Caxangá: Motorista invade faixa de ônibus

“Já não bastasse o desconforto causado pela demora e a lotação dos coletivos, quem precisa se deslocar pela Caxangá agora enfrenta até mesmo engarrafamento nos corredores exclusivos para ônibus: é que alguns motoristas de carros particulares invadem tais corredores. Alguns deles, já cientes da localização das poucas câmeras que monitoram o tráfego local, chegam até mesmo a parar seus veículos em meio à via, passando longos minutos tentando reocupar as faixas destinadas a carros e motos e assim escaparem da multa.
Quem leva a pior são os passageiros que, espremidos nos tórridos ônibus, ainda são penalizados pela “esperteza” de alguns motoristas sem qualquer senso de civilidade. O desabafo é do internauta Bruno de Souza, que enviou a foto do flagrante.” Como motorista e também usuário de transporte público me sinto duplamente desrespeitado. Já imaginou se todo mundo começa a seguir o mau exemplo?”, questionou.

Para que isso não aconteça, a única solução é reforçar na fiscalização dos equipamentos eletrônicos e começar a surpreender os motoristas que tentam tirar vantagem dos espaços destinados ao transporte público.

Carro demais em Curitiba ameaça qualidade do transporte público

O trânsito já se tornou reclamação constante na boca do curitibano e um dos motivos pode ser a quantidade de carros nas ruas da cidade. De acordo com dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a capital do Paraná tem a quarta maior proporção entre pessoas e automotores. Existe um veículo para cada 1,3 habitante. Isso significa que são 1.746.896 curitibanos para 1.315.305 veículos. Diante de tantos carros, o tráfego intenso acaba sendo inevitável.

Na avaliação do professor de Urbanismo do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Paulo Rolando de Lima, os congestionamentos e a demora no deslocamento diário vão continuar crescendo. “Este é o preço que se vai pagar por ter optado pelo transporte individual. Todos reclamam, mas querem ir à padaria de carro”. Aliado a isso, destacou o docente, tem-se a melhoria da renda da população e o crescimento da chamada Classe C, que consome cada vez mais e a partir de agora pode concretizar o sonho do carro próprio.

Parte deste problema, que também pertence a realidade da outras grandes cidades, pode ser solucionada com investimentos no transporte público a ponto de torná-lo confortável para aqueles usuários que não têm outra opção e atrativo para aqueles que possuem carro. A ideia é que o carro não faça parte do dia a dia. “O cidadão precisa entender que ele faz parte do funcionamento do trânsito”, afirmou Paulo de Lima.
De acordo com o professor Paulo Rolando de Lima, a estrutura do transporte coletivo de Curitiba já funcionou bem, mas hoje, com o crescimento da cidade, o deslocamento para algumas regiões é difícil. “Só para o Centro está resolvido, mas precisa ampliar e melhorar as linhas que ligam os bairros”, afirmou. “É necessário dar eficiência e velocidade no percurso”, acrescentou.
Via Blog Meu Transporte