Confira as leituras fundamentais na preparação para o Enem

Confira as leituras fundamentais na preparação para o Enem

Com a preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2019 já na reta final, os estudantes precisam focar nos conteúdos mais importantes. Isso inclui, claro, os conteúdos literários. Segundo o professor de português e redação Yuri Augustus, o Enem exige “um nível de leitura amplo e diversificado” do candidato, que precisa contar com um “embasamento considerável” na área de artes e literatura. “A leitura de alguns autores clássicos e de suas principais obras acaba sendo algo de suma importância, inclusive por poder se utilizar de tais saberes também na prova de redação como repertório sociocultural”, explica.

Confira as dicas do professor Yuri Augustus sobre autores e obras que não podem faltar na revisão dos conteúdos literários:

Autores
Gregório de Matos
José de Alencar
Machado de Assis
Lima Barreto
Mário de Andrade
Oswald de Andrade
Manuel Bandeira
Carlos Drummond de Andrade
Ferreira Gullar
Clarice Lispector
Graciliano Ramos
Cecilia Meireles
Manoel de Barros

Observação do professor
“Esses [autores] estão presentes no século XVII (barroco) até o final do século XX (pós-modernismo), trabalhando com aspectos crítico-temáticos e atemporalidade em seus temas, refletindo desde o amor até as desigualdades sociais, ainda perpassando por questões existenciais.”

Obras
Vidas Secas (Graciliano Ramos)
Sentimento do Mundo (Carlos Drummond de Andrade)
Macunaíma (Mário de Andrade)
Felicidade Clandestina (Clarice Lispector)
Dentro da Noite Veloz (Ferreira Gullar)
Gramática Expositiva do Chão (Manoel de Barros)
Libertinagem (Manuel Bandeira)
Romanceiro da Inconfidência (Cecília Meireles)
Iracema (José de Alencar)
Memórias Póstumas de Brás Cubas (Machado de Assis)

Observação do professor
“É importante frisar, ainda, a poesia marginal dos anos de 1960 e 1970, com toda sua carga histórica e contextual; letras de músicas de grupos dos anos de 1980, como Titãs, Paralamas do Sucesso e Legião Urbana; e clássicos compositores brasileiros, como Pixinguinha, Cartola e Noel Rosa.”

Entenda o TRI, sistema “antichute” do Enem

Entenda o TRI, sistema “antichute” do Enem

Entender o método de correção utilizado no Enem deve fazer parte da estratégia de cada candidato. A maneira como o fera responde aos quatro cadernos pode fazer a diferença no resultado final, já que o sistema de avaliação divide a prova em diferentes graus de dificuldade e identifica os chutes. Utilizada pelo Ministério da Educação desde 1995, a Teoria da Resposta ao Item (TRI) também é aplicada em todos os países que participam do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa).

Baseada em um modelo matemático, a teoria classifica as questões em fáceis, medianas e difíceis. Para avaliar se as respostas estão coerentes com o desempenho no restante da prova, a TRI usa três critérios. Entre esses parâmetros estão a discriminação, que verifica se o participante domina ou não o assunto da questão; o grau de dificuldade, que permite avaliar os estudantes em diferentes níveis de conhecimento; e a possibilidade de acerto ao acaso. É esperado que o estudante acerte uma maior quantidade de itens fáceis, seguidos de medianos e difíceis. Caso contrário, a TRI considera que houve “chute”, e a nota final será menor.

Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o propósito é garantir coerência pedagógica. “Entende-se que a aquisição do conhecimento ocorre de forma cumulativa, de modo que habilidades complexas requerem domínio de habilidades simples”, justificou.

Quando a prova é composta por muitos itens fáceis, a nota máxima será mais baixa, como acontece ano a ano com o caderno de linguagens, por exemplo, nos quais as médias ficam em torno de 500. Quando a prova é composta por muitos itens difíceis, o mínimo tenderá a ser mais alto. Então, a nota mínima pode não ser zero, mesmo se um aluno errar todas. O mesmo ocorre com a nota máxima, que pode passar de mil se as questões estiverem com nível alto, como aconteceu com as médias de matemática no ano passado.

Seguindo a matriz de referência do exame, que toma como base documentos oficiais que subsidiam o Ensino Médio, os 45 itens apresentados nas quatro áreas de conhecimento do Enem (matemática, linguagens, ciências da natureza e ciências humanas) têm peso em conjunto e não individual. Na correção, as questões são avaliadas levando em consideração se houve coerência. Esse sistema de avaliação permite que seja elaborada apenas uma prova de múltipla escolha para os mais de seis milhões de inscritos no exame, já que mesmo se dois candidatos tiverem a mesma quantidade de acertos, aquele que responder de forma mais coerente terá nota maior.

Critério de desempate

Uma das principais características da Teoria da Resposta ao Item é a escala criada pelo Inep, especialmente para o Enem, que tem como objetivo medir o conhecimento do participante nas quatro áreas. Todas as notas são calculadas dependendo do valor de referência, que representa o desempenho apresentado no ano anterior pelos concluintes do Ensino Médio da rede pública e o valor de dispersão, que diz respeito a uma medida de variabilidade média das notas desses concluintes em relação ao desempenho médio geral. O cálculo das notas segue seis etapas que exigem tripla conferência envolvendo grupos de especialistas em estatística, matemática e psicometria, além de recursos computacionais que garantam a confiança nos resultados.

A única prova que não segue a TRI é a de redação, já que é dissertativa e avalia o candidato em cinco competências que valem até 200 pontos cada, totalizando o máximo de mil pontos. A redação é lida por dois professores que avaliam se o estudante domina a língua portuguesa, compreendeu a proposta do texto base, defendeu um ponto de vista, construiu uma argumentação e elaborou uma proposta de intervenção para o problema abordado.

Cardápio equilibrado para os dois dias de provas do Enem

Cardápio equilibrado para os dois dias de provas do Enem

Alguns cuidados antes das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem)  são essenciais para que o candidato tenha uma boa performance, como descansar e tentar relaxar a mente à medida que a prova se aproxima. Outro cuidado igualmente relevante e muitas vezes deixado de lado pelos candidatos é estar atento à alimentação, com um cardápio equilibrado. Isso pode ser essencial para a concentração e disposição no momento do exame.

Uma combinação em horários-chave de proteínas (ovo, por exemplo), carboidratos (a banana é uma fonte muito rica) e vitaminas, com o cuidado de escolha de alimentos de fácil digestão, proporcionarão ao candidato a tranquilidade necessária para a prova. A fim de garantir a concentração dos participantes durante as longas horas de raciocínio, principalmente no dia do exame, é importante investir em alimentos que proporcionam energia por mais tempo e com alta qualidade de nutrientes, como vitaminas e minerais, além de evitar aqueles que possam prejudicar o rendimento e causar fadiga e sonolência.

Pensando nisso, a E4 Nutrição elaborou um cardápio completo e eficiente para o estudante que quiser estar bem alimentado durante os dias de prova do Enem.

Lembrando que a orientação é feita de maneira geral. Casos específicos, como alergias e intolerâncias, devem ser considerados consultando um profissional. 

– Desjejum: Recomenda-se que o candidato realize o café da manhã entre 7h30 e 8h. Desta forma, não atrapalharia o horário das demais refeições.

Ovos mexidos com azeite de oliva e ervas (orégano, alecrim, manjericão)

Smoothie de frutas vermelhas com água de coco

Café puro (opcional)

Alimento Quantidade Calorias
Ovo 2 unidades 70 kcal
Azeite de oliva 1 colher (sopa) 90 kcal
Água de coco 1 copo (150 ml) 35 kcal
Morangos 3 unidades 11 kcal
Amoras 5 unidades 10 kcal
Banana 1 unidade 100 kcal
Total 316 kcal

Comentário: O ovo mexido é uma ótima opção para ser incluída no café da manhã, por ser uma fonte proteica de qualidade e ainda contribuir com a oferta de colina, vitamina que auxilia na função cognitiva (raciocínio).  O smoothie de água de coco com frutas vermelhas e banana é indicado para que o estudante comece o dia com uma alta carga de antioxidantes e fibras, para manter-se mais saciado. O café é opcional, de preferência sem adoçar ou com a utilização de adoçantes naturais como o xilitol e stevia.

– Lanche da manhã (opcional): esta refeição é opcional, visto que o candidato precisa almoçar mais cedo para conseguir chegar no horário correto da abertura dos portões dos locais de realização da prova. Sugestão: 10h, caso sinta fome.

Iogurte natural sem açúcar ou iogurte de coco vegano

Flocos de aveia e um fio de mel

Alimento Quantidade Calorias
Iogurte natural 1 unidade 70 kcal
Flocos de aveia 1 colher (sopa) 50 kcal
Mel 1 colher (sopa) 45 kcal
Total 165 kcal

Comentário: O lanche da manhã é indicado caso o candidato sinta fome antes do almoço, mas não é obrigatoriamente uma refeição a ser realizada, uma vez que o almoço é feito cedo por conta do horário da prova. Para este momento, recomenda-se a escolha de opções mais leves como um iogurte natural sem açúcar ou iogurte de coco vegano, enriquecido com flocos de aveia, para melhorar o aporte de fibras, e um pouco de mel (que também é opcional).

 – Almoço: Recomenda-se que o candidato analise o seu local de realização de prova, uma vez que os portões abrem entre 11h e 12h (dependendo do estado) e fecham às 13h. Neste caso, o horário do almoço seria em torno de 11h e 11h30.

Peixe grelhado com ervas e azeite de oliva

Arroz integral e feijão

Salada verde de alface, rúcula, cenoura e beterraba ralada

Refogado de abóbora japonesa com salsinha

Alimento Quantidade Calorias
Arroz integral 3 colheres de sopa 112 kcal
Feijão carioca 1 e 1/2 concha média 114 kcal
Peixe grelhado (tipo – preferência do indivíduo) 1 unidade (130 gramas) 150 kcal
Azeite de oliva 1 colher de sopa 90 kcal
Abóbora cozida 4 colheres (sopa) 67 kcal
Cenoura 2 colheres (sopa) 9 kcal
Rúcula 3 folhas 15 kcal
Beterraba 2 colheres (sopa) 16 kcal
Alface 3 folhas 25 kcal
Total 598 kcal

ComentárioO almoço dos participantes deve ser o mais equilibrado, evitando a escolha de alimentos gordurosos que apresentam digestão dificultada e que podem prejudicar o desempenho para o raciocínio durante a prova. Os alimentos escolhidos para o almoço (peixe grelhado, arroz integral e feijão, refogado de abóbora e salada verde com beterraba e cenoura) combinam macronutrientes, vitaminas, fitoquímicos, fibras e minerais que contribuem com uma refeição leve, de fácil digestão e com energia suficiente para que o candidato não sinta fome rapidamente.

– Antes da prova: Recomenda-se a ingestão de bebida energética entre 10 e 20 minutos antes da prova, ou seja, por volta das 13h10.

1 lata (250 ml) de bebida energética

– Durante a prova: o participante deverá analisar o seu horário total de prova para realizar o lanche neste momento. Sugestão: Consumir parte do lanche após 2 horas de prova e a outra parte do lanche após mais 2 horas de prova, para evitar fadiga e desconforto gastrointestinal.

Água de coco

Água sem gás

Mix de castanha de caju, nozes e damasco

Chocolate 70% cacau

Snack de chips de batata doce (opcional)

Alimento Quantidade Calorias
Bebida energética sem açúcar 1 unidade 10 kcal
Água de coco 1 unidade (100 ml) 19 kcal
Castanhas de caju 3 unidades 52 kcal
Nozes 2 unidades 60 kcal
Damasco seco 1 unidade 40 kcal
Snack de batata doce ½ pacote (20 gramas) 90 kcal
Chocolate 70% cacau 25 gramas (3 quadrados) 113 kcal
Total 384 kcal

Comentário: Recomenda-se o consumo de bebida energética em torno de 10 minutos antes de iniciar a prova.

Esta opção fornece energia e componentes (cafeína e taurina) que potencializam o estímulo do sistema nervoso e, consequentemente, melhoram a concentração e o raciocínio para otimizar o desempenho mental. Durante a prova, a hidratação é essencial através de água de coco e água sem gás, para fornecer sais minerais e evitar desconforto gástrico por conta do gás. Em relação aos alimentos mais recomendados para o momento da prova, o chocolate continua sendo a opção mais escolhida. Sugere-se, nesse caso, um chocolate 70% cacau que além de ser mais rico em nutrientes, contém baixa quantidade de açúcar, que evita picos de glicose e hipoglicemia de rebote (condição que pode interferir negativamente no desempenho do estudante). Além disso, um mix de castanhas, nozes e damasco seco e um meio pacote de batata doce em chips (aquelas mais nutritivas vendidas em empórios naturais) são boas alternativas para evitar a fome.

– Após a prova: Recomenda-se o consumo deste lanche logo após o final da prova – 19h, 19h30.

Salada de frutas (Maçã, banana e uvas)

Alimento Quantidade Calorias
Maçã 1 unidade picada 69 kcal
Banana 1 unidade picada 67 kcal
Uvas 5 unidades 20 kcal
Total 156 kcal

Comentário: Depois da prova, caso o participante sinta fome, o ideal é escolher opções leves e com alta carga de antioxidantes, como uma salada de frutas com maçã, banana e uvas.

– Jantar: O horário do jantar dependerá da fome que o participante sentir. Recomenda-se em torno de 21h, 21h30, para espaçar o tempo dos lanches realizados durante e após o teste.

Guacamole (abacate, tomate, cebola e temperos)

Grão de bico cozido e refogado com cebola

Abobrinha refogada com berinjela

Arroz integral

Alimento Quantidade Calorias
Abacate 3 colheres (sopa) 130 kcal
Tomate 1 unidade 15 kcal
Cebola 2 colheres (sopa) 9 kcal
Grão de bico 3 colheres (sopa) 110 kcal
Abobrinha 3 colheres (sopa) 10 kcal
Berinjela 3 colheres (sopa) 15 kcal
Arroz integral 3 colheres (sopa) 95 kcal
Azeite de oliva 1 colher de sopa 90 kcal
Total 474 kcal

Comentário: Na última refeição do dia, indica-se o aporte de carboidratos de baixo índice glicêmico e de qualidade, combinado com proteínas de boa digestibilidade. Para isso, as proteínas de origem vegetal presentes no grão de bico e arroz integral são recomendadas, uma vez que fornecem aminoácidos essenciais e equilíbrio para a refeição. A guacamole é uma preparação extremamente nutritiva, feita com abacate amassado, tomate, cebola e temperada com azeite de oliva, suco de limão e sal. Fornece alta proporção de gorduras saudáveis e ainda contribui com a saciedade. Em relação à oferta de vitaminas e minerais, um complemento do prato é o refogado de abobrinha com berinjela. 

Valor calórico total do dia: 2090 kcal – aproximado para 200 a 2100 kcal (padrão).

Referência: Tabela de Composição dos alimentos – TACO. Unicamp, 2011 e Fat Secret (programa de cálculo nutricional).

Os assuntos que mais caem no segundo dia de provas do Enem

Os assuntos que mais caem no segundo dia de provas do Enem

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é formado por provas com questões de  múltipla escolha, divididas entre as áreas de linguagens, ciências humanas, ciências da natureza, matemática e redação. Ao longo dos anos, alguns temas se tornaram recorrentes nas provas e têm grandes chances de aparecerem no segundo domingo de provas, no dia 10.

Assuntos mais frequentes no Enem

Matemática
11% Porcentagem e matemática financeira
10% Grandezas proporcionais e médias algébricas
8% Problemas de 1º e 2º grau
7% Prismas
6% Noções básicas de estatística

Física
13% Resistores
8% Acústica
8% Ondulatória
7% Calorimetria
7% Energia, trabalho e potência

Química
11% Estados físicos, sistemas e misturas
11% Forças intermoleculares
9% Eletroquímica
9% Lei ponderais e estequiometria
6% Polímeros

Biologia
12% Crescimento populacional
8% Genoma humano
8% Organização celular
7% Ecossistema
7% Relações ecológicas

Como garantir rendimento máximo nos estudos às vésperas do Enem

Como garantir rendimento máximo nos estudos às vésperas do Enem

A palavra-chave para um bom desempenho nos estudos é disciplina. Com a proximidade das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2019, marcadas para 3 e 10 de novembro, é mais importante ainda se planejar e seguir à risca a revisão dos conteúdos.

A primeira dica do professor de médio e pré-vestibular Mateus Grangeiro é ter um bom método de estudo, com horários definidos para cada atividade, como revisões e resolução de exercícios. “Quando for planejar os estudos, leve em consideração conhecimentos prévios; não abandone as disciplinas em que já possui bom conhecimento, mas priorize disciplinas de menor rendimento”, aconselha.

A proximidade do exame traz consigo a “vontade de relaxar” e, ao mesmo tempo, ansiedade e insegurança, segundo o professor. Nesse caso, o recomendado é manter a rotina de estudos, mesmo que um pouco mais leve. “Também é fundamental manter as rotinas de sono e a alimentação”, alerta.

Confira mais dicas do professor Mateus Grangeiro para alcançar todo o seu potencial nos estudos:

Concentrar esforços onde se deve
É importante focar, durante a revisão final, nas áreas de maior peso para o curso e as universidades de interesse, além de dedicar mais tempo de estudo aos conteúdos mais abordados nos anos anteriores (alguns temas são recorrentes) e àqueles em que o estudante tem maior dificuldade.

Desenvolver habilidades necessárias
Leitura, compreensão e interpretação de textos, gráficos e tabelas são requisitos básicos para todas as provas do Enem. Conseguir relacionar temas e conteúdos abordados em diferentes áreas do conhecimento é indispensável para o sucesso, já que todo o exame é contextualizado. Alguns itens com gráficos e tabelas intimidam. Nesses itens, toda a informação necessária costuma estar no texto-base, cabe ao aluno manter a calma e interpretá-los.

Adquirir experiência
Uma boa dica para estas últimas semanas, sobretudo para quem não desenvolveu a rotina de estudos desejada ao longo do ano, é resolver as provas anteriores do Enem. Isso ajudará a calibrar o ritmo e o desgaste para a resolução das questões, além de propiciar ganho de intimidade com o método de cobrança e com o formato dos itens.

Planejar a prova
Nos dias da aplicação do exame, tenha uma estratégia bem definida para a resolução das provas: saiba por qual disciplina começar e qual ritmo adotar em cada parte para aproveitar melhor o tempo. Não se desgaste tanto com itens complexos que não consiga responder. Outra dica é começar pelas áreas de maior domínio, o que, segundo Mateus Grangeiro, aumentará a confiança e garantirá um melhor resultado. “Questões fáceis não podem deixar de ser gabaritadas por falta de tempo”, afirma o professor.

 

Conheça a obra: “Vidas Secas” denuncia o descaso social e a exploração humana

Conheça a obra: “Vidas Secas” denuncia o descaso social e a exploração humana

Por Jornal da USP

Em dois breves parágrafos – os que abrem o primeiro capítulo, Mudança –, o alagoano Graciliano Ramos sintetiza Vidas Secas. Descreve o cenário e apresenta a saga da cachorra Baleia, da mãe Sinha Vitória, do pai Fabiano e de seus dois filhos, que, no decorrer da história, são chamados de “mais novo” e “mais velho”. Sem nome e sobrenome, eles carregam a “identidade” das famílias que ainda hoje vivem o descaso social e a exploração humana no país.

Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos. Ordinariamente andavam pouco, mas como haviam repousado bastante na areia do rio seco, a viagem progredira bem três léguas. Fazia horas que procuravam uma sombra. A folhagem dos juazeiros apareceu longe, através dos galhos pelados da caatinga rala.

Arrastaram-se para lá, devagar, Sinha Vitória com o filho mais novo escanchado no quarto e o baú de folha na cabeça, Fabiano sombrio, cambaio, o aió a tiracolo, a cuia pendurada numa correia presa ao cinturão, a espingarda de pederneira no ombro. O menino mais velho e a cachorra Baleia iam atrás.

Escrita em 1938, a narrativa que reflete a aridez do sertão abre uma janela para o leitor. O apuro estético do autor dá liberdade para quem quiser começar a história do final ou do meio ou pelas páginas que escolher. Cada um dos 13 capítulos tem o seu próprio enredo. A estética do romance não propõe fim nem começo. Assim, o escritor, entre os mais importantes da segunda fase modernista, desenha a vida do sertanejo em um círculo. Ou uma espiral. Como uma roda viva.

Para refletir com o leitor empenhado nas leituras para o vestibular,  Thiago Mio Salla, doutor em Letras e Ciências da Comunicação e professor da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, foi entrevistado. “Para além das exigências da prova, a expectativa é de que o vestibulando se deixe fascinar pela beleza do texto de Graciliano, que, tal como um artesão meticuloso, vai esculpindo e colocando em sequência os quadros da vida de Fabiano, de Sinha Vitória, da cachorra Baleia, dos meninos”, observa Salla. “Ao mesmo tempo, faz ressoar a voz de todos esses personagens juntamente com sua própria voz de narrador, por meio de uma linguagem concisa, substantiva. Paralelamente, espero que os leitores vestibulandos se sensibilizem com a forte mensagem social que dá vida e atualidade ao livro.”

