Por Jornal da USP

E se pudéssemos prever o futuro a partir do estudo de todos os riscos que uma situação pode apresentar? Esse é o trabalho de um profissional da área de Ciências Atuariais ou Atuária. A fim de obter os melhores resultados ou atenuar cenários instáveis, o atuário faz análise de riscos e torna o futuro o mais previsível possível.

O curso visa a formar profissionais capazes de trabalhar tanto no setor privado, como em seguradoras e mercado financeiro, quanto no setor público, como previdência social. Embora pareça uma profissão nova, ela é praticada há muito tempo, com registros que remontam à Roma Antiga. Já naquela época, havia uma preocupação de se registrar a natalidade e a mortalidade da população. Porém, foi apenas na Europa do século 18, mais precisamente na Inglaterra, que esses números se tornaram objetos de estudos de um possível problema populacional.

Com o avanço da medicina e as mudanças no padrão de vida da sociedade, a população começou a envelhecer e fez-se urgente o planejamento de políticas voltadas a mitigar os impactos desse envelhecimento. A grande preocupação era a diminuição da capacidade de trabalho. O jovem se vê obrigado a trabalhar por si e pela população idosa. Para isso, foi pensada a criação de um fundo de capitalização para o futuro, o que conhecemos atualmente como previdência. Durante o século 20, com o desenvolvimento da tecnologia, esse problema se acentuou e o trabalho do atuário se tornou fundamental.

Atualmente, a área não cuida apenas de riscos envolvendo previdência, mas também financeiros e catástrofes naturais. O propósito é trabalhar com qualquer espécie de risco que possa causar grandes impactos na vida das pessoas. Eventos climáticos, bolsa de valores, comportamento populacional também incluem análises da atuária.

“A economia mundial é um conjunto de milhões de atores interligados, empresas, pessoas, bancos etc. É uma grande teia. Quando um fio sacode, toda a teia balança. Para que você tenha essa teia muito sólida, cada pessoa tem que gerenciar o seu risco, porque se cada perturbação afetar todo o resto, você rompe essa teia toda hora”, explica o professor da Universidade de São Paulo (USP), Luiz Jurandir Simões de Araújo.

Mercado de trabalho

Luiz Paulo Bueno foi aluno de Atuária de 2006 a 2011 . Hoje, é atuário regional de vida e saúde da Swiss Reinsurance Company Ltd, empresa suíça de resseguros que atua no Brasil. Quando era estudante do ensino médio, ainda não conhecia a área, mas já tinha aptidão para matemática e probabilidade. Conheceu Ciências Atuariais enquanto pesquisava profissões. A representação de um homem segurando uma calculadora e uma ampulheta no Guia do Estudante chamou sua atenção para o mundo dos negócios.

Começou a trabalhar na área já no segundo ano de curso. Segundo ele, encontrar vaga no mercado não é uma dificuldade para o atuário, pois há uma grande demanda pelo serviço e poucos profissionais. “Em todo evento, que tem uma probabilidade de ocorrência ou não e dele resulte a perda ou um ganho financeiro, existe o envolvimento de um atuário, por isso ele é tão importante e requisitado.”