Por Jornal da USP

Promover uma formação híbrida e dar ao aluno a possibilidade de construir o seu próprio perfil. Essa é a proposta do curso de Artes Visuais, que também possui o compromisso com o ensino e a pesquisa e, claro, com a prática artística.

O curso permite ao aluno escolher a licenciatura ou uma das quatro opções de habilitação no bacharelado: Pintura, Gravura, Escultura e Multimídia e Intermídia. A escolha ocorre no mesmo ano de ingresso e é permitido trocar de opção por mais duas vezes ao longo da graduação.

As divisões não limitam o desenvolvimento dos alunos, que podem cursar matérias que não compõem a grade de sua habilitação, como explica a professora e coordenadora da Escola de Comunicações e Artes (ECA), da USP, Silvia Regina Laurentiz. “Existem disciplinas que são comuns para todos, principalmente, as de história e crítica da arte, e existem as introdutórias de cada uma dessas habilitações, que também são cursadas por todos. Depois disso, além das obrigatórias da habilitação que escolheu, o aluno tem que cursar uma carga de optativas eletivas.”

As optativas eletivas são oferecidas pelo próprio departamento e permitem que um estudante que elegeu Gravura como habilitação possa frequentar aulas com foco em escultura, por exemplo. Os alunos também realizam essa dinâmica entre os outros departamentos de artes da Universidade, buscando disciplinas de acordo com a sua área de interesse.

A doutoranda Loren Bergantini acredita que o curso possui uma abordagem abrangente e enriquecedora, proporcionando “muitas referências, o que tem consequência na produção individual de cada um”. Formada em 2013, Loren optou pela habilitação em Multimídia e Intermídia pela possibilidade de trabalhar com vários meios aliados à tecnologia. Atualmente, dedica-se totalmente à área acadêmica e está desenvolvendo sua tese de doutorado em multissensorialidade. No trabalho, ela aprofunda as discussões iniciadas em seu mestrado.

O ensino das artes

A professora Maria Christina Rizzi, coordenadora da licenciatura em Artes Visuais, afirma que quem escolhe a área de educação artística também tem acesso às matérias do bacharelado. Os alunos não são treinados para lecionar, explica Maria Christina. Na verdade, são orientados a criarem a sua própria metodologia, de acordo com o contexto em que estão inseridos, ou seja, conforme o projeto pedagógico e os recursos fornecidos pela escola onde estão.

Durante a graduação, os estudantes devem realizar estágios obrigatórios, promovidos pela própria universidade, com aulas práticas chamadas de ateliês, momento em que os alunos podem ministrar aulas para crianças ou adolescentes sob a supervisão de professores.

O estudante Rafael Aguaio, que seguiu a licenciatura, passou pela experiência dos ateliês e revela que já tinha interesse em dar aulas antes de entrar na Universidade.

Como trabalho de conclusão de curso (TCC), Rafael está aperfeiçoando uma série fotográfica que desenvolve há três anos, com fotos de paisagens do centro de São Paulo e de sua própria residência. O trabalho, a princípio, não tem muita relação com licenciatura – e a coordenadora do curso explica que não há problema. “O TCC também demonstra a amplitude dessa formação”, afirma Silvia Regina.

Mercado de trabalho

Assim como o curso, o mercado de trabalho para o formado em Artes Visuais é bem diversificado. Além do universo escolar para os licenciados, todos podem atuar em instituições culturais e serem artistas, curadores e críticos de arte. Silvia Regina ressalta a abrangência da profissão: “Eu tenho alunos que estão trabalhando em empresas, trabalhando como designers gráficos, com animação e editoração. Essa formação híbrida que o aluno cria o encaixa no mercado de uma forma diferenciada”.

Rafael Aguaio, por exemplo, já trabalhou em exposições, oficinas e na programação de um centro cultural, mas pretende seguir carreira na educação artística e fotografia. A professora Maria Christina aponta que também é possível exercer atividades em ONGs que levam arte para comunidades e hospitais, como a Arte Despertar.