Por Folha Press

Apesar de deixar de abordar ditadura militar pela primeira vez desde 2009, a prova do Enem deste ano foi considerada ampla, diversificada e bem elaborada por professores da Organização Educacional Farias Brito. Os docentes participaram neste domingo (3) de comentários e correção do exame na TV Folha.

Os candidatos fizeram as provas de ciências humanas, linguagens e redação neste primeiro dia do Enem. No próximo domingo (10), é a vez de matemática e ciências da natureza -professores do Farias Brito voltarão a comentar a prova na TV Folha após o fim do exame.

Neste domingo, participaram do debate os professores Adriano Bezerra (Geografia), Dawison Sampaio (História), João Saraiva (Filosofia/Sociologia) e Tom Dantas (Português e Redação). A mediação foi do jornalista da Folha Paulo Saldaña.

“Foi melhor que as expectativas”, diz o professor João Saraiva, que falou sobre as áreas de filosofia e sociologia. “Diante de um início de governo meio turbulento, entra e sai gente no Inep [Instituto nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais], aquela coisa de como ia ficar o Enem, muitas falas do sobre tamanho da provam, críticas a edições anteriores, não houve mudança tão drástica”.

O professor de história Dawison Sampaio diz que a diversidade temática foi preservada, com um componente cultural muito forte, passando pelo período colonial, questões de patrimônio e o papel do direito.

“Realmente sentimos a falta da temática [da ditadura militar], porque sempre vem abordados desde 2009”, diz. “Mas a prova foi dentro daquilo que é marca do Enem, e não deixou de abordar expressões culturais importantes”.

Esta foi a primeira edição do Enem sob o governo Jair Bolsonaro (PSL). O presidente havia feito críticas ao Enem na última edição e o Inep criou uma comissão para fazer um pente fino ideológico nas questões.

Por isso, havia grande expectativa sobre o conteúdo do exame. Não houve questão que citasse homossexualidade, temática que foi alvo de Bolsonaro na última edição.

Segundo os professores, foi positivo que a prova tenha trazido questões sobre agressões contra religiões de matrizes africanas, expansão da fronteira agrícola e a questão de refugiados. Também elogiaram a diversidade de pensadores citados, como Michael Foucault, Adam Smith e Maquiavel.

O professore de português Tom Dantas elogiou o tema da redação. Os candidatos tiveram que escrever sobre a “Democratização do acesso ao cinema no Brasil”.

“Ainda que não tenha sido um dos temas ventilados pelos cursinhos, por várias pessoas, ele faz parte do eixo cultural, que é um dos eixos temáticos para a proposta de redação”, diz. “Acho que os alunos não tiveram muita dificuldade para abordar esse tema”.

A prova foi considerada de dificuldade similar às últimas edições. “Foi mais do mesmo, a prova seguiu o mesmo padrão das provas passadas e contemplou os mesmo assuntos”, diz Adriano Bezerra, professor de Geografia.