Por Mariana Fabrício

A rotina de dividir as leituras diárias entre títulos clássicos como Senhora, de José de Alencar e textos informativos de jornais e revistas é uma das estratégias da estudante Marina Muniz, 17 anos, para a maratona do Exame Nacional do Ensino Médio. Com a mudança desse ano, o Enem dará cinco horas e meia no dia 5 de novembro para cada candidato responder a questões de linguagens, redação, ciências humanas e suas tecnologias, provas que normalmente apresentam uma quantidade maior de textos. Já no domingo seguinte, dia 12 de novembro, o tempo diminui para quatro horas e meia para as provas de ciências da natureza e matemática.

Desde 2009, quando passou por uma reformulação, o Enem vem apresentando questões mais objetivas e menos interpretativas, mas isso não significa que o aluno não precise fazer uma boa interpretação de texto. Todos os cadernos possuem 45 questões, todas de múltipla escolha e acompanhadas de textos que contextualizam os assuntos abordados. Na hora da prova, ter um bom ritmo de leitura e um vocabulário rico facilita para que o candidato entenda o que pede cada enunciado.

“Geralmente, eu começo cada questão lendo a pergunta e depois vou para o texto de apoio. Isso permite que ache mais rapidamente o que está sendo pedido e identifique quais alternativas estão incorretas. Ter uma rotina de leitura ajuda para que eu otimize o tempo gasto”, comenta Mariana, aluna do Colégio Damas, que aproveita o tempo das refeições e os finais de semana para fazer leituras diárias em sites e livros que gosta.

Segundo a professora de língua portuguesa do Colégio Damas Luciana Notaro, a observação das figuras que acompanham as questões também é essencial para fazer uma interpretação correta. “As imagens aparecem como um complemento. É interessante que o aluno lembre de interpretar os textos não verbais para responder corretamente o que está sendo pedido. Já se houver dois textos em uma única questão, é bom procurar o que há de comum entre eles para que possam relacionar de forma adequada”, explica.

Ampliar o vocabulário e diversificar os tipos de leituras também estão entre as dicas de Luciana. “Caso o candidato não saiba o significado de alguma palavra, não adianta ficar tentando adivinhar. É interessante observar o contexto para entender o que ela está querendo afirmar. Por isso que ser um leitor recorrente ajuda a manter uma leitura mais focada e enriquece o vocabulário”, acrescenta.

A estudante Laiz Ramos, 17, pretende cursar medicina e além de fazer cursinhos das disciplinas específicas e estudar quatro horas diárias em casa, ela procura gastar o tempo livre com os livros. “Alguns títulos que fazem parte da nossa leitura obrigatória têm uma linguagem peculiar, que segue o estilo da época. Isso ajuda bastante, principalmente quando aparecem as poesias na prova. Claro que ler cada uma ajuda, mas procuro saber antes quem é o autor e a escola literária para fazer a leitura já com um foco determinado”, comenta.

Fazer pausas entre as leituras, além de ajudar a descansar, torna a prova mais produtiva, principalmente no primeiro dia, que terá provas com mais textos, além da redação. “Ler todos os dias não ajuda somente na interpretação, mas facilita no momento em que vamos escrever. Nessa hora, é a nossa bagagem que vai fazer a diferença com uma base boa de leitura”, conta Laiz.

Dicas para uma boa interpretação textual:

– Manter uma rotina de leitura variada (livros, jornais, revistas)
– Concentrar-se no texto no momento da leitura
– Observar qual o objetivo comunicativo do autor
– Identificar a qual gênero o texto pertence
– Perceber a estratégia argumentativa do autor