertão.

As primeiras amostras do material foram coletadas por pesquisadores do Projeto Innovate, que reuniu ontem, no Recife, estudiosos do Brasil e Alemanha. O projeto é financiado pelos dois países.

A perspectiva é que os primeiros experimentos no Sertão sejam feitos até junho.

“O lodo dos tanques de piscicultura é rico em fósforo e tem potencial de recuperar o solo”, exemplificou a professora do curso de Gestão Ambiental do Instituto Federal de Educação, Ciência e Teconologia de Pernambuco (Ifpe), Marilía Lyra, uma das responsáveis por essa linha de pesquisa do projeto.

A preocupação do Innovate com o solo vai além do reuso do lodo.

Ao tempo em que farão as experiências com sedimentos da barragem e dos tanques de peixes, pesquisadores também vão analisar aspectos como a erosão, salinização do solo e emprego de agrotóxicos.

Isso vale tanto para atividades econômicas já existentes na região, como a produção irrigada, ou que estejam previstas.

“Os estudos devem considerar a questão das mudanças climáticas no semiárido”, esclareceu a coordenadora brasileira do Innovate, Maria do Carmo Sobral. Ela da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

A UFPE é uma das 21 instituições envolvidas no projeto.

Dentro da preocupação com alterações do clima, o Innovate fará estudos voltados ao uso da água e à conservação da caatinga.

A princípio, a parceria entre o Brasil e a Alemanha deve durar três anos, período que deve ser ampliado para cinco anos. Mais de 50 profissionais atuarão no projeto.

Quase 30% das escolas públicas da Região Metropolitana do Recife não têm água potável

O acesso à água é um direito universal.

Mas as comemorações do Dia Mundial da Água, ontem, mostraram que o acesso à água de boa qualidade está longe de ser realidade no Brasil.

A comprovação veio das escolas públicas da Região Metropolitana do Recife.

De 130 unidades pesquisadas, 35 não tinham água potável nas torneiras entre 2009 e 2011.

Isso significa 27% do total. Entre 2002 e 2008 o percentual era de 38%.

Os dados estão na pesquisa do Departamenteo de Antibióticos da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

O estudo indicou a presença de coliformes fecais em 42,8% das escola em que se detectou a distribuição de água contaminada.

Uma das causas da contaminação pode ter sido fezes de animais.

E o problema maior reside nos reservatórios. Algumas caixas d’água, cisternas e poços não tinham condições adequadas de higiene.

Retirada de mata ciliar de rio aumenta casos de diarreia

A pesquisa do mestre em Saúde Humana e Meio Ambiente, pela Universidade Federal de Pernambuco, Luciano Gomes da Silva Júnior reforça a necessidade de se preservar as matas ciliares dos rios.

Luciano analisou a situação das nascentes do Rio Bitury, em Belo Jardim, município do Agreste pernambucano, e constatou que a ausência das matas ciliares contribui para o aumento de casos de diarreia.

Essa realidade deve ser a mesma em outros mananciais do estado. Mesmo assim, os governos pouco agem para reverter o quadro ambiental.

Para chegar à conclusão, o estudioso analisou 66 pontos ao longo do rio que sofreram ação do homem e 50 pontos intocados.

O impacto das atividade humana sobre a mata ciliar foi muito forte.

Sem a mata ciliar, em tempos de chuva, a água arrasta os dejetos humanos e de animais para as nascentes contaminando o manancial.

Os casos de diarreia crescem, segundo Luciano, entre março e agosto, quando as chuvas são mais intensas, e caem no período seco, de setembro a fevereiro.

A doença atinge principalmente os moradores da área rural.

O Rio Bitury deságua na Represa Engenheiro Severino Guerra, conhecida como Açude Bitury, que alimenta Belo Jardim.

A dissertação é intitulada Ação antrópica no entorno das nascentes e os impactos sobre a saúde humana: o caso do município de Belo Jardim – PE, Brasil.

O orientador de Luciano foi o professor André Maurício Melo Santos.

Prédios avançaram em direção ao mar na Região Metropolitana do Recife

O mar não avançou sobre o continente. Ocorreu o contrário na maior parte do litoral da Região Metropolitana do Recife (RMR).

Pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) constataram que o fenômento aconteceu em 94% dos 120 quilômetros estudados entre Paulista e Ipojuca.

A informação consta nos relatórios do Programa de Geração de Subsídios Técnicos e Científicos para Proteção Costeira (PGEST) a serem entregues até ao final do ano ao governo do estado. E deve contribuir com o projeto de recuperação das praias.

“Os problemas na Região Metropolitana são mais uma questão de disciplinamento do uso do solo”, resumiu Tereza Araújo, uma das coordenadoras do estudo.

Tereza falou sobre o assunto no Congresso Nordestino de Ecologia, realizado pela Sociedade Nordestina de Ecologia e pela Fafire, no Recife.

Para se constatar o avanço das construções, os pesquisadores da UFPE consideraram a linha da costa (limite máximo da maré) em 1974 e 2008.

E o registrado, a exemplo de trechos de Paulista, foi um aumento de 100 metros da faixa de areia.  Mas as construções, em especial os muros, avançaram em direção ao oceano.

O parâmetro a ser adotado, segundo Tereza, seria o de que edificações somente poderiam ser feitas a 30 metros do alcance da maré mais alta.

Uma lei estadual de Gerenciamento Costeiro, a de número 14.258, determinou o respeito aos 30 metros no ano passado.

Há leis mais antigas. Desde o século 19, a legislação referente aos terrenos de marinha determina distância de 33 metros.

A questão é que não existem documentos com medições da linha de costa daquela época. Sem as medidas, fica difícil a comparação com os dados atuais.

As informações do PGEST vão fundamentar  as ações de governo.

“Com esses dados científicos teremos argumentos fortes para dizer ao empresariado os motivos de não se poder construir em alguns pontos”, exemplificou Andreia Olinto.

Adreia é a chefe de Gerenciamento Costeiro da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas).

Os relatórios do PGEST, assim como o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), devem ficar prontos até dezembro.

O EIA-RIMA está sendo elaborado pelo (Itep).

O passo seguinte é a realização das audiências públicas nos municípios de Paulista, Olinda, Recife e Jaboatão dos Guararapes.

Pelo cronograma, esses encontros estão programadas para as primeiras semanas de janeiro de 2012, enquanto a licença ambiental sairá em fevereiro.

As obras na orla devem começar em março.

Bastariam três turbinas eólicas, no mar, para suprir Itamaracá de energia

O mar pode ser uma das principais saídas energéticas para Pernambuco. E o melhor, com uma produção de energia limpa.

Conta em favor do estado o fato dele, junto à Bahia, ao Rio Grande do Norte e ao Ceará, ter as melhores condições no país de produzir energia dos ventos.

A energia eólica poderia abastecer a maior parcela das cidades e dos empreendimentos no litoral pernambucano, onde se encontra mais de dois terços da população do estado e os grandes projetos industriais.

Se a perspectiva era apontada por ambientalistas, ela ganha força com a dissertação do engenheiro Oyama Douglas Queiroz, do Mestrado em Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

O engenheiro concluiu que para suprir a Ilha de Itamaracá bastaria a instalação de três turbinas eólicas offshore, as que são colocadas no mar e nos oceanos.

Na Europa, a instalação desse tipo de turbina cresce em diversos países, como Reino Unido e Holanda. Grande parte está sendo montada no mar.

Em Itamaracá, o mesmo poderia ser feito com as turbinas de 90 metros de altura. As três peças ficariam a 5,5 quilômetros da costa e em uma profundidade de 15 metros (veja na foto acima a simulação feita por Oyama).

A pesquisa aponta que as turbinas seriam capazes de gerar 30 mil MWh/ano. A energia consumida atualmente por Itamaracá é de 28.667 MWh.

O obstáculo para implantação dessa tecnologia continua sendo o custo, superior a hidrelétrica, por exemplo.

Mas em tempo de crescimentos econômico no país, da preocupação com o planeta e dos questionamentos às usinas nucleares é hora de se enxergar a energia eólica com olhar diferente.