Por Mariana Fabrício

Seguindo a inspiração do pai, o estudante Rafael Mendes, 17 anos, pretende cursar odontologia e ter seu próprio consultório. Para alcançar esse objetivo, ele mantém uma rotina de estudos dividida entre a escola, o cursinho e as revisões em casa. Um dos momentos mais decisivos da caminhada de Rafael rumo à universidade e ao mercado de trabalho será o segundo domingo do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), em 12 de novembro, quando vão ser aplicados os cadernos de ciências da natureza e suas tecnologias (incluindo química, física e biologia) e de matemática.

A estratégia já está montada para as quatro horas e meia de duração do exame. Rafael pretende fazer as provas de química, física e biologia primeiro e, logo depois, concluir o caderno de matemática. “Me sinto confiante para esse dia, que será quase um teste de resistência. Além de já ter passado pelo primeiro domingo de provas, teremos uma semana de expectativa diante de avaliações que exigem muitos cálculos. Pretendo garantir as áreas que têm maior peso para mim e depois seguir com a prova de matemática, que deve vir trabalhosa como nos anos anteriores”, analisa o aluno do Colégio Damas.

De acordo com o professor de biologia da mesma instituição de ensino, Andrey Freire, é necessário saber quanto tempo se deve gastar em cada questão. “A prova de ciências da natureza costuma ser densa porque conta com três disciplinas e duas delas cálculos. Geralmente as questões são acompanhadas de textos que exigem maior atenção. É preciso concluir cada prova em seu tempo para evitar intercalar demais as questões e deixar o gabarito incompleto”, comenta o professor.

Entre os assuntos recorrentes de biologia estão ecologia, fisiologia, engenharia genética, fitologia e doenças. De acordo com Andrey, o tema mais comum é o programa de saúde, sobretudo as arboviroses, que continuam a ser cobradas. Para a fera de medicina Rafaela Feijó, 17 anos, o desafio será conciliar as matérias específicas com os cálculos necessários ao longo da prova.

“Gostei da nova divisão porque será um dia para humanas (o primeiro domingo de provas, em 5 de novembro) e outro para exatas, e tenho habilidade em ciências. Quem não possui esse perfil pode sentir mais dificuldade em relação ao pouco período para ler tantas alternativas. Faço muitos exercícios porque só na prática conseguimos assimilar os conteúdos. Estou um pouco ansiosa por ser uma fase decisiva, mas acredito que isso não vai atrapalhar”.

Na prova de química, os temas que mais costumam cair são água, cadeias carbônicas, unidades de concentração, termoquímica e reações orgânicas. Já em física, o esperado é que sejam cobradas questões sobre circuitos elétricos, magnetismo, calorimetria, ondas e hidrostática. Segundo o professor de matemática do Colégio Damas, Rui de Andrade, os assuntos esperados são grandezas proporcionais, geometria espacial e aplicada, probabilidade e estatística. “O segundo domingo vai ser de provas que costumam ter característica mais seletiva. Então é interessante garantir as questões fáceis para ter um nível de proficiência e constituir uma boa base da nota. Não precisa insistir muito em uma questão se não chegar em um resultado. Uma das chaves é buscar outras soluções até sentir segurança na resposta. Se isso não acontecer, é melhor procurar outro enunciado que domine”, aconselha.