Por Jornal na USP.

Quando se fala em meteorologia, a associação com a previsão do tempo é imediata. No entanto, esta é apenas uma de muitas áreas de atuação. Ela também investiga fenômenos como poluição e eletricidade atmosférica, recursos hídricos e mudanças climáticas. As ciências atmosféricas têm sido cada vez mais valorizadas devido a questões regionais, nas quais a previsão do tempo e a qualidade do ar são relevantes, e também questões globais, como alterações climáticas, poluição atmosférica, aquecimento global e buraco da camada de ozônio.

Desde 1977, o Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP oferece o curso de Bacharelado em Meteorologia. O profissional analisa e processa dados para elaborar a previsão meteorológica para divulgação ao público ou para empresas que atuam em setores como agricultura e transportes. Também atua na área ambiental e no desenvolvimento de instrumentos meteorológicos.

A base da graduação está no estudo de física, matemática e computação. “O meteorologista tem que ter um grande conhecimento dessas três áreas. Constitui o básico para estudar as disciplinas específicas da meteorologia”, conta o professor Carlos Raupp, coordenador do curso de Meteorologia.

A “ferramenta” de trabalho do meteorologista é a modelagem, ou seja, a representação do comportamento da atmosfera com base nas leis da física em termos de equações matemáticas. É justamente a resolução dessas equações que dão apoio à previsão do tempo.

“Existem técnicas computacionais para buscar soluções dessas equações, no entanto, são soluções aproximadas, porque as equações são muito complexas e não tem como obter exatidão. As técnicas computacionais para determinar a solução aproximada é que vão constituir a previsão do tempo. Todos esses cálculos são feitos por computadores de alto desempenho, dada a complexidade dessas equações”, explica Raupp.

As disciplinas são ministradas no IAG, no Instituto de Física (IF), no Instituto de Matemática e Estatística (IME) e no Instituto Oceanográfico (IO), todos localizados no campus Cidade Universitária da USP, em São Paulo. Para o professor Raupp, o curso da USP se destaca devido à infraestrutura disponível aos estudantes, como os laboratórios computacionais e a existência de uma estação meteorológica da Universidade.

Localizada no Parque de Ciência e Tecnologia (Cientec), em frente ao Zoológico de São Paulo, a estação é a mais antiga em funcionamento na cidade, inaugurada em 1932. As observações meteorológicas no local alimentam registros históricos que permitem calcular médias e fazer um levantamento de informações que ajudam a descrever o clima na cidade de São Paulo.

Mercado de trabalho
De acordo com o coordenador do curso de Meteorologia, apesar da situação econômica, a taxa de empregabilidade do formado na área está em quase 100%. “Há poucos profissionais e uma demanda grande. Um setor que tem contratado bastante é o de energia, principalmente empresas que trabalham no setor de energia eólica, porque depende fundamentalmente do clima, além do mercado de commodities agrícolas.”

O meteorologista Tássio Santos Costa se formou na USP em 2010 e cursou também o mestrado na Universidade. Ele trabalha em uma seguradora, na qual realiza previsões sazonais e análise de riscos voltados à área agrícola.

“Essa área é fortemente impactada por fenômenos atmosféricos. O mercado segurador para a agricultura é focado na cobertura de eventos meteorológicos. O papel de um meteorologista em uma seguradora é oferecer um material que permita à empresa entender os riscos envolvidos e ofertar as melhores condições para os clientes”, disse Costa.

Único meteorologista da empresa, ele conta que não desempenha somente funções ligadas à meteorologia. “Também realizo atividades da bagagem do curso de Meteorologia, que é bastante forte, focado em ciências exatas. Aprendemos programação, estatística, cálculo. São habilidades que permitem a ampliação do nosso espectro de atuação no mercado.”

Sobre a experiência de estudar na USP, Costa relembra da infraestrutura. “Temos uma disciplina de instrumentos meteorológicos, que tem toda a rotina profissional, como se fôssemos meteorologistas. Entendemos como é a realidade dentro de uma estação meteorológica, conhecemos todos os instrumentos e compreendemos como os dados são processados na estação”, conta.

E ressalta: “Os estudantes entram ansiosos por trabalhar com a prática, mas primeiramente temos toda uma base, fundamentos de cálculo e física que vão permitir a atuação. Entender os fenômenos e conseguir fazer uma previsão é mais para o fim do curso”.