Por Mariana Fabrício.

O momento em que Pernambuco foi palco de uma república à parte do Brasil, em 1817, quando se deu a Revolução dos Padres, é uma das apostas de temas para as provas de história dos vestibulares nacionais e, especialmente, aqueles realizados pelas faculdades do estado. No ano de comemoração do bicentenário da insurreição é fundamental que os feras relembrem as motivações da revolta, seus personagens e as consequências trazidas por ela naquela época.

O assunto que ganhou exposições, desfiles, homenagens e cerimônias oficiais também foi eleito como tema do ano letivo para escolas do Recife, que celebram “200 Anos de Revolução Pernambucana: Recife em Cena da Cultura Popular”. Além disso, o dia 6 de março tornou-se Data Magna, tendo, a partir deste ano, solenidades em alusão à Revolução.

“Toda cultura tem suas datas simbólicas, representativas e todo jovem pernambucano deve conhecer a relevância desse acontecimento. Manter esse marco na memória é fundamental para que a identidade do estado e do país se mantenha viva. Esse é um momento fundamental que ganha ainda mais força por completar bicentenário e ter sido abordado em tantas programações ao logo deste ano”, ressalta o professor de história do colégio Damas, Lula Couto.

O tema das revoltas separatistas deve aparecer não só nos enunciados, mas também em figuras e textos de modo contextualizado, como costuma ser abordado no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). “O Brasil Colonial costuma ser bastante explorado nas provas e a Revolução de 1817 está inserida justamente no período de crise colonial, fase também recorrente nos vestibulares. O contexto dessa e de outras revoltas, assim como a presença da família real no estado podem aparecer associadas”, comenta Couto.

As características da Revolução que podem ser cobradas nas provas são o separatismo e o pioneirismo. Entre as rebeliões coloniais, esse foi o único movimento emancipacionista em que realmente houve tomada de poder e foi instalado o governo provisório, após as lutas libertárias. Se destacam ainda a Conjuração Mineira (1789), Conjuração Baiana (1796) e a Conjuração Carioca (1794). Todas foram rebeliões com o mesmo caráter separatista que lutavam contra falta de autonomia política, privilégios portugueses e cobrança de altos impostos.

A participação dos clérigos é outro fator que culminou na separação do império e deve ser relembrado pelos estudantes. A criação do Seminário de Olinda e a formação dos padres com referências iluministas resultou no fortalecimento do levante que chegou a ter mais de 70 sacerdotes. Se destaca o mártir Miguel Joaquim de Almeida Castro, o Padre Miguelinho, que foi condenado e fuzilado pelo crime de lesa-majestade.

“Uma das questões que podemos destacar são as influências do Iluminismo e principalmente as conexões com os ideais da Independência dos Estados Unidos, em 1776, e Revolução Francesa, de 1789. São pontos que podem ser abordados na prova. Outra curiosidade que talvez apareça é que foi durante esta Revolução que foi criada a bandeira de Pernambuco como conhecemos hoje”, destaca o professor.

A estudante Júlia Macedo, 18 anos, revisa o conteúdo em fontes variadas. De duas a três horas que costuma estudar em casa, ela responde fichas de questões, faz pesquisas na internet e resumo dos livros. “Consegui perceber a relevância do assunto porque nas provas anteriores já caiu muita coisa sobre o Brasil Colonial. Além disso, nosso professor sempre destaca que essa foi a revolta mais organizada da época. Já havia estudado sobre o tema no ano passado, mas precisamos relembrar, principalmente por ser o bicentenário e por ter se tornado feriado”, diz Júlia.