Por Mariana Fabrício.

O estudante Carlos Eduardo Albuquerque, 17 anos, está se preparando para prestar vestibular em três universidades de Pernambuco. Para passar por sistemas de seleção diferentes, ele está investido tempo e bastante estudo para conseguir cursar Direito, umas das graduações mais concorridas. Se adaptar ao modelo de prova e conhecer como funciona cada tipo de processo seletivo estão entre as principais dicas para os feras que vão disputar a tão sonhada graduação em mais de uma instituição.

Desde 2010, o Exame Nacional do Ensino Médio passou a ser a etapa única de ingresso nas universidades públicas. Em Pernambuco, aderiram a UFPE, UFRPE e UNIVASF, que desde então não possuem mais vestibular próprio, conforme orientação do Ministério da Educação (MEC). A seleção dos candidatos acontece através do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que considera as notas do Enem como único critério de avaliação e elabora um ranking por meio de um sistema informatizado após cada candidato selecionar duas opções de curso. Já a Universidade de Pernambuco (UPE), divide o quantitativo de vagas, sendo 1.730 para o Sistema Seriado de Avaliação (SSA) e mais 1.730 para quem concorre pelo Sisu.

Além de se informar sobre cada etapa dos vestibulares que irão se inscrever, os feras devem se antecipar quanto ao modelo de prova para evitar grandes surpresas. Entre as opções no estado, por exemplo, os professores lembram que existem diferenças na abordagem que é feita pelo Enem, assim como acontece no SSA. Enquanto o primeiro apresenta questões contextualizadas, o último traz enunciados que cobram o conteúdo de forma mais direta.

“É interessante ter contato com provas anteriores do vestibular que está prestando para se adaptar a linguagem que normalmente é utilizada, ao nível das questões que serão trazidas, além de se informar sobre a nota de corte mínima para ter um rendimento maior” destaca o professor de física do Colégio Damas, Jomar Matos.

Uma das estratégias de Carlos Eduardo é manter o foco nas disciplinas que têm maior peso no resultado final. “Eu estou estudando bastante porque além de o Enem ser muito concorrido, Direito é o segundo curso mais procurado na UFPE. Por ser uma referência nessa graduação, muita gente de outros estados se inscreve, o que amplia a concorrência. Percebo que as notas estão aumentando a cada ano, mas tento me manter seguro e me preparar da melhor maneira possível”, explica o estudante que vai prestar vestibular para a UFPE, UPE e UNICAP.

Em contrapartida, o professor de história do Colégio Damas, Lula Couto, alerta para que os estudantes não esqueçam de estudar mesmo aquelas disciplinas que exigem uma nota menor no curso escolhido, já que um resultado inferior pode comprometer a nota geral. “Quem vai fazer direito, por exemplo, precisa dominar as disciplinas de humanas, mas sem comprometer o desempenho nas demais, sobretudo para aquelas universidades que utilizam a nota do Enem, que preza tanto pela interdisciplinaridade. Uma dica é dar menos importância à memorização e focar na capacidade de interpretar e criar vínculos com o presente, procurando por várias fontes e ter uma visão reflexiva sobre os fatos”, adverte.

Além das horas de estudo na sala de aula e em casa, exercitar o tipo de prova que irá encarar no final do ano também é uma das chaves para conseguir a aprovação. Aproveitar o momento depois que assuntos foram passados pelo professor proporciona um desempenho ainda melhor na hora da revisão. “Todo aluno deve estudar continuamente e de forma gradativa partindo daquele assunto mais simples para o mais complexo. Não acumular informações do dia da aula é primordial. Para fixar bem um conteúdo é importante fazer vários exercícios no mesmo dia porque aquilo que foi passado no colégio ainda está fresquinho na cabeça. O diferencial vai ser fazer isso já no formato que cada universidade utiliza como seleção”, justifica Jomar.

Nos dois meses que restam para o Enem, que será realizado nos dias 5 e 12 de novembro, Carlos Eduardo aproveita até mesmo o tempo livre para ler sobre assuntos que podem aparecer contextualizados nas provas de humanas, que exigem maior pontuação na graduação escolhida por ele. “Sempre gostei muito de ler sobre geopolítica e acredito que isso pode fazer a diferença. Reforço bastante o estudo em história, geografia e sociologia porque sei que vai pesar no somatório. Enunciados sobre as guerras mundiais, revoluções, imperialismo e Revolução Russa são frequentes, então preciso estar afiado”, determina.