A biblioteca considerada a mais rica em obras de ciências sociais e humanidades fica no bairro de Apipucos, Zona Norte do Recife, mas é pouco conhecida por moradores da cidade. O acervo da Biblioteca Blanche Knopf, da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), é de 126 mil volumes. São livros, obras raras, fascículos e periódicos, além de quatro mil cordéis disponíveis gratuitamente para consulta. O espaço completará 65 anos em 2019 e planeja chegar à nova idade mais conhecido pela população. Para isso, ganhará divulgação das ações nas redes sociais. Outro plano para o futuro é digitalizar o acervo, que inclui todos os exemplares da coleção pessoal de livros de Joaquim Nabuco e obras raras do século 17.

O prédio da biblioteca, no número 92 da Rua Dois Irmãos, a poucos metros do Açude de Apipucos, tem três pavimentos. No térreo, livros mais atuais podem ser encontrados pelos visitantes. O segundo andar é reservado às atividades administrativas e o último guarda os periódicos e as obras raras. A entrada é gratuita e não precisa de cadastro para ter acesso aos exemplares. Basta chegar no horário de funcionamento, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. Não é autorizado, porém, levar o material para casa. A consulta tem que ser feita no local, que é climatizado e tem internet wi-fi gratuita.
A coordenadora da biblioteca, Nadja Tenório, ressalta que o objetivo do espaço público é preservar a memória, proteger o acervo e mediar o acesso do público às obras. “São livros de vários segmentos, exceto das ciências exatas”, destacou. Entre as obras raras, exemplares de 1660. As coleções especializadas incluem, por exemplo, os Documentos Brasileiros e o Memória Brasileira, enquanto periódicos raros, uma coleção de revistas de cinema das décadas de 1930 e 1940. A biblioteca, segundo a coordenadora, recebemos pessoas de todo o país e do exterior interessadas no acervo, que já foi considerado o mais rico do Brasil em ciências sociais e humanidades.
Para manusear as obras raras é preciso usar luvas e máscara, disponibilizadas pela equipe da biblioteca. A manipulação é orientada por funcionários, que também se disponibilizam a ajudar os frequentadores em pesquisas e consultas. “Muitas pessoas, de todas as idades e níveis de instrução, chegam e pedem ajuda em pesquisas. Elas dizem o que estão estudando e indicamos livros e periódicos”, ressaltou a bibliotecária Veronilda Santos. A pesquisa pode ser feita ainda em computadores, usando palavras-chave. A consulta digital indica obras adequadas ao tema procurado. “É a melhor biblioteca da cidade, na minha opinião. Pena que é pouco conhecida. Tem um acervo riquíssimo em história, sociologia, filosofia”, afirmou o professor de história Diego Souza, frequentador da Blanche Knopf.
 
Pesquisa escolar
Além do trabalho de preservação e divulgação das obras que abriga, cabe à Biblioteca Blanche Knopf a manutenção e atualização do site Pesquisa Escolar da Fundação Joaquim Nabuco. O portal, com artigos diversos que podem ser usados por professores e estudantes em pesquisas, reúne textos em português, inglês e espanhol. O objetivo é disponibilizar conteúdo escolar confiável, em tempos de control C e control V na internet. “É como as enciclopédias de antigamente, só que no ambiente digital. São textos com fontes confiáveis, o que ajuda na hora de fazer a tarefa de casa”, pontuou Nadja Tenório.

Quem foi Blanche Knopf

Diario de Pernambuco publicou, em 27 de outubro de 1968, a homenagem feita pelo Instituto Joaquim Nabuco, que viria ser a Fundação Joaquim Nabuco, à Blanche Knopf. Na homenagem, o sociólogo Gilberto Freyre revelou que o instituto havia recebido o primeiro grupo de livros doados pela Alfred A. Knopf, editora norte-americana presidida por Blanche. Esta, nascida em julho de 1894, morreu em junho de 1966. Os livros foram entregues pelo Consulado dos Estados Unidos no Recife.

Freyre informava que os livros iam para uma sala na biblioteca do instituto e que teria o nome de Blanche Knopf. “Sala provisória: a definitiva será no edifício, também definitivo, da Biblioteca, sempre em expansão, do Instituto”, escreveu. A homenagem, acrescentou o sociólogo, era justíssima. “Ninguém nos Estados Unidos nos últimos trinta anos, que dedicasse à cultura brasileira maior e mais lúcido carinho do que Blanche Knopf”, ressaltou o sociólogo, acrescentando que os dois Knopf como que descobriram para o público mais culto do seu país o moderno Brasil intelectual. “Resolveram revelá-lo ao vasto mundo de língua inglêsa através de tradução dos escritores que lhes parecem mais significativos, mais expressivos, mais caracteristicamente brasileiros e, ao mesmo tempo, de espírito ou de sentido mais universal; e que ainda não tivessem sido traduzidos àquela língua, mais que nenhuma, das modernas, transnacional.”
Blanche Knopf, detalhou Freyre, esteve no Brasil na década de 1940    pela primeira vez. “Havia aqui uma literatura de genuíno valor que precisava de ser revelada. Havia aqui gênios literários e não apenas rios gigantes. De onde seu afã no sentido de fazer traduzir e publicar em língua inglesa obras que confirmassem seu juízo”, completou.
A editora Alfred A. Knofp foi fundada em 1915. E, conforme a homenagem do sociólogo, Blanche e Alfred Knopf nunca deixaram que na editora o sentido comercial dominasse o sentido  intelectual. Para sala a que recebera o nome de Blanche chegaram livros sobre assuntos sociais, problemas culturais, história e filosofia.
Serviço
Biblioteca Blanche Knopf
Endereço: Rua Dois Irmãos, 92, Apipucos, Recife
Telefones: (81) 3073-6540 e 3073-6535
E-mail: bibli@fundaj.gov.br
Horário de funcionamento: segundas, terças e quartas das 8h às 17h; quintas e sextas das 8h às 12h e das 13h às 17h