Por Jornal da USP

A curiosidade e o interesse pelo estudo da Terra são fundamentais para aqueles que pretendem cursar Geofísica. A partir do levantamento de dados, os geofísicos conseguem descobrir diversas informações, que são distribuídas em duas grandes áreas: a global e a aplicada, também conhecida como de exploração.

Enquanto a área global estuda a formação, a dinâmica e a movimentação do planeta Terra, a geofísica aplicada está relacionada, por exemplo, à busca por jazidas minerais, ao estudo sobre como um aterro sanitário foi instalado e à definição do melhor local para a exploração de águas subterrâneas. São questões que envolvem “um problema tipicamente de interesse humano”, explica Raphael Prieto, ex-aluno do curso e atual mestrando em Geofísica.

A professora Liliana Alcazar revela que a Geofísica tem espaço tanto para aqueles que gostam de realizar trabalho de campo, coletando dados nos locais de interesse, como para quem prefere utilizar o computador como principal ferramenta, processando e interpretando essas informações.

Nas disciplinas obrigatórias, os alunos veem com maior ênfase os métodos mais empregados para a obtenção de dados. As optativas eletivas e livres complementam a formação com conteúdos mais específicos. Entre as temáticas abordadas ao longo do curso estão a sismologia, que estuda as ondas sísmicas; a magnetometria, que analisa o campo magnético; e a gravimetria, cujo foco é o campo gravitacional.

Durante os dois primeiros anos de graduação, os alunos têm aulas no Instituto de Física (IF), no Instituto de Matemática e Estatística (IME) e no Instituto de Geociências (IGc). O motivo é que a Geofísica é uma ciência interdisciplinar e exige a interação de conhecimentos em física, matemática, computação e geologia.

Para o doutorando Israel Dragone, essa interdisciplinaridade é um diferencial no curso da USP, em relação a outras graduações na área, opinião compartilhada com Prieto. “A gente tem uma caixa de ferramentas muito ampla, justamente porque tivemos acesso a todas as interfaces entre todos os laboratórios. Aqui temos uma infraestrutura muito boa frente a de outros lugares.”

Porém, ambos sentiram falta de mais viagens para trabalhos de campo. “Eu acredito que o estudante não deve somente processar dados, é preciso saber como se faz aquisição e instalação de equipamentos. Isso é fundamental para entender o processo como um todo”, afirma Israel Dragone.

Mercado de trabalho
Na área de geofísica rasa, os egressos podem auxiliar em grandes obras, fornecendo noções importantes para engenheiros sobre as características do solo. Essa é a atuação de Otávio Gandolfo no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Ele se formou em 1991 e, atualmente, trabalha com engenharia e meio ambiente.

Em grandes empresas, como de petróleo e mineração, os geofísicos podem integrar equipes responsáveis por diferentes processos. Já em empresas menores, participam de todas as etapas, explica Liliana.

Esse foi o caso de Prieto, que após concluir o curso decidiu atuar no mercado de trabalho antes de investir na área de pesquisa. Nesse período, exerceu atividades em prospecção mineral, na qual pôde participar das várias fases relacionadas aos dados encontrados, desde a aquisição até o relatório final, além de ter tido a sua própria empresa de consultoria dedicada ao Estado do Pará.

A área acadêmica é uma alternativa interessante para os egressos. Formado no ano passado, Dragone iniciou o seu doutorado ligado à área de geofísica global, com tomografia, enquanto Prieto dedica-se à petrofísica.

Para além disso, os conhecimentos adquiridos em cálculo, matemática e computação também permitem que geofísicos possam trabalhar em bancos, como analistas de riscos e programadores, por exemplo.