As Razões dos Insucessos de Vitória e Corinthians

Já revelei o fumo por qual passei quando fui ao jogo entre Vitória e Corinthians, dia 21 de novembro, em pleno estádio Barradão. Sol arretado, fila imensa, Ronaldo em campo por meros 15 minutos, um monte de macho suado gritando “nêgo, nêgo!”, ônibus da volta com ares de Rio Doce/CDU e, por aí, vai. Mas, mexeu comigo, o bicho pega. E a minha urucubaca de vingança funcionou.

Irritado com a indigna recepção ao babalorixá mais rochedo do mundo (quiçá do universo) esportivo, rebaixei a baianada do Vitória para a Série B – logo quando o rival Bahia subiu à elite, veja só. O time paulista não teve muito a ver com a história. Contudo, por tabela, acabou se contaminando com a minha quizila.

Gravei, em vídeo, o gol responsável por aniquilar as forças corintianas. O empate com o Vitória, a duas rodadas do fim da competição, praticamente tirou a taça de campeão brasileiro das mãos do Timão e a fez cair sobre o colo do Fluminense. Brinque comigo não, cumpádi. Ô, pé frio! Saravá!

Porra!

o boca-suja do Tomate

Uma confusão da porra. Ou melhor… uma confusão sobre “porra” esquentou o clima da já quente Bahia durante esta semana. Logo quando eu cheguei aqui em Salvador, fiquei intrigado ao ver este anúncio acima estampando os outdoors da cidade. “Polêmico”, pensei. Dois dias depois, a Prefeitura censurou a peça publicitária.

p...Antes de jogar tomates em mim por ter escrito palavrão, lavem a boca suja do próprio Tomate. O cantor de axé está vermelho de raiva por causa da censura. Após a ameça da administração pública, a agência contratada pelo artista optou por se livrar da polêmica e substituir o palavrão por reticência.

Via Twitter, Tomate azedou: “O melhor remédio pra censura é a voz do povo”, escreveu. E os amigos mostraram solidariedade através do microblog. ”Abraço liga não velho, acontece!”, anotou Léo Santana, vocalista do Parangolé. Manno Góes, do Jammil, também manifestou indignação e tuitou: “Hipocrisia moral me irrita. Bora, @_tomate , minha porra!!”.

E agora, os torcedores do Bahia estão indecisos se poderão manter o bordão “Bora Bahêa, Minha Porra!”. O blog do lúdico incentivo ao clube pode correr sérios riscos de sair do ar. E, por ter escrito cinco vezes a palavra porra (seis!) nesta postagem, estou ameaçado de levar ‘carão’ da tia.

grito de guerra do Bahêa

Baiano tem Pau Míudo

quem vai sentado?
Alguém se habilita a fazer a viagem sentado neste ônibus?

De férias, resolvi voltar para Salvador, onde estive há poucas semanas. Em plena terra dos orixás, pretendo me renovar para voltar a realizar previsões rochedas quando se iniciar o Campeonato Pernambucano 2011.

Por aqui, vi algo curioso. Uma linha de ônibus para o bairro de nome fértil para os trocadilhos: Pau Miúdo. A origem do local é mais curiosa ainda. Segundo o Wikipédia, “Pau Miúdo inaugurou a era das invasões em Salvador (japonesas?) e, por esse motivo, cresceu de forma desordenada (percebe-se)”. A principal rua é a Marquês de Maricá, também conhecida como “Mariquinha”. Quem nasce em Pau Miúdo é paumiudense…

… ou frustrado, nunca se sabe. Inclusive, há uma enorme migração dos homens de Pau Miúdo para a cidade paranaense de Ponta Grossa. Para evitar a má fama, entende?

Bonequinhos Escrotinhos

se você tiver menos de 18 anos, desça a barra de "rolagem"bacanal de barro

Já estou esperando o alerta para tirar a postagem do ar. Mas, enquanto a ordem não chega, aproveite para ler, comentar, imitar, rir, ficar boquiaberto…

Ao sair do Barradão, após o empate em 1 x 1 entre Vitória e Corinthians, último domingo, deparei-me com um curioso produto de vendedor ambulante. Tabuleiro com um verdadeiro bacanal. Sacaninhas bonequinhos de barro, onde os com camisa do Vitória esculachavam os pintados com as cores do Bahia.

Polêmico? Obsceno? Engraçado? Chulo? Provocação válida? Desnecessária? Enfim. Imagine se a moda pega por aqui em Pernambuco…

molequinho danado

Fotos: Pai Aqui/DP/D.A.Press 

Bichinho Azarado, Oxente!

"aqui tem um bando de loucô..."sem Ronaldo... 1 x 1

Já me convenci: sou muito azarado quando decido assistir a jogo fora de Pernambuco. Eu me programo para ver o espetáculo, aguardo para acompanhar a atuação de certos jogadores, preparo-me para a festa, mas só vejo bola fora. Sobram exemplos. Eis dois recentes.

sem Ganso, sem Neymar... 0 x 0Rio de Janeiro, 5 de setembro de 2010.

Primeiro, preciso voltar o tempo. Uns três meses antes, quando comprei a passagem para a terrinha carioca, planejei: “Putz, legal! Vou ver Ganso e Neymar”.

Poucos dias depois, Ganso é submetido a cirurgia. Uma rodada antes do duelo contra os rubro-negros, Neymar faz molecagem, dá um chapéu no adversário quando o jogo estava parado e recebe o terceiro cartão amarelo – suspenso. Penso:  ao menos, vou ver a festa do último jogo do velho Maraca. Quanto foi o placar do confronto? Pois é: 0 x 0.

Salvador, 21 de novembro de 2010.

Enfrentei um longo engarrafamento até o Barradão. Levei quase uma hora para conseguir entrar no estádio, tomando sol e se esfregando em uma macharia suada e fedida. Demoro para achar lugar na arquibancada. Ansioso para ver Ronaldo em campo. O Fenômeno começa bem. Dois belos passes – um, inclusive, virou assistência para gol. Mas, com 20 minutos de partida, “Ronalducho” sente lesão, desaba (“terremoto”) e é substituído. Placar do confronto? Um tal de 1 x 1 ruim para ambas as equipes.

É como diz aquele velho ditado: “Se macumba ganhasse jogo, Campeonato Baiano terminaria empatado”.

Revoltado com o Furdunço!

pense num furdunço...

Pense em um furdunço. Um escarcéu. Uma multidão estabanada das brabas. Os Quatro Cantos ou a frente da Ribeira durante o Carnaval. Shopping em dia de liquidação. Feira de Peixinhos. Pensou? Pronto. Agora, multiplique por 15. Pronto: entrada do Barradão, último domingo, uma hora antes do jogo entre Vitória e Corinthians. 

Estive por lá e registrei as arquibancadas lotadas. Tirar a câmera antes da entrada, perto da catraca, seria colocar a faixa com os dizeres “sou otário” e ser surrupiado. Dentro de campo, festa bonita. Fora, nem tanto. Ou melhor, nem um pouco. Bagunça danada! De (acreditem!) deixar os clubes pernambucanos até “bem na fita”, em caso de eventual comparação.

As catracas eletrônicas são poucas. As grades de separação das catracas são curtas. O jogo começou e tinha aparelho quebrado e catraqueiro sem querer fazer o processo manual – bastaria pegar o ingresso e deixar passar, oras. Pior: uns 12 policiais fizeram uma fileira de contenção para (pasmem!) revistar um por um, antes da entrada - e não depois, como de costume.  Detalhe: quando a bola começou a rolar, eu e outras mais de cinco mil pessoas tentavam entrar. Passei 55 minutos contados de relógio tomando sol (e que sol!) na cachola.

O duelo contou com 26.670 pagantes. Certamente, deu mais, pois a capacidade do estádio é de aproximadamente 35 mil pessoas – incluindo o espaço de divisão das torcidas. Muitos eram “alvinegros, maloqueiros e sofredores do Curíntia”. Após a partida, segui até o ponto de ônibus. Estação Pirajá. A visão do inferno. Para fazer inveja a qualquer Rio Doce/CDU.

Mas, quer saber: vou parar de frescurinha, porque sou macho e não ligo para multidão. “Vai descê, motô! Pelamordedeus!”. Não. O “vai descê” não é pegadinha com o Vitória.

Ou é, tanto faz…

Melô do Leão: “Acabou”

"acabou, ouô, ô... acabou!"
Pouco antes desta farra murcha, o Santo André pôs água no chope do Bahia, em Pituaçu

Hoje, uns dois dias depois da eliminação, ainda é dia de ressaca para os rubro-negros. Acessar o blog para ler piadinhas jocosas do Pai Aqui sobre o triste fim do sonho do acesso é algo deveras desagradável, eu sei. Mas, enfim, são ossos do ofício. Ou ócios do ofício, como diriam os bons baianos. E eu acabei de voltar da Bahia. De lá, tentei enviar um axé ao Sport, mas só consegui ver a “ressuscitação” de Ricardo Chaves.

Já classificado para a Série A de 2011, o “Bahêa” contratou o cantor de “é o bicho, é o bicho, vou te devorar, crocodilo eu sou” para comemorar a festa da subida. Empolgado, do trio elétrico, Chaves resolveu criar o “Melô do Leão”. Sabe qual é? Se liga: “E eu, tão acostumado a ter tudo na mão, tão acostumado a ter sempre razão, perdi a noção de tempo, espaço e direção. E agora vem você dizer que… acabou, ouô, ô… acabou!”.

Pois é, galera. Até Geninho aderiu à onda. Colocou a mão na cintura (não sei como, haja vista o tamanho da circunferência) e rebolou. Ciro rebolou. Germano rebolou. Marcelinho Paraíba se fantasiou (de mascarado) e, inclusive, já lavrou do clube. E a torcida, coitada, “dançou”.

Mais um ano de Série B. Agora, em companhia a outros dois: Náutico e Salgueiro. Pernambuco é estado de segunda, em termos futebolísticos – queria o Santa Cruz, hein? Êita, bicho. Segunda lembra segunda-feira. Dia de me despedir da malemolência baiana e voltar ao Recife. Dia de branco. Dia de labuta. Oh, vida cruel!

Terra do Sossego

ai, ai... sossego bom...

Aqui estou, em plena Bahia, para confirmar o sossego da terra dos orixás – juntei uma esmolinha, arquitetei minha folga e, merecidamente, zarpei para cá.

Passei o último final de semana em Salvador. Ai, ai… Bahia… baianas… acarajé… sol… mar… pinga fresca. Nem queria, viu?

‘Oxente’, meu rei. Levantar da rede para atualizar este Blog foi difícil. Mas, daqui a pouco, volto para a minha terrinha e encho esta parada de novidades, mainha. Saravá!

Foto: Pai Aqui (DP/D.A.Press)

Diário de Bordo VI: “Flagras do Maraca”

o Spiderman e a tia solteirona ao lado estão cheios de teia de aranha...
O Spiderman e a tia solteirona ao lado estão cheios de teia de aranha…

Maracanã praticamente “vazio” para receber Flamengo e Santos. Último duelo do “velho Maraca”. Em 2013, após as obras pré-Copa, o estádio vai reabrir. Domingo de arquibancadas inferiores interditadas. As de cima receberam “somente” 35 mil pessoas – apesar do número elevado, realmente deu a sensação de “pouca gente”. E o Pai Aqui, perplexo como pinto sobre o lixo com a imensidão do reduto, não deixou de captar alguns flagrantes.

enquanto isso, em uma cela do Bangu I... O Homem-Aranha “Cristão” foi fácil de achar. Afinal, o cidadão é daqueles típicos “doidos para aparecer”, à lá os rubro-negros Zé do Rádio e Cabuloso, o tricolor Bacalhau e o alvirrubro Mister N. Difícil foi achar ‘neguinho’ com a camisa do goleiro Bruno, ex-goleiro do Flamengo e atual arqueiro do Bangu I.

Depois de muita procura, encontrei o cidadão. E em uma cena curiosa. “Bruno” se deparando com uma briga de casal, sob o olhar omisso do policial. Como pode?

Meio azarado como sou, não rolou um golzinho sequer, para ver o rebuliço do Mário Filho. Um 0 x 0 xoxo. Ao sair, ainda me deparei com um tricolor, todo feliz. Perguntei o placar do jogo contra o Guarany. Ele: “O Santinha ganhou de 4 x 2 (na verdade, foi 4 x 3), depois de começar perdendo por 2 x 0, com dois gols contra do mesmo jogador.” Dei um “obrigado” e pensei: “Cara louco.”

Depois, foi só ir para o metrô lotadaço como um Rio Doce/CDU e correr para o abraço.

Diário de Bordo V: “Cartilha de Boas Maneiras”

boas maneiras boas maneiras

A cidade carioca está preparada para receber as Olimpíadas. Inclusive, começou a circular, por aqui, uma cartilha de boas maneiras para o público se relacionar com os atletas. Eis alguns exemplos:

  • ao falar com o último colocado da maratona, ao invés de chacotas, diga “pô… demorô”;
  • ao abordar o ginasta que acabou de se estabanar no chão após uma pirueta, estenda as mãos e fale “aí… tu rodou, hein?”;
  • quando o árbitro cometer o equívoco, não xingue a mãe, mas sim, reserve-se a comentar um “ei, neguin… tu é mó vacilão”.

Sinistro!