“Mais do que a seca causada pela inclemência da natureza, o que oprimiria Fabiano e sua família seriam as relações de dominação estabelecidas pelos próprios homens”, explica Salla. “Por isso não se trata de um romance típico sobre a seca, mas sobre vidas secas. Vidas apresentadas em toda sua complexidade enquanto partes de um processo sistemático de exploração, humilhação e alienação. Em resumo, dessa mescla entre artesania da palavra e problematização de feridas tão vivas da realidade brasileira, o artista extrai sua força, que o engrandece e o coloca como um dos principais artistas de nossa literatura.”

Thiago Mio Salla estuda a vida e obra de Graciliano Ramos há 15 anos. Uma pesquisa realizada no Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP, que tem a guarda do acervo do escritor. Esse trabalho já resultou em seminários, exposições, artigos e diversos livros, entre eles Garranchos – Textos Inéditos de Graciliano Ramos (Record, 2012), Conversas, em parceria com Ieda Lebensztayn (Editora Record, 2014), doutora em Literatura Brasileira pela USP, e o recente Graciliano Ramos e a Cultura Política: Mediação Editorial e Construção do Sentido (Edusp).

O professor faz questão de apresentar a caixa com os manuscritos de Vidas Secas que está no IEB e à disposição dos pesquisadores. “Aqui está o primeiro capítulo que ele escreveu: Baleia”, diz, apontando o texto original com a ortografia e a caligrafia do autor.
Graciliano escreve:

“A cachorra Baleia estava para morrer. Tinha emagrecido, o pelo caíra-lhe em vários pontos, as costelas avultavam num fundo róseo, onde manchas escuras supuravam e sangravam, cobertas de moscas.”

O livro, segundo o pesquisador, começou com Baleia, escrito em 4 de maio e publicado em O Jornal no dia 23 de maio de 1937. “O autor determinou que esse primeiro capítulo fosse o nono na sequência do romance”, explica.

O pesquisador lembra que Rubem Braga classificou Vidas Secas como um “romance desmontável” ao relacionar o seu caráter fragmentário. O leitor pode optar por ler os capítulos de modo independente. No entanto, a ordem que o escritor organizou tem, segundo Salla, suas razões. “O modo como Graciliano articula os capítulos confere unicidade ao todo. Creio que perdem força se lidos em separado, sobretudo quando se considera o caráter a um só tempo caleidoscópico e cíclico da obra. Ou seja, a família foge da seca no início e ao final do livro.”

Outro manuscrito que o pesquisador destaca é a capa do livro que deveria ser intitulado como O Mundo Coberto de Penas. Um documento em que se pode observar o desenho da letra de Graciliano Ramos riscando e alterando para Vidas Secas. “Caso conferisse ao livro o primeiro título, que prevaleceu até as vésperas de sua publicação, o escritor realçaria mais o estatuto de conto do que de capítulo de cada uma das divisões da obra”, justifica. “Isso porque, metonimicamente, ele elegeria o nome de uma parte para nomear o todo, procedimento muito comum na titulação de livros de contos.

Além disso, se optasse por O Mundo Coberto de Penas, trecho que trata da preparação da família para deixar a fazenda, realizaria uma leitura mais restrita da vida dos sertanejos, privilegiando tão somente as desgraças e o fatalismo inclemente das secas no sertão nordestino. Por outro lado, ao optar por Vidas Secas, seu único título adjetivado, elegeu um nome capaz de englobar todas as narrativas e conferir unidade ao todo, realçando a arquitetura precisa e bem estruturada do conjunto.”

O título escolhido, conforme esclareceu o próprio Graciliano Ramos, destaca a “existência miserável de trabalho, de luta, sob o guante da natureza implacável e da injustiça humana”. O pesquisador ressalta: “Vidas Secas materializa muito bem aquilo que, na minha opinião, é o grande legado de Graciliano: a conjunção entre rigor formal, introspecção e problematização de diferentes temas de caráter social, tais como a miséria, a exploração, a humilhação, entre outros ingredientes que compõem um caldeirão de conflitos bem brasileiro, prestes a explodir”